Brasileirão 2026: 40% dos clubes da Série A devem mudar patrocinadores principais nas camisas

Apostas I 05.01.26

Por: Magno José

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Brasil lidera patrocínios com casas de apostas entre as grandes ligas
Especialistas acreditam que valores estão supervalorizados por casas de apostas e projetam que consolidação do setor deve eventualmente reduzir investimentos em publicidade no futebol

Cerca de 40% dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro devem mudar seus patrocinadores principais nas camisas para a temporada 2026. As alterações ocorrem em um cenário de reposicionamento de marcas e questões contratuais, afetando equipes como Bahia, Santos, Fortaleza e Vasco. A competição nacional começa no próximo dia 28 de janeiro.

O valor total destinado aos patrocínios máster dos clubes da Série A saltou de R$ 496 milhões em 2023 para R$ 1,117 bilhão em 2025, conforme levantamento da agência Jambo Sport Business. O aumento representa uma valorização de 125% em apenas dois anos no mercado de patrocínios do futebol brasileiro. Alguns especialistas ouvidos pelo BNLData acreditam que os valores estão supervalorizados pelas casas de apostas e que o cenário poderá mudar com o primeiro ano de regulamentação das apostas.

Viva Sorte Bet – Bahia

A Viva Sorte Bet não será mais a patrocinadora master do Bahia em 2026. A empresa Viva Sorte Capitalização, manterá sua marca nos ombros da camisa do Esquadrão. O Banco BMG assumirá o papel de principal patrocinador financeiro do clube, com valores fixos e variáveis dependentes da quantidade de contas bancárias abertas vinculadas ao tricolor. No último sábado (3), o time sub-20 do Bahia entrou em campo com a marca do novo patrocinador na parte superior traseira do uniforme, mas ainda não há definição sobre qual empresa ocupará o espaço principal da camisa.

7K – Santos  

O Santos inicia 2026 sem patrocinador principal após romper antecipadamente o contrato com a casa de apostas 7K. O acordo, válido até abril de 2027, poderia render até R$ 150 milhões ao clube paulista caso determinadas metas esportivas fossem alcançadas. Em 2025, o Santos recebeu R$ 51 milhões e deixou de arrecadar outros R$ 54 milhões previstos para 2026. O departamento de marketing do clube enfrenta desafios adicionais com a não renovação de contratos com outros patrocinadores como Havan e Viva Sorte Capitalização.

Cassino Bet – Fortaleza

O Fortaleza recebeu notificação da Cassino Bet sobre possível encerramento antecipado do contrato de patrocínio máster. As negociações para definir o futuro da parceria estão em andamento, embora o acordo tenha vigência oficial até o final de 2026. O aporte financeiro da Cassino Bet aos cofres do clube cearense é de R$ 30 milhões por ano, sendo o maior contrato de patrocínio da história do Fortaleza.

Betfair – Vasco

No Rio de Janeiro, o Vasco não renovou a parceria com a Betfair, que rendia R$ 70 milhões ao clube. O time carioca busca novos parceiros para o espaço principal do uniforme, com negociações em andamento com as operadoras ZeroUm e EnergiaBet.

Betfair e Betnacional – Cruzeiro

Por enquanto, a única mudança confirmada para 2026 é a do Cruzeiro, que deixará de usar Betfair e passará a estampar Betnacional no espaço mais nobre da camisa. Ambas as marcas de apostas pertencem à Flutter Brazil, que decidiu reorganizar sua estratégia no mercado brasileiro.

Alfa Bet – Internacional e Grêmio

No Sul do país, Internacional e Grêmio enfrentam problemas com a Alfa Bet. Pelo acordo, cada clube receberia ao menos R$ 50 milhões por ano durante três temporadas, mas houve atrasos nos pagamentos. O Grêmio optou por rescindir o contrato no início de dezembro e atuou nas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro com a marca da EnergiaBet, em um acordo pontual. O Internacional ainda não se manifestou publicamente sobre os atrasos nos pagamentos da atual parceira comercial.

Manutenção de contratos

O Flamengo detém atualmente o patrocínio master mais valioso do futebol brasileiro. O clube, campeão brasileiro e da Libertadores em 2025, receberá R$ 268 milhões de uma empresa de apostas em 2025. Em dois anos, o valor do patrocínio master do rubro-negro aumentou 215%, passando de R$ 85 milhões em 2023 para R$ 110 milhões em 2024, até atingir o patamar atual. Após o anúncio do contrato com a Betano em agosto, o Corinthians decidiu pedir um reajuste ao seu atual parceiro, Esportes da Sorte. As conversas seguem em andamento, mas ainda pode haver uma mudança no patrocínio máster do clube paulista.

Quem manterá os parceiros atuais conta, em geral, com contratos longevos. É o caso do Fluminense com Superbet (até 2030), Flamengo com Betano (2028) e um grupo maior, formado por Atlético-MG (H2bet), Botafogo (VBet), Palmeiras (Sportingbet), São Paulo (Superbet) e Vitória (7K), todos com vínculos até 2027.

A expansão das casas de apostas no futebol brasileiro transformou o cenário de patrocínios. Atualmente, 18 dos 20 clubes da Série A do Brasileirão têm casas de apostas como patrocinadoras máster. As únicas exceções são o Red Bull Bragantino, que pertence à própria marca de bebidas energéticas, e o Mirassol, que tem a Poty como patrocinadora principal, embora a casa de apostas 7K, que aporta mais dinheiro à equipe, seja considerada a patrocinadora máster mesmo com sua logomarca posicionada mais abaixo na camisa.

Em entrevista ao g1, Idel Halfen, executivo com experiência em marketing de grandes empresas e clubes da elite do futebol brasileiro, declarou que os investimentos milionários das casas de apostas tornaram praticamente inviável a competição de outros setores por espaços de patrocínio master.

A elevação acentuada nos valores de patrocínio, descrita por especialistas como uma “inflação”, tem explicações claras. As casas de apostas destinam uma proporção maior de seus recursos para marketing e publicidade em comparação com empresas tradicionais.

Halfen projeta que a consolidação do setor de apostas deve eventualmente reduzir os valores investidos em publicidade. “Quando as empresas já tiverem uma clientela fiel e uma base ampla de usuários, será menos necessário ‘queimar’ tanto investimento. A marca estará consolidada, e essa consolidação tende a equilibrar o mercado, reduzindo a necessidade de gastos agressivos”, afirmou o especialista.

Países europeus restringiram publicidade

A experiência internacional mostra que grandes ligas europeias proibiram ou restringiram propagandas de bets em clubes de futebol.

Espanha: Em 2021, o país proibiu a publicidade de casas de apostas em clubes, incluindo uniformes, nomes de estádios e competições.

Itália: Desde 2019, o país proíbe qualquer propaganda de apostas — inclusive em uniformes — por meio do Decreto Dignità.

Inglaterra: O país adotou restrições. Os clubes da Premier League têm até o fim da temporada 2025/2026 para retirar patrocínios máster de bets. Patrocínios em mangas continuam permitidos.

França: O patrocínio máster por casas de apostas é permitido. Há regras, mas poucas restrições em comparação com outros países.

 

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