Especialistas debatem patrocínios de clubes de futebol

O diretor-presidente da Pequi Consultoria de Regulação e Negócios e ex-assessor da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, Marcelo Damato afirmou a onda intensa de patrocínios aumenta os custos dos clubes, de forma que, ao fim das parcerias, essa elevação de despesas culmine em dívidas. A declaração foi feita nesta quarta-feira (13) durante o São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap.
O evento segue até sexta-feira (15) e reúne mais de 2 mil palestrantes brasileiros e estrangeiros de áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia. Damato participou de debate ao lado de Bernardo Cavalcanti Freire, sócio da Betlaw, e Alvaro Garcia, CMO da Flutter Brazil. O painel discutiu os efeitos da regulamentação das bets sobre os patrocínios esportivos, conforme reportagem do Estadão.
O especialista explicou que a fase de apoios financeiros intensos do setor passou. A regulamentação das casas de apostas, ainda em processo de aprimoramento, limitou o funcionamento dessas empresas e impactou diretamente os valores recebidos pelos times.
“Houve booms de patrocínio. Quando esse boom cai, as dívidas explodem”, disse Damato, pontuando que, nesses dois clubes, esse processo começou antes mesmo do fim do patrocínio.
Segundo o ex-assessor da SPA, a onda intensa de patrocínios eleva os custos operacionais dos clubes. O aumento de despesas se transforma em endividamento quando essas parcerias terminam. O processo de endividamento em alguns times começou antes mesmo do fim dos contratos de patrocínio.
A regulamentação das casas de apostas provocou mudanças no mercado. Parte das bets decidiu não entrar no mercado legal após a implementação das novas regras.
Garcia da Flutter Brasil prevê amadurecimento do mercado de bets no contexto do futebol. “As decisões vão ser muito mais racionais – essa proposta, esse time, esse clube. A gente vai normalizar as relações do mercado de bets em um processo normal de amadurecimento”, afirmou.
Os especialistas preveem a concretização do chamado “êxodo das bets“. A regulamentação torna o Brasil menos propício para a proliferação de empresas do segmento.
“A médio e longo prazo, as bets consolidadas devem ficar, mas a cauda longa deve sair. A gente trabalha para que o mercado seja enxergado como mercado de entretenimento”, afirmou Alvaro Garcia.
O Projeto de Lei 3563/2024 está em pauta e discute a proibição de publicidade das bets. O objetivo é combater o vício e o endividamento familiar, restringindo anúncios em mídia física, digital e patrocínios.
Bernardo Freire Cavalcanti defendeu que a conscientização é melhor do que a proibição de publicidade. “A gente consegue criar esse denominador comum com essa publicidade voltada ao consumidor. Tem de entender que estamos explicando os ricos, explicando a ludopatia, buscando os dados de banco para identificar dívidas. É melhor termos uma atuação conjunta para termos um ecossistema mais saudável”, afirmou.
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.


