Cigarros e bets irregulares serão alvo de operações contra facções, diz fonte

O governo federal está em fase final de preparação de operações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As ações terão como alvo o mercado ilegal de cigarros e as bets irregulares que operam no país. O objetivo é asfixiar financeiramente as duas maiores facções criminosas do Brasil. Uma fonte com conhecimento direto do assunto confirmou a informação.
As autoridades brasileiras identificaram que as organizações criminosas utilizam instituições financeiras de menor porte e fintechs para lavagem de dinheiro, segundo informações do VALOR com Reuters. A cadeia financeira inclui recursos obtidos com o contrabando e venda irregular de cigarros, além de bets irregulares que continuam funcionando após a regulamentação do setor.
“A qualquer momento essas operações podem acontecer”, afirmou a fonte, que pediu anonimato porque as discussões não são públicas. Não há definição exata de quando as ações serão deflagradas devido à necessidade de coordenação com autoridades policiais, Ministério Público e Judiciário.
As novas operações representam a continuidade da estratégia governamental de combate ao financiamento das facções. Essa linha de ação não será alterada após os Estados Unidos terem designado o PCC e o CV como organizações terroristas internacionais. A decisão americana foi anunciada na semana passada e passa a valer a partir de 5 de junho.
A avaliação no governo é que o uso pelo crime organizado do setor de combustíveis está “muito bem diagnosticado” após a operação Carbono Oculto. Relatórios dessa operação foram encaminhados aos Estados Unidos com pedido de cooperação.
O anúncio da designação como organizações terroristas ocorreu depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir em Washington com Trump e outras autoridades americanas. Bolsonaro afirmou que pediu a classificação das duas facções como terroristas.
As operações serão realizadas em território nacional. As ações também afetarão empresas e instituições financeiras envolvidas nas cadeias de lavagem de dinheiro. A fonte ressaltou que a maior preocupação setorial do governo é com as instituições financeiras, que seriam mais suscetíveis a sanções dos Estados Unidos.
Bancos de maior porte estão revisando suas políticas e fazendo contatos jurídicos para análise de riscos relacionados às sanções americanas. O governo já analisa medidas de proteção à economia e a setores específicos caso sejam necessárias.
O governo segue em negociação tarifária com os Estados Unidos. Os americanos têm demandado uma redução ampla de Imposto de Importação do lado brasileiro. O governo rejeita essa ideia, que demandaria um corte de tarifa para todos os países, não só os EUA, abrindo o mercado brasileiro também para a China. A negociação deve ter foco em áreas específicas.
A fonte disse que o governo já analisa medidas de proteção à economia ao avaliar que há risco de uso político pelos Estados Unidos de instrumentos como as tarifas e as sanções relacionadas ao crime organizado. Está no radar um plano para contestação por vias diplomáticas, com acionamento de organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC).


