Filme “Corrida dos Bichos” no Prime Vídeo impulsiona história do jogo no cinema

Lançado nesta quarta-feira (7/8) no Prime Vídeo, o filme “Corrida dos Bichos” transformou o jogo do bicho em uma distopia futurista e rapidamente se tornou o título de língua não inglesa mais visto na plataforma no mundo. A marca foi atingida já na primeira semana após o lançamento, resultado que colocou em destaque a produção codirigida por Fernando Meirelles, diretor de “Cidade de Deus”.
A trajetória do filme retoma uma relação que o audiovisual brasileiro mantém com o universo da contravenção há mais de 70 anos. Desde 1952, filmes, novelas, séries e documentários exploram o jogo do bicho como tema central, construindo ao longo das décadas um retrato que vai do submundo carioca às esferas de poder.
Para o historiador e escritor Luiz Antônio Simas, autor de “Maldito Invento dum Baronete: Uma Breve História do Jogo do Bicho”, o fascínio do público por esse universo tem raízes profundas. “O bicho dialoga com o botequim, com a esquina, com o mundo do samba e do Carnaval. Mas também dialoga com a violência, com a segurança, com as relações entre poder público e privado”, afirmou ao G1.
Sete décadas nas telas
O mapeamento dessas produções, realizado pelo G1, reuniu 20 títulos lançados entre 1952 e 2026. A lista começa com “Amei um Bicheiro” (1952), filme em que um jovem interiorano se envolve com o jogo do bicho no Rio de Janeiro e decide mudar de vida após uma passagem pela cadeia. Em 1963, “Boca de Ouro”, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, apresentou Jece Valadão como o chefe do jogo do bicho em Madureira; o personagem ganhou nova versão em 2019, com Marcos Palmeira no papel principal e direção de Daniel Filho.
Na televisão, o tema chegou à TV Globo em 1971 com a novela “Bandeira 2”, que percorreu o submundo dos bicheiros cariocas em 179 capítulos. A emissora voltaria ao assunto em produções como “Mandala” (1987), novela das 20h em que Nuno Leal Maia interpretou o bicheiro Tony Carrado, personagem descrito pela narrativa como temido na contravenção e dominado pela paixão pela protagonista vivida por Vera Fischer.
O bicheiro mais icônico da televisão brasileira surgiu em 2004, em “Senhora do Destino”; Giovanni Improtta, interpretado por José Wilker e criado por Aguinaldo Silva a partir de um personagem literário. A popularidade foi tanta que o contraventor migrou para o cinema em 2013 e deu nome a uma série da TV Globo em 2011, “Lara com Z”, na qual Othon Bastos viveu Agenor Improtta, primo do célebre bicheiro.
Documentários e streaming
A partir dos anos 2020, o formato documental ganhou espaço no levantamento. Em 2021, o Globoplay lançou “Doutor Castor”, série de quatro episódios sobre Castor de Andrade, bicheiro ligado a crimes no Rio de Janeiro entre as décadas de 1980 e 1990 e responsável pelo crescimento do Bangu no futebol e da Mocidade Independente de Padre Miguel no carnaval. No ano seguinte, o Prime Vídeo trouxe “Lei da Selva”, também em quatro episódios, que narrou como o jogo do bicho saiu de uma loteria criada para financiar um jardim zoológico e se converteu em um grande império do crime.
Em 2023, o Globoplay exibiu “Vale o Escrito”, série documental sobre a genealogia e as guerras de poder entre as principais famílias de bicheiros do Rio de Janeiro. A produção chegou a servir de fonte de pesquisa para a atriz Isabel Teixeira, que a utilizou como estudo para interpretar a personagem Violeta, viúva de um contraventor na novela “Volta por Cima” (TV Globo, 2024). Em 2025, a Netflix entrou no tema com “Os Donos do Jogo”, suspense sobre a disputa pelo controle do jogo do bicho entre quatro famílias, identificadas como Guerra, Moraes, Fernandez e Saad.
“Corrida dos Bichos”, o título mais recente da lista, é ambientado em um Rio de Janeiro futurista em que o jogo do bicho evoluiu para uma competição de parkour de alta tecnologia com apostas milionárias; na trama, os animais são encarnados por pessoas obrigadas a correr em uma disputa mortal por um prêmio milionário.


