BiS SiGMA reúne especialistas para debater integração de cassinos físicos e digitais

A BiS SiGMA sediou painel sobre a integração entre cassinos físicos e plataformas digitais no contexto regulatório brasileiro. O evento reuniu especialistas do setor para discutir tecnologia, regulação e comportamento do consumidor. Leonardo Henrique Benites, Diretor Fundador da ANCASSINOS, mediou o debate que contou com a participação de Luiz Felipe Maia (Maia Yoshiyasu Law Firm), Bryan Ortiz (Zitro Digital Brasil), Fernando Mora (Sportradar Brazil), Marco Pequeno (Amusnet) e Jordi Sendra (ALEA).
Cenário jurídico e político
Luiz Felipe Maia, sócio da Maia Yoshiyasu Law Firm, abordou o julgamento da RE 966177 no Supremo Tribunal Federal. O processo trata da descriminalização da exploração de jogos de azar. Maia afirmou que uma decisão “seca” do STF poderia gerar caos social.
O advogado defendeu uma modulação que funcione como gatilho para o Legislativo avançar com o PL 2234. Segundo Maia, o Legislativo detém a palavra final sobre as leis. O especialista afirmou que o movimento da indústria deve focar em demonstrar responsabilidade e transparência para superar a resistência política. Maia destacou ainda que o Brasil possui um mercado potencial significativo, com estimativas de que o setor de cassinos físicos possa gerar entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões em receita anual, além de criar aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos.
Integração entre ambientes físico e digital
Bryan Ortiz, Diretor da Zitro Digital Brasil, apresentou a perspectiva de que o digital não substitui o físico, mas o complementa. O executivo materializou o conceito de omnichannel como modelo de integração entre os dois ambientes, enfatizando que a experiência do jogador deve ser fluida e consistente, independentemente da plataforma utilizada.
Ortiz destacou benefícios do PL 2234. O projeto prevê sistema cashless, registro via CPF e conexão direta com o governo. Esses mecanismos dificultariam a sonegação e a lavagem de dinheiro. O diretor defendeu que a regulação deve ser vista como ferramenta de controle e segurança. Segundo Ortiz, a integração entre plataformas físicas e digitais permite que os operadores coletem dados valiosos sobre o comportamento dos jogadores, possibilitando a personalização de ofertas e a criação de programas de fidelidade mais eficazes.
Fernando Mora, Executivo de Desenvolvimento de Negócios da Sportradar Brazil, discutiu a adaptação da cultura de bares esportivos para o mercado brasileiro. Mora sugeriu que o cassino físico pode atuar como ponto de encontro para comunidades já formadas no ambiente digital. O executivo ressaltou que a experiência presencial oferece elementos que o digital não consegue replicar completamente, como a atmosfera social e a emoção coletiva de eventos ao vivo.

Estratégias de mercado e diferenciação
Marco Pequeno, Gerente de País da Amusnet, abordou a “orientalização” dos jogos no mercado brasileiro. O executivo argumentou que o tema é secundário frente à necessidade de criatividade e posicionamento estratégico.
Pequeno destacou que, em um mercado comoditizado, o sucesso depende de parcerias com operadores e da presença em canais de publicidade. O gerente afirmou que o diferencial vai além da simples oferta de jogos. A competitividade no setor exige abordagens que transcendem o produto em si. Pequeno enfatizou que a inovação constante em mecânicas de jogo e a adaptação às preferências locais são fundamentais para conquistar e manter a base de jogadores brasileiros.
Desafios da transição entre plataformas
Jordi Sendra, da ALEA, trouxe perspectiva internacional sobre a complexidade de migrar do online para o físico. O especialista alertou que os operadores não devem subestimar as diferenças entre os dois ambientes.
Sendra explicou que a experiência do jogador no cassino físico envolve gatilhos, música e interações sociais distintas do ambiente digital 24/7. O representante recomendou que empresas foquem na experiência do usuário. Sendra sugeriu a utilização de provedores terceiros para garantir uma transição bem-sucedida entre os ambientes online e físico. O especialista também alertou sobre a importância de investimentos em infraestrutura tecnológica robusta e em treinamento de equipes para operar em ambos os ambientes de forma integrada.
Perspectivas para o setor
O painel evidenciou que o Brasil enfrenta desafios legislativos para a regulamentação do setor. Os participantes indicaram que a indústria está se preparando para um modelo integrado. A discussão abordou aspectos de fiscalização, proteção do consumidor, tributação e licenciamento.
Os especialistas destacaram que o modelo integrado deve estar alinhado às preferências do jogador brasileiro. O debate apontou para a convergência entre físico e digital como caminho para oferecer um mercado mais seguro e transparente. O painel também tratou de oportunidades de inovação e turismo relacionadas ao desenvolvimento do setor de cassinos no país, com destaque para o potencial de transformar cidades brasileiras em destinos turísticos integrados, combinando entretenimento, hotelaria e eventos.
Os participantes concordaram que a regulamentação adequada, aliada à integração tecnológica entre plataformas físicas e digitais, pode posicionar o Brasil como referência regional no setor de jogos, gerando benefícios econômicos significativos e garantindo a proteção dos consumidores através de mecanismos eficazes de jogo responsável.


