Filho de Popó é denunciado por aliciar jogadores para manipular resultados em apostas esportivas

Igor Freitas, filho do boxeador Popó, foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) junto com Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro por tentativa de aliciamento de jogadores para manipulação de resultados em apostas esportivas. A denúncia foi apresentada na quarta-feira (5/2), após investigações da Operação Derby, que identificou abordagens a diversos atletas, incluindo o lateral Reinaldo, do Mirassol, que recusou participar do esquema.
A investigação apontou que o trio atuava nas três principais divisões do Campeonato Brasileiro. Segundo informações do ge Globo, Igor fazia o primeiro contato com os atletas pelo Instagram e WhatsApp, apresentando-se como filho de Popó e descrevendo-se como “empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional”, “atuando em projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias”.

Após o contato inicial feito por Igor Freitas, os números dos atletas eram encaminhados para Rodrigo Rossi, que prosseguia com as negociações. Durante as conversas, Igor apresentava seu parceiro como alguém que trabalha “com mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil”.
O lateral-esquerdo Reinaldo, do Mirassol, foi um dos jogadores contatados. Em agosto de 2025, ele recebeu mensagens de Rodrigo Rossi via WhatsApp, incluindo um áudio seguido de uma mensagem de visualização única. O jogador respondeu de forma direta: “Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”.
Áudio do Promotor de Justiça Leandro Antunes Meirelles Machado

A Operação Derby começou em setembro de 2025, investigando inicialmente a oferta de R$ 15 mil feita a jogadores do Londrina para que recebessem cartões amarelos em uma partida da Série C do Campeonato Brasileiro.
As investigações revelaram que o grupo também tentou aliciar jogadores de equipes das Séries B e A. Em uma das conversas interceptadas, Raphael orientou Rodrigo a “feche os 2 do Goiás e 1 do Sport”.
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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina realizou operações em Salvador e Itapema em setembro de 2025. As ações contaram com apoio das forças de segurança da Bahia e Santa Catarina, resultando no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal.
Os três denunciados respondem pelos crimes de associação criminosa, previsto na Lei 288 do Código Penal, e corrupção em âmbito desportivo, contemplado na Lei Geral do Esporte (Lei 14.587/2023). As penas podem chegar a seis anos de reclusão, além de multa.
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O MP-PR solicitou à Justiça, além da condenação dos acusados, o pagamento de R$ 150 mil por danos morais coletivos como reparação pelos prejuízos causados à integridade do esporte.
De acordo com o documento obtido pela reportagem, existe “considerável probabilidade de que tais valores provenham de atividades ilícitas, especificamente relacionadas ao aliciamento de atletas e à manipulação de resultados, visando à obtenção de lucros em plataformas de apostas esportivas”.
As defesas dos denunciados foram procuradas, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
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