CBF aciona autoridades por suspeita de manipulação em jogo de jogador do Fluminense

Apostas I 28.07.26

Por: Magno José

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CBF aciona autoridades por suspeita de manipulação em jogo de jogador do Fluminense
Entidade encaminha dados da Fifa sobre Lucho Acosta à Polícia Federal e STJD por movimentação atípica em aposta de cartão amarelo (Foto: Lucas Merçon / Fluminense)

A CBF encaminhou as informações sobre suspeita de manipulação esportiva envolvendo o meia Lucho Acosta, do Fluminense, às autoridades criminais e aos órgãos disciplinares esportivos. A entidade agiu após receber um alerta da Fifa sobre movimentação anormal de apostas relacionada ao cartão amarelo recebido pelo argentino na partida contra o Bragantino, válida pelo Campeonato Brasileiro.

O fato ocorreu no dia 17 de julho, na 19ª rodada do torneio. Segundo apuração d’O Globo, os dados foram repassados à Polícia Federal, ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD), à Procuradoria-Geral junto ao STJD e à Comissão de Ética do Futebol Brasileiro.

O Fluminense confirmou o recebimento da notificação e informou que Acosta nega qualquer envolvimento no caso. O jogador segue treinando normalmente e deve atuar nesta quarta-feira (28/7) contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro. A defesa do atleta aguarda o envio do relatório detalhado da Fifa para entender o cenário e definir os próximos passos.

Como funciona o alerta

O sistema de monitoramento é operado pela Sportradar, empresa contratada pela Fifa. Ao identificar uma movimentação anormal no mercado de apostas, a Sportradar emite um alerta às entidades responsáveis. A CBF recebeu a notificação por meio da Fifa e, seguindo protocolo interno, comunicou as autoridades criminais e esportivas em até 72 horas.

No caso de Acosta, o alerta foi gerado a partir de um alto volume de apostas na aplicação de um cartão amarelo ao jogador. O argentino foi advertido nos minutos finais da partida contra o Bragantino, durante uma confusão que resultou nas expulsões de John Kennedy e Agustín Sant’Anna, do clube paulista.

Uma partida passa a ser considerada suspeita quando há movimentação atípica no mercado de apostas; relacionada a escanteios, gols ou cartões, por exemplo. A investigação parte desse volume incomum de apostas, não de comportamento suspeito de qualquer jogador em campo.

O que a lei desportiva prevê

Movimentação elevada, por si só, não comprova manipulação. O comportamento do mercado pode ter explicações externas: uma equipe que escala reservas, por exemplo, ou um atleta pendurado que tenta forçar um amarelo para cumprir suspensão em jogo menos relevante e ficar disponível para uma partida mais importante.

Por isso, tanto os órgãos esportivos quanto as autoridades criminais precisam apurar o caso. O Ministério Público tem poderes para aprofundar a investigação e pode submeter pedidos à Justiça para autorizar medidas cautelares, como a extração de dados telemáticos; registros digitais de comunicações e atividades realizadas por celulares, computadores e serviços de internet.

Suspeitas relacionadas a competições nacionais são repassadas ao STJD. Nos casos de campeonatos estaduais, as informações vão às federações, que as encaminham aos Tribunais de Justiça Desportiva.

Se houver denúncia formal, Acosta poderá ser enquadrado em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): o artigo 243, que trata de atuação deliberadamente prejudicial à própria equipe, e o artigo 243-A, referente à prática contrária à ética desportiva com o objetivo de influenciar o resultado de uma partida.

No ano passado, a CBF firmou contrato com a Sportradar para o monitoramento de um pacote de 8,2 mil partidas, elevando para mais de 10 mil o total de jogos acompanhados anualmente no futebol brasileiro, segundo dados da entidade.

 


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