Caixa restringe operações em lotéricas após “incidente tecnológico” com sistemas

A Caixa Econômica Federal limitou a R$ 2.000 as operações com serviços financeiros em casas lotéricas nesta quarta-feira (22), após um “incidente tecnológico” afetar os sistemas das unidades. Depósitos e pagamentos de boletos estão entre as operações restritas.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, donos de lotéricas relataram que os serviços começaram a ser suspensos por volta das 15h30 de terça-feira (21). Cerca de uma hora depois, todo o sistema de meios de pagamento havia sido desligado preventivamente, sem qualquer explicação do banco estatal.
A Caixa não dimensionou nem detalhou o incidente publicamente. Nesta quarta-feira, o banco disparou um boletim informativo aos lotéricos com orientações sobre irregularidades detectadas nas lojas. O documento indica que as medidas de contingência serão mantidas até segunda-feira (27) e afetarão somente os serviços de depósito e de recebimento de boletos de outros bancos.
Suspeita de ataque cibernético
A Anel (Associação Nacional de Empresários Lotéricos) afirmou à Folha de S.Paulo que o incidente tecnológico seria, na verdade, um ataque cibernético organizado que pegou toda a rede de surpresa. A reportagem apurou que algumas casas chegaram a reportar ataques envolvendo quase R$ 500 mil.
Segundo reportagem da Folha, o portal BNLData noticiou inicialmente a queda nos sistemas. Empresários lotéricos de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul relataram irregularidades nos sistemas bancários da Caixa, com processamentos não autorizados de pagamentos de boletos em valores entre R$ 4.500 e R$ 5.000, segundo o site.
Nos bastidores, donos de lotéricas relataram que, enquanto os sistemas eram desligados na tarde de terça-feira (21), o setor da Caixa responsável pelo relacionamento com os empresários ficou reunido em uma “sala de crise” durante toda a tarde. Nenhuma informação havia sido repassada pelo banco até o início da manhã desta quarta-feira.
Reação do setor
Muitos empresários ainda continuam sem saber o que ocorreu. Ricardo Amado Costa, presidente da Febralot (Federação dos Empresários Lotéricos do Brasil) e administrador de lotéricas no Mato Grosso do Sul, disse que “tenho duas lojas, nada anormal, mas várias estavam com serviços limitados e depois, imagino eu por segurança, alguns serviços de forma geral foram suspensos”.
O Sincoesp (Sindicato dos Comissários e Consignatários de São Paulo), que representa casas lotéricas e jogos autorizados no estado, declarou na terça-feira (21) não ser possível precisar o que aconteceu. “Qualquer posição nossa seria pura adivinhação. Entendemos que somente a Caixa, responsável pela tecnologia e pelo gerenciamento das casas lotéricas, pode dar explicação sobre o ocorrido”, afirmou José Carlos Pereira de Paiva, presidente do sindicato.
A Caixa garantiu que o incidente “não acarretará prejuízos aos empresários lotéricos, nem aos clientes”. No boletim enviado às unidades, o banco informou que “as equipes da Caixa permanecem mobilizadas para o tratamento da ocorrência e que novas orientações serão comunicadas tempestivamente, conforme a evolução dos trabalhos”.

