Colunistas do UOL criticam possível proibição de bets por MP: “Demagogia barata”

O colunista Alexandre Borges classificou como “demagogia barata e muito complicada” a possibilidade de o governo federal proibir as bets no Brasil por meio de medida provisória. A declaração foi feita nesta quinta-feira (24/9) no UOL News, 2ª edição, do Canal UOL.
A sinalização de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar uma MP para acabar com as apostas esportivas online desencadeou o debate no programa. A medida foi descrita como drástica e com implementação prevista para as próximas semanas.
“Incomoda-me muito essa medida. É uma demagogia barata e muito complicada. Primeiro, qual é a questão de princípio? É proibir tudo que causa vício? No Brasil, permite-se venda de bebida alcoólica, de cigarro e de um monte de coisa que vicia. E essas coisas não são banidas, não são proibidas”, disse Borges.
O colunista apontou contradição entre a eventual proibição das bets e a permissão para outras atividades que podem gerar dependência. Para ele, o debate precisa deixar claro qual critério define o que é proibido e o que é apenas regulado.
Borges também questionou a coexistência de apostas privadas e jogos administrados pelo Estado. “No Brasil, existe a Mega-Sena e outras loterias, com o Estado explorando o jogo. Então também é uma coisa complicada. Eu sei que não são coisas iguais, mas num argumento maior sobre jogo de azar, por que o jogo estatal é mais moral do que o privado?”, afirmou.
Crítica à velocidade da mudança
O colunista reconheceu que o setor de bets opera sem controle adequado e concordou com medidas de regulação e aumento de impostos. No entanto, criticou a velocidade de uma virada para a proibição total.
“O mercado de bet tem impactos muito perniciosos na vida dos brasileiros, está um faroeste e precisava de mais controle, sim. Precisava de mais impostos, sim. Agora, de uma hora pra outra, de estar tudo certo para, numa canetada, proibir geral e criar uma situação como a lei seca americana de cem anos atrás, que basicamente criou a máfia, talvez sirva mais pra demagogia do que para um impacto social positivo”, disse.
Borges levantou ainda a hipótese de a MP ser lançada já com a expectativa de ser derrubada pelo Congresso, o que permitiria ao governo sustentar uma narrativa política favorável.
Timing eleitoral em debate
A colunista Tatiana Farah, também do UOL, afirmou que a campanha de Lula preferia que a decisão sobre as bets fosse anunciada mais adiante. “No começo, a campanha do Lula estava querendo mais que ele continuasse falando e que essa decisão fosse tomada um pouco mais adiante, porque ela também suscitará muitas críticas. Se você proibir, como vai se combater o cassino ilegal?”, declarou Farah.
O cientista político Cláudio Couto avaliou que a proposta chega em momento inconveniente. “A medida me parece ter um timing um tanto quanto estranho, porque é muito em cima do momento eleitoral. Essa é uma discussão que até mesmo no âmbito da campanha do presidente Lula já se fazia há bastante tempo, de que era necessário haver uma proposta forte em relação às bets, talvez pelo menos proibindo a publicidade e tudo mais, e muito na antevéspera da eleição chega essa proposta para a proibição total”, disse Couto.


