Comerciante de SP acumula R$ 160 mil em dívidas com apostas em sites ilegais

Apostas I 15.05.26

Por: Magno José

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Comerciante de SP acumula R$ 160 mil em dívidas com apostas em sites ilegais
José Francisco Manssur, advogado e ex-assessor especial do Ministério da Fazenda informou na reportagem que o governo federal obrigou as bets legalizadas a criarem mecanismos de controle sobre o apostador

Uma comerciante de São Paulo acumulou R$ 160 mil em dívidas após apostar em plataformas clandestinas de jogos online. O caso ocorreu durante a expansão do mercado de apostas digitais no Brasil, que movimentou cerca de R$ 37 bilhões no ano passado.

Conforme reportagem do Fala Brasil da Record, a mulher, que prefere não se identificar, perdeu todas as economias da família em sites não regulamentados que operam sem pagar impostos. “Eu fui atrás de agiota, eu vendi as coisas que eu tinha, conquistado com muito trabalho. E quando eu vi, eu estava no fundo do poço”, relatou a apostadora endividada. Outro caso ganhou repercussão nas redes sociais quando a cearense Assíria Macedo compartilhou sua experiência após perder todos os recursos financeiros e precisar vender os móveis da residência para quitar as dívidas contraídas com jogos.

“Eu vi muita gente ganhando dinheiro, então se isso aqui está dando certo, vai dar certo pra mim também. E deu. No começo deu. 10 mil, 15 mil reais, ganhos altíssimos, onde cada vez mais eu me afundava e não estava percebendo”, contou Assíria Macedo, que hoje está internada para tratar o abalo na saúde emocional.

Riscos das plataformas ilegais

O Brasil é o quinto maior mercado global de apostas. O país tem aproximadamente 28 milhões de apostadores ativos, o que representa cerca de 12% da população nacional. O setor contribuiu com mais de R$ 9 bilhões em impostos no ano anterior. No entanto, as bets ilegais representam um risco muito maior aos apostadores, pois não pagam impostos e podem servir a crimes como lavagem de dinheiro, além de não possuírem mecanismos para evitar as apostas compulsivas.

Atualmente, 188 sites legalizados operam no país. Essas plataformas regulamentadas podem ser identificadas pelo domínio .bet.br, o que significa que o site tem sede no Brasil e está sujeito à legislação brasileira, sendo fiscalizado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

O endividamento severo dos apostadores está relacionado à ausência de regulamentação adequada nas plataformas clandestinas. Essas empresas ilegais não recolhem impostos. A falta de controle sobre essas operações expõe os usuários a riscos financeiros. Além disso, dificulta a proteção de jogadores com comportamento compulsivo.

Lavagem de dinheiro e dificuldade de fiscalização

As plataformas ilegais utilizadas pelas apostadoras operam fora do território brasileiro. Essa localização externa dificulta a fiscalização por parte das autoridades nacionais, incluindo o Banco Central e a Polícia Federal. O ramo ilegal de apostas é uma porta aberta para o crime organizado, facilitando atividades ilícitas como lavagem financeira.

“Isso uma bet legal não pode fazer, porque elas são extremamente fiscalizadas pelo Banco Central, pelo COAF, pelos sistemas do próprio Ministério da Fazenda, para evitar lavagem de dinheiro”, explicou José Francisco Manssur, advogado e ex-assessor especial do Ministério da Fazenda.

Mecanismos de proteção nas plataformas legalizadas

Para tentar barrar o aumento da ludopatia, que é o vício em jogo, o governo federal obrigou as bets legalizadas a criarem mecanismos de controle sobre o apostador. “Elas mesmas começam a enviar recados, mensagens no site, no celular do apostador, dizendo: ‘Você está se excedendo, você não quer parar pra respirar?'”, detalhou Manssur.

Também existe a possibilidade de autoexclusão centralizada. O jogador pode acessar o portal gov.br e, com um só clique, o CPF do apostador fica bloqueado em todas as plataformas autorizadas do país. Por usar um site ilegal, a comerciante paulista não teve essa oportunidade de proteção.

As famílias das apostadoras foram diretamente impactadas pelas perdas econômicas. O número de pessoas afetadas por essa prática tem aumentado no Brasil. “Só quero pagar minhas dívidas, trabalhar e criar meu filho. Só isso”, desabafou a apostadora endividada.

Assíria Macedo também espera dar a volta por cima: “Eu espero que realmente eu consiga me sair disso, eu consiga viver, eu consiga estar viva, porque eu quero ver meus filhos crescendo”.

O país enfrenta desafios significativos para combater empresas clandestinas. A proteção de jogadores viciados representa outra dificuldade para as autoridades, especialmente considerando que as plataformas ilegais não oferecem os mecanismos de controle e proteção exigidos nas bets regulamentadas e fiscalizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

 

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