Fifa nega conflito na CazéTV e aprova modelo de transmissão inovador

Apostas I 29.06.26

Por: Magno José

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Fifa nega conflito na CazéTV e aprova modelo de transmissão inovador
Diretor de Negócios da Fifa, Romy Gai defende parceria com a LiveMode e destaca alcance com novos públicos no Brasil

A Fifa afirmou não enxergar conflito de interesses na relação entre a CazéTV e a LiveMode, empresa detentora dos direitos de transmissão da Copa do Mundo 2026 no Brasil. A declaração foi feita pelo diretor executivo de Negócios da entidade, Romy Gai, em entrevista exclusiva ao Estadão.

A CazéTV foi a única emissora a transmitir todos os jogos do torneio para o público brasileiro. A plataforma pertence à LiveMode, companhia que adquiriu os direitos de transmissão do Mundial na América do Norte para o território nacional desde 2022.

“A LiveMode adquiriu os direitos de diversas competições da Fifa desde 2022 com a clara intenção de explorar total ou parcialmente esses direitos por meio da CazéTV, e isso sempre foi totalmente transparente, realizado com o conhecimento e a aprovação da Fifa”, disse Gai, executivo italiano que integra a entidade desde aquele mesmo ano.

Modelo de negócio e parceiros

Segundo a Fifa, a LiveMode utilizou a CazéTV para alcançar públicos mais jovens, ao mesmo tempo em que sublicenciou parte dos direitos ao SBT e à NSports. A TV Globo também integrou a cobertura do torneio no Brasil.

Gai classificou o modelo como consolidado na indústria de mídia esportiva. “Dependendo da estrutura de determinado mercado, é bastante comum que um detentor de direitos mantenha parte deles para suas próprias plataformas enquanto sublicencia outros, sempre sujeito à aprovação da Fifa”, declarou.

A entidade avaliou que a parceria com a LiveMode contribuiu para alcançar seus objetivos no Brasil. Para Gai, a CazéTV trouxe “um estilo de cobertura diferenciado e inovador, que tem sido extremamente eficaz para engajar novos públicos e ampliar o alcance das nossas competições”.

Investigação e publicidade de bets

A CazéTV acumula críticas de espectadores, concorrentes, influenciadores e parlamentares. O Ministério da Justiça abriu investigação contra a empresa por suposta “publicidade abusiva” de casas de apostas esportivas em suas transmissões.

Diante das pressões, a plataforma adotou uma abordagem mais tradicional nos comerciais de bets, sem que narradores e comentaristas detalhem as odds durante as partidas. A Fifa, no entanto, disse não se envolver nessas relações comerciais. “Essas relações comerciais são uma questão dos próprios veículos de comunicação, portanto a Fifa não participa dessas negociações publicitárias”, afirmou Gai.

O executivo acrescentou que, nos acordos de patrocínio firmados diretamente pela entidade com empresas do setor de apostas, a Fifa realiza “uma ampla due diligence para garantir que estejam em conformidade com a legislação e os regulamentos aplicáveis”.

Copa de 2030 e próximos ciclos

Sobre os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2030, Gai informou que nenhum acordo foi firmado até o momento. “Ainda não decidimos como será o processo de comercialização. No momento oportuno, entraremos em contato com as partes interessadas utilizando o formato que entendermos ser o mais adequado para atingir os objetivos gerais da Fifa”, disse.

O diretor negou que alguma emissora esteja em vantagem ou tenha sido excluída do processo. Ele também esclareceu que a LiveMode não atua como agência de vendas da Fifa no Brasil; a empresa detém direitos de mídia de diversas competições da entidade no país.

Para o próximo ciclo, a Fifa não descartou trabalhar novamente com agências que negociam direitos e também transmitem jogos. “Se, em determinado mercado, concluirmos que trabalhar com uma agência é a melhor forma de alcançar esses objetivos, essa continuará sendo uma opção considerada”, afirmou Gai, citando a parceria com a Dentsu no Japão como exemplo de modelo bem-sucedido.

 

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