Daniella Marques toma posse como presidente da Caixa e defende banco alinhado com as mulheres

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um discurso de valorização das mulheres na cerimônia de posse da nova presidente da Caixa, Daniella Marques. O banco está no centro de uma crise após as denúncias de assédio sexual e moral ao ex-presidente Pedro Guimarães, que era muito próximo do presidente Jair Bolsonaro.
“A força secreta (do governo) são as mulheres. Quero homenagear as mulheres que têm feito um trabalho espetacular (no governo). As mulheres têm que ser protegidas do ponto de vista pessoal para desenvolverem suas potencialidades”, disse o ministro.
Ele citou nominalmente algumas mulheres que fizeram ou fazem parte do governo, como Martha Seiller, que liderou o PPI e hoje está no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Solange Vieira, ex-superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Guedes ainda elogiou a nova presidente, que é seu braço direito desde quando os dois eram da iniciativa privada. Daniella está no governo desde 2019 e, antes de ser nomeada presidente da Caixa, estava no cargo de secretária de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia.
“Daniella Marques é uma guerreira, forte, competente, trabalhadora, leal; é o que vocês querem. Todo mundo gosta da Daniella Marques, o presidente adora. Eu só apanho.”
O ministro também comentou que o governo encontrou sua base no Congresso, “que é eficiente e trabalha bem”, disse citando, por exemplo, o senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do governo no Senado.
O presidente Jair Bolsonaro discursou na cerimônia de posse, mas evitou citar Guimarães ou as acusações de assédio. No entanto, frisou que “não começa nova era” na Caixa, mas uma gestão de continuidade. Ele elogiou a competência de Daniella emendando que “não precisa colocar cota para mulher”.
A cerimônia de posse na Caixa foi fechada à imprensa.
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Aliado próximo de Jair Bolsonaro, Guimarães se demitiu do cargo na semana passada, após a revelação de que o MPF está investigando em sigilo uma série de denúncias de assédio sexual e moral feitas por funcionárias da Caixa contra ele.
Desde a saída do executivo, já foram desligados seis funcionários, além de dois vice-presidentes que renunciaram aos seus cargos. Segundo Daniella, a troca das vice-presidências obedecerá às regras de governança do banco, que exige realização de processo seletivo por empresa especializada.
A nova presidente da Caixa afirmou ainda que vai reestruturar o canal de denúncias do banco estatal, ligado à vice-presidência de Risco, e a Corregedoria, que responde diretamente à presidência.
Segundo relatos de testemunhas ouvidas pelo MPF, essa estrutura favoreceu o acobertamento das denúncias de assédio sexual contra Guimarães.


