Empresário é preso em SP por esquema de apostas ilegais e estelionato

A Polícia Civil prendeu Alberth Cesar Janjon, proprietário da plataforma da On-Line Games Diversoes e Entretenimento LTDA que operou plataformas como a Brabet e Nu Trade e encontra-se atualmente inativa desde 2024, na manhã desta quinta-feira (21/5). A detenção aconteceu em um apartamento no bairro Nova Campinas, em Campinas (SP). A prisão integra a Operação “Jogo Sujo”, que investiga organização criminosa envolvida com jogos de azar e apostas ilegais em plataformas digitais. Atualmente, a Brabet.com é operada pela Five-Tech Games Ltda com autorização da Loteria do Estado da Paraíba – LOTEP.
As autoridades cumpriram mandado de prisão preventiva contra o empresário, que deve responder por crimes como associação criminosa e estelionato. Segundo informações do g1, Janjon seria um dos integrantes do esquema e atuaria como administrador da estrutura ligada às plataformas investigadas. Durante a ação, a polícia apreendeu relógios de luxo, uma bolsa de luxo, celulares, cartões bancários e um notebook. Dois veículos que estavam na residência também foram levados. Ao todo, foram apreendidos dois veículos de luxo avaliados em mais de R$ 1 milhão, além de mais de 10 relógios de grife. Um dos relógios apreendidos teria valor aproximado de R$ 1 milhão.
A operação visa desarticular rede criminosa que atua em diferentes estados do país. As investigações, que começaram a partir de apurações da Polícia Civil do Ceará, identificaram uma suposta rede criminosa com atuação em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Ceará e Bahia. As investigações apontam esquema envolvendo múltiplas pessoas em diversas regiões brasileiras.
O delegado Sandro Jonasson, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, afirmou que o investigado mantinha um padrão de vida elevado sem apresentar uma origem financeira considerada compatível. “Esse cidadão ostentava um padrão de vida elevadíssimo, sem uma renda estabelecida, sem uma procedência financeira crível”, afirmou.
Segundo a polícia, o grupo utilizaria blogueiros e influenciadores digitais para atrair pessoas às plataformas. Os influenciadores indicavam, recomendavam e davam credibilidade aos jogos apresentados aos seguidores. Ainda conforme a investigação, um dos influenciadores envolvidos possuía mais de 3 milhões de seguidores. A polícia ainda apura a forma de remuneração dessas divulgações, se por pagamentos fixos ou por comissão baseada na captação de usuários.
A polícia também informou que o principal líder da organização teria tentado deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, mas acabou tendo o visto cancelado e foi preso ao retornar ao país pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A Polícia Civil dará continuidade às apurações para identificar outros possíveis participantes da organização. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e dimensionar o alcance financeiro do esquema. A Polícia Civil afirma que os prejuízos provocados pelo grupo podem chegar a dezenas de milhões de reais. O caso tramitará na Justiça, onde será analisada a manutenção da prisão preventiva.
CPI das Bets
Além da prisão, Janjon já havia aparecido no radar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets no Senado. Em dezembro de 2024, a senadora Soraya Thronicke (PSB) apresentou requerimento para convocá-lo como testemunha da comissão, citando o nome dele como proprietário da Brabet naquela época e sócio-administrador da empresa Zils Transfer Games Participações Societárias Ltda.
Na justificativa do requerimento, a senadora argumentou que a convocação era necessária diante de denúncias relacionadas às empresas administradas por Janjon e para esclarecer “eventuais irregularidades e suas possíveis implicações no mercado de apostas online e no orçamento das famílias brasileiras”.
O que diz a defesa
A defesa de Alberth Cesar Janjon divulgou nota classificando a prisão como “totalmente inadequada e desproporcional”. Os advogados informaram que o processo tem origem no interior do Ceará e apura supostos pagamentos a influenciadores para divulgação de plataformas de jogos de azar.
Segundo a nota, “A defesa informa que se trata de um processo oriundo do interior do Ceará, que apura supostos pagamentos realizados a influenciadores para divulgação de plataformas conhecidas como “Jogo do Tigrinho” e outros jogos de azar. O investigado foi indevidamente vinculado a essas pessoas, embora já atuasse no segmento de apostas esportivas dentro das normas atualmente exigidas pela legislação brasileira. Além disso, os fatos mencionados são antigos e já são objeto de apuração em outro processo em andamento.”
A defesa argumenta ainda que em outro procedimento sobre os mesmos fatos não houve decretação de prisão preventiva. Os advogados sustentam que isso demonstra ausência de requisitos legais para a medida.
“Inclusive, nesse outro procedimento, sequer houve decretação de prisão preventiva pelo juízo competente, o que demonstra a ausência dos requisitos legais para a medida extrema agora imposta. Assim, observa-se uma duplicidade investigativa sobre fatos substancialmente semelhantes, já analisados em outro contexto processual”, afirma a nota.
Os advogados destacam que o empresário possui residência fixa e atividade lícita conhecida. A defesa apresentou comprovação da origem e aquisição dos bens apreendidos.
“Diante disso, a defesa entende que a prisão preventiva mostra-se totalmente inadequada e desproporcional. O investigado é empresário, possui residência fixa, atividade lícita conhecida e apresentou comprovação da origem e aquisição dos bens apreendidos”, declara o texto.
A defesa afirma ainda que parte dos bens apreendidos não pertence ao investigado. “Ressalte-se, ainda, que parte dos bens levados pela polícia — entre eles, dois veículos localizados na residência — sequer pertencem ao investigado, circunstância que teria sido ignorada durante o cumprimento das medidas de apreensão”, conclui a nota.
As autoridades não divulgaram informações sobre quantas pessoas estão sendo investigadas. Também não há informação sobre outros mandados de prisão a serem cumpridos.
O que diz a defesa
“A defesa informa que se trata de um processo oriundo do interior do Ceará, que apura supostos pagamentos realizados a influenciadores para divulgação de plataformas conhecidas como “Jogo do Tigrinho” e outros jogos de azar.
O investigado foi indevidamente vinculado a essas pessoas, embora já atuasse no segmento de apostas esportivas dentro das normas atualmente exigidas pela legislação brasileira. Além disso, os fatos mencionados são antigos e já são objeto de apuração em outro processo em andamento.
Inclusive, nesse outro procedimento, sequer houve decretação de prisão preventiva pelo juízo competente, o que demonstra a ausência dos requisitos legais para a medida extrema agora imposta. Assim, observa-se uma duplicidade investigativa sobre fatos substancialmente semelhantes, já analisados em outro contexto processual.
Diante disso, a defesa entende que a prisão preventiva mostra-se totalmente inadequada e desproporcional. O investigado é empresário, possui residência fixa, atividade lícita conhecida e apresentou comprovação da origem e aquisição dos bens apreendidos.
Ressalte-se, ainda, que parte dos bens levados pela polícia — entre eles, dois veículos localizados na residência — sequer pertencem ao investigado, circunstância que teria sido ignorada durante o cumprimento das medidas de apreensão.”

Nota da BB Gaming Ltda
A BB Gaming Ltda., detentora do registro da marca Brabet perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), esclarece que não mantém qualquer vínculo societário, comercial ou operacional com o sr. Alberth Cesar Janjon e refuta categoricamente as informações de que ele seja proprietário da empresa.
Constatamos ainda que o sr. Alberth foi sócio da empresa ON-LINE GAMES DIVERSÕES E ENTRETENIMENTO LTDA. e que esta usava indevidamente o nome de fantasia BRABET em seu CNPJ, que está inativo desde 09/10/2024.


