Entain pede ao regulador inglês proibição de acordos com casas de apostas ilegais

Apostas I 16.05.26

Por: Magno José

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Proibição de patrocínios de casas de apostas acende sinal de alerta entre clubes de futebol ingleses
Proprietária da Ladbrokes solicita ao IFR vetar patrocínios de operadoras sem licença no Reino Unido após 18 dos 20 clubes da Premier League exibirem publicidade ilegal

A Entain, proprietária das operadoras Ladbrokes e Coral, formalizou pedido ao Regulador Independente do Futebol Inglês (IFR) para vetar acordos comerciais entre clubes da Premier League e casas de apostas sem licença no Reino Unido. A informação foi divulgada pelo jornal britânico The Guardian nesta quinta-feira (15/5).

A solicitação ocorre após a liga ter determinado o fim dos patrocínios master de operadoras de apostas na parte frontal das camisas a partir da temporada 2026/27. A medida voluntária dos clubes responde ao aumento das taxas de jogo problemático entre jovens no Reino Unido, especificamente homens. A exclusão da publicidade de apostas na frente das camisas visa reduzir a exposição da indústria de jogos no esporte mais popular da Inglaterra.

Exposição de operadoras ilegais durante partidas da Premier League

A Entain identificou que 18 dos 20 clubes da liga inglesa exibiram publicidade de operadoras sem licença durante a última temporada. A exposição acontece por meio de placas de LED, campanhas digitais, ativações promocionais e outros ativos comerciais utilizados durante as partidas.

As transmissões voltadas ao público internacional são os principais canais de divulgação dessas empresas. Everton, Sunderland, Fulham, Bournemouth e Burnley foram citados em reportagens da imprensa inglesa como clubes que mantêm acordos com operadoras não licenciadas. Entre as plataformas de apostas sem licença da UK Gambling Commission que possuem exposição na Premier League estão Stake (Everton), W88 (Sunderland), SBOTOP (Fulham), bj88 (Bournemouth) e 96.com (Burnley).

A CEO da Entain, Stella David, declarou que “os clubes da Premier League estão sendo patrocinados por empresas de apostas ilegais”. A executiva aumentou a pressão sobre a liga e o governo britânico para endurecer a regulamentação do setor. “O Regulador Independente do Futebol pode parar isso amanhã simplesmente reconhecendo que empresas de apostas não licenciadas que visam clientes do Reino Unido através do futebol inglês estão violando a lei – simples assim”, escreveu David.

Pedido baseado em regras existentes sobre conduta criminal

Esta semana, o Regulador Independente do Futebol divulgou sua Segunda Consulta sobre o Regime de Licenciamento. Em resposta, a Entain submeteu depoimento solicitando ao IFR que proíba todos os patrocínios de entidades de apostas que não sejam licenciadas no Reino Unido.

As regras atuais do IFR já proíbem clubes de aceitar receitas “conectadas a conduta criminosa grave”. David sugere que o regulador repense o que define conduta criminal para incluir empresas de apostas não licenciadas. “O regulador não precisa de novos poderes, nova legislação ou mesmo uma nova regra para fazer isso acontecer. Estamos pedindo ao regulador que defina e aplique isso antes do início da próxima temporada. O IFR foi criado para corrigir as falhas de governança do futebol inglês. Esta é uma delas”, concluiu David.

A Ladbrokes da Entain é a parceira oficial de apostas do Liverpool. A Coral não está associada a nenhum clube da Premier League, embora anuncie intensamente dentro e ao redor da liga, concentrando predominantemente seus esforços nas corridas de cavalos do Reino Unido.

Mercado ilegal movimenta bilhões no Reino Unido

O Betting and Gaming Council aponta que o setor ilegal de apostas movimenta cerca de £ 4,3 bilhões por ano no Reino Unido, equivalente a aproximadamente R$ 31,3 bilhões. Projeções da H2 Gambling Capital indicam que esse mercado pode alcançar £ 17 bilhões nos próximos anos, cerca de R$ 123,7 bilhões.

Empresas não licenciadas operam fora das regras do Reino Unido. Essas operadoras não seguem exigências de proteção ao consumidor, combate à fraude e prevenção ao vício em jogos.

O avanço dessas plataformas aumenta o temor de golpes, lavagem de dinheiro e possíveis casos de manipulação de resultados no futebol inglês. As autoridades inglesas demonstram preocupação com o impacto dessas operações ilegais no esporte.

Futebol como principal canal de aquisição de clientes

David afirma que operadores de jogos do mercado negro dependem fortemente do futebol para aquisição de clientes. Sua submissão à Entain argumenta que o esporte é “um dos canais de aquisição mais eficazes do mercado negro”.

Pesquisa independente encomendada pelo Betting and Gaming Council (BGC) do Reino Unido prevê que patrocínios de empresas de apostas não licenciadas representarão mais da metade de todos os patrocínios em esportes do Reino Unido até o final de 2027. O estudo concluiu que empresas de apostas não licenciadas estão prontas para triplicar seus gastos com publicidade no próximo ano em comparação com seus níveis de 2019.

Em fevereiro, o BGC pediu ao governo do Reino Unido que ampliasse uma possível proibição de publicidade de operadores de apostas não licenciados no futebol para todos os esportes, como forma de proteger tanto os consumidores quanto o mercado regulamentado.

Clubes poderão manter acordos em outras propriedades comerciais

A partir da temporada 2026/27, os clubes seguirão autorizados a explorar acordos com casas de apostas em propriedades como mangas dos uniformes, kits de treino, publicidade digital e naming rights. A proibição se restringe aos patrocínios master na parte frontal das camisas. Os torcedores ainda verão logotipos de apostas migrados para as mangas e em sinalização digital nos estádios.

A Premier League permanece em posição delicada. Os clubes dependem de receitas milionárias vindas do mercado de apostas. A pressão política e regulatória para limitar a presença dessas empresas no futebol inglês cresce.

A decisão do Regulador Independente do Futebol Inglês sobre o pedido da Entain ainda não foi divulgada. As medidas específicas que poderão ser adotadas pelo governo britânico para endurecer a regulamentação do setor também permanecem indefinidas.

 


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