Brasil arrecada R$ 8,747 bilhões com apostas e jogos de azar de janeiro a julho

A Receita Federal arrecadou R$ 8,747 bilhões com a tributação de apostas e jogos de azar (incluindo as loterias da Caixa) entre janeiro e julho de 2026, valor 76,86% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o total havia sido de R$ 4,946 bilhões. Os dados constam do balanço de arrecadação por divisão econômica divulgado pelo órgão nesta terça-feira (25/8).
Apenas em julho, o setor de exploração de jogos de azar e apostas recolheu R$ 1,463 bilhão, ante R$ 1,385 bilhão em junho — um crescimento de 6% na comparação mensal.
Esse valor se refere aos montantes arrecadados pela Receita Federal, incluindo tributos federais como o IRPJ, CSLL, PIS/Cofins e Contribuição Previdenciária. Os recursos retornam à sociedade por meio de políticas públicas em diversas áreas.

Os números constam da Análise Mensal de julho de 2026, apresentada pelos auditores fiscais Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros, e Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e Análise da Receita Federal.
Mês a mês: sazonalidade explica as oscilações
Assim como no primeiro semestre, os dados de julho reforçam um padrão sazonal claro dentro do ano: queda acentuada em fevereiro e março (período de Carnaval), seguida de recuperação constante a partir de abril, com julho mantendo o ritmo de altas moderadas dos três meses anteriores.

Até março, as bets eram tributadas com alíquota de 12% sobre o GGR (Gross Gaming Revenue), a receita bruta das casas após o pagamento dos prêmios. A alíquota subiu para 13% a partir de 26 de março, pela Lei Complementar nº 224/2025, após cumprida a regra da noventena — cronograma que prevê novos aumentos, para 14% em 2027 e 15% em 2028. Isso indica que o crescimento da arrecadação a partir de abril combina o efeito da alíquota mais alta com a recuperação efetiva do volume de apostas, e não apenas o repasse do imposto.
Copa do Mundo termina sem provocar salto atípico
Julho marcou o desfecho da Copa do Mundo de 2026, com a final disputada no dia 19. Ainda assim, a arrecadação do mês cresceu 6% sobre junho — variação muito próxima à registrada nos meses anteriores ao torneio (+9,7% em maio, +6,2% em junho) e inferior ao salto de 38,4% observado em abril, quando o campeonato sequer havia começado.
O comportamento reforça a leitura que o BNLData já vinha apontando: o principal evento esportivo do ano não gerou uma “explosão” no volume de apostas. O crescimento observado durante e após a Copa é compatível com a trajetória de recuperação sazonal que já estava em curso desde abril, somada ao efeito da alíquota mais alta sobre o GGR.
Rumo aos R$ 16 bilhões em 2026
Em todo o ano de 2025, o Brasil arrecadou R$ 9,95 bilhões com a tributação de apostas e jogos de azar (incluindo as loterias da Caixa), sob a alíquota então vigente de 12% sobre o GGR. Com os R$ 8,747 bilhões já recolhidos nos sete primeiros meses de 2026, o país está a poucos meses de superar o total do ano passado inteiro — restando ainda cinco meses para o fechamento do exercício fiscal.
Os recursos das bets seguem em patamar superior a R$ 1,4 bilhão por mês desde abril, com exceção de março. Se essa performance se mantiver até dezembro, a arrecadação anual das bets pode ultrapassar R$ 16 bilhões em 2026 — mais de 60% acima do resultado de 2025.
Enquanto a arrecadação sobe, avança a agenda de restrições
Enquanto a receita das bets aumenta e fortalece os cofres públicos, o governo discute medidas contrárias ao setor: propostas de novos aumentos de impostos, restrições sobre tipos de jogos permitidos e limitações à publicidade. Medidas desse tipo tendem a produzir o efeito oposto ao pretendido, empurrando parte dos recursos hoje arrecadados de volta para o mercado ilegal.


