Conmebol dribla proibição de bets no Brasil com sobreposição de anúncios

Apostas I 14.10.26

Por: Magno José

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Conmebol dribla proibição de bets no Brasil com sobreposição de anúncios
A tecnologia foi aplicada nesta terça-feira (13/10), durante a transmissão da ESPN e do SBT da vitória do Vasco por 1 a 0 sobre o Boca Juniors (Foto: Matheus Lima | Vasco Da Gama)

A proibição das bets no Brasil forçou a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) a reorganizar suas parcerias comerciais para manter os torneios de clubes dentro da nova legislação brasileira. A medida provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vedou a atividade e a publicidade de casas de apostas e cassinos on-line no país, entrou em vigor na semana passada.

Conforme apuração da Máquina do Esporte, a entidade que organiza a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana possui contrato com o grupo Entain desde 2023. A empresa, sediada em Douglas, capital da Ilha de Man, dependência da Coroa Britânica próxima à Irlanda, controla marcas como Sportingbet e Bwin, que eram exibidas nos painéis de LED das duas competições.

A solução para o impasse veio da tecnologia de sobreposição virtual (virtual overlays). O recurso permite que cada mercado receba imagens distintas nas transmissões oficiais. Assim, nas partidas exibidas no Brasil, as marcas de apostas são substituídas por mensagens institucionais ou anúncios de outros patrocinadores da Conmebol, como Amstel, Midea, Coca-Cola, DHL, EA Sports, TCL, Mercado Livre, Rexona, Powerade e World.

A tecnologia foi aplicada nesta terça-feira (13/10), durante a transmissão da ESPN e do SBT da vitória do Vasco por 1 a 0 sobre o Boca Juniors. Enquanto os canais de outros países exibiam normalmente a Bwin, o público brasileiro assistiu às placas sem nenhuma publicidade de apostas. A Conmebol deve continuar usando o mecanismo nos jogos realizados em território nacional nas duas competições.

A Sportingbet, por sua vez, afirmou ao Estadão que avaliava os próximos passos do contrato com a Conmebol diante da proibição vigente no mercado brasileiro. A marca também era patrocinadora máster do Palmeiras antes da MP entrar em vigor.

Além do acordo com a Entain, a Conmebol mantém contrato institucional com a Betano até 2028, voltado a competições de seleções, como a Copa América Feminina e a Liga das Nações Feminina. Esse vínculo não envolve exposição direta nos torneios de clubes.

Bets em uniformes de clubes estrangeiros

A MP não eliminou por completo a presença das bets nas transmissões dos torneios da Conmebol no Brasil. O Boca Juniors é patrocinado pela Betsson, cujo escudo apareceu normalmente no espaço principal da camisa do clube argentino durante a partida desta terça-feira (13/10).

Para o jogo de volta das quartas de final da Copa Sul-Americana, marcado para o dia 20 de outubro, a tendência é que o time de Buenos Aires mantenha o uniforme com a logomarca da Betsson, salvo interpretação divergente das autoridades brasileiras. O contrato entre o Boca Juniors e a Betsson é um acordo internacional de direito privado firmado na Argentina, onde a marca é legalizada e adquiriu regularmente propriedades comerciais do clube.

A legislação brasileira não tem, em tese, alcance extraterritorial para exigir a rescisão ou alteração de contratos de um clube estrangeiro. A Conmebol garante que as equipes mantenham seus uniformes regulamentados em solo internacional; no entendimento vigente, o time visitante não promove nem comercializa diretamente plataformas de apostas ao público brasileiro, apenas cumpre contrapartida comercial assumida em seu país de origem.

O Montevideo City, adversário do Atlético-MG nesta quarta-feira (14/10) pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, também é parceiro da Betsson, mas seu acordo com a casa de apostas é regional e abrange principalmente ações institucionais e ativações digitais. Por isso, o clube uruguaio não deve colocar à prova as interpretações jurídicas sobre o assunto.

Já o Estudiantes, que enfrenta o Flamengo pela semifinal da Copa Libertadores nesta quinta-feira (15/10), teve a Bplay como patrocinadora máster, mas o contrato foi encerrado. O principal espaço da camisa do clube de La Plata é ocupado atualmente pelo Banco Supervielle.

Precedente da Fórmula 1

A situação remete ao que ocorreu com a Fórmula 1 a partir de 2000, quando passou a vigorar no Brasil a lei que proibia a propaganda de cigarros. Para que as corridas continuassem a ser realizadas no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), as equipes precisaram limpar os carros ou camuflar as marcas de tabaco, que eram suas principais patrocinadoras na época.

A partir de 2006, por determinação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), a publicidade de cigarros foi banida mundialmente do esporte. O episódio demonstrou que times internacionais com contratos firmados no exterior nem sempre ficam isentos de se adaptar às normas locais.

 

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