Cidade Jardim revive magia e tradição do Grande Prêmio São Paulo

Jockey I 10.05.22

Por: Elaine Silva

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O Festival do Grande Prêmio São Paulo 2022 acontece no final de semana de 13, 14 e 15 de maio

O turfista brasileiro, nesta segunda semana do mês de maio, tem compromisso marcado com a paixão e a mística da disputa de mais um Grande Prêmio São Paulo. Para os mais vividos, como é o meu caso, trata-se da oportunidade de viajar no tempo, e reviver emoções inesquecíveis. Algumas das mais belas páginas do turfe nacional foram escritas na raia de grama paulistana, pelas quatro patas de puros-sangues campeões. Na grama do Hipódromo de Cidade Jardim já desfilaram cavalos da mais alta qualidade. Craques espetaculares, conduzidos por jóqueis lendários, muitos já aposentados, e outros, que já partiram do nosso convívio. Treinadores de renome, verdadeiros magos, na arte de preparar cavalos de corridas para competir. Em nossas mentes, ainda flutuam as fardas de criadores e proprietários, que sumiram da presença visual na raia. Porém, elas ainda desfilam no coração de cada turfista que um dia pisou no majestoso hipódromo paulistano. Vida eterna para o turfe bandeirante!

Depois da tempestade vem a bonança. Era a frase preferida do meu saudoso avô, Moacir. Discreto, solidário e parceiro. Silenciosamente, ele um belo dia me revelou que era turfista apaixonado. Um segredo guardado por ele a sete-chaves do resto da família. Possuía amor incondicional pelos cavalos de corrida. Ninguém jamais soube disso. Nem mesmo a minha avó, Zuleida, com quem viveu por mais de 50 anos. Com a desculpa de me levar ao Maracanã, ou ao cinema, nos transitávamos, discretamente, na Tribuna Especial do Hipódromo da Gávea. Ele morreu do coração e só eu, que ele carinhosamente chamava de Paulinho, o seu neto preferido, soube, um dia, da sua paixão turfística. Na verdade, aquele neto, que ele conversava por horas seguidas na sala do seu apartamento, era o álibi perfeito, para voos mais altos. Quando era preciso, as escondidas, pegar o ônibus da Viação Cometa, e ir até Cidade Jardim para ver o Derby Paulista ou o GP São Paulo. Ao seu lado, eu vi Grimaldi, levantar o Grande Prêmio São Paulo, montado pelo lendário Juvenal Machado da Silva. Fã incondicional do piloto alagoano, ele não quis perder esta oportunidade. Meu querido avô Moacir. Que saudade!

Puro-sangue melhor apresentado

Numa semana bastante proveitosa, Dulcino Guignoni brilhou nas apresentações de Kali Mah, do Stud Embalagem, Olympic Kremlin, do Stud H & R, Isla Formentera, do Stud Globo, e Justice Force, do Stud H & R. Destaco a beleza e desenvoltura do galope de apresentação, Isla Formentera. Um privilégio para quem milita no turfe ver um profissional com tamanha experiência, sucesso e tantas glórias conquistadas, se manter motivado, competente e tão preparado para competir em alto nível sempre.

Joqueada da Semana

O aprendiz W. Pereira pareceu um veterano no dorso de Honest Boy, do simpático Stud Gata da Serra, e treinamento de Jairo Borges. Acompanhou de perto os dois jóqueis que brigam pelo topo da estatística, Bruno Queiroz, no dorso de Quick Draw, e Leandro Henrique, com Valdez. Manteve o seu pilotado colado à cerca interna. Na entrada da reta, ao perceber que Quick Draw saiu um pouco da cerca, fez partida mais cedo do que o esperado, e num movimento para lá de ousado, passou por dentro do atual líder do ranking, para vencer linda carreira. Boa posição, coragem e ousadia, fatores imprescindíveis na profissão. Começa a amadurecer. Só precisa caprichar mais nos páreos de grama. Esta raia é mais difícil de correr no início de carreira. Menção honrosa para Victória Mota, no dorso de Justice Force. Estava com a joqueada nas mãos até o penúltimo páreo. Mas, aí, o garoto W. Pereira exagerou. Fez gol de placa.

Personagem

O venezuelano, Sonny Leon, no dorso de azarão Rich Strike, cotado a 80 por 1, calou o Hipódromo de Churchill Downs, com a presença de mais de 150 mil turfistas, segundo os comentaristas da ESPN. Não se intimidou com a presença dos melhores jóqueis do mundo, ao seu lado, na prova. Saiu na última baliza, encostou o seu cavalo, aos poucos, se aproximou de alguns dos mais cotados. Nos instantes finais da tradicional prova, ao perceber que o milagre poderia acontecer, não pensou duas vezes. Dominou dois dos melhores jóqueis do mundo, numa mesma tacada, Joel Rosário e Flavien Prat. O desconhecido cavalo Rich Strike, que recentemente havia corrido um claiming, derrotou Epicenter e Zandon, dois dos melhores potros de 3 anos dos Estados Unidos. Que momento mágico! (Raia Leve – Páreo Corrido, por Paulo Gama)

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