Golpes digitais ligados ao futebol atingem 34% dos internautas brasileiros

A provedora NordVPN divulgou levantamento mostrando que um terço dos brasileiros usuários de internet foi alvo de tentativas de fraude relacionadas ao futebol em 2024 e 2025. O percentual de 34% indica que três em cada dez internautas no país tiveram contato com algum tipo de golpe vinculado ao esporte. A expectativa é de que o problema se intensifique com a proximidade da Copa do Mundo de 2026.
O estudo identificou que as fraudes digitais exploram principalmente três áreas: apostas esportivas, venda de ingressos e comercialização de produtos falsificados. As redes sociais funcionam como principal canal de abordagem dos criminosos, conforme informações divulgadas pelo InfoMoney.
Fraudes exploram emoção e urgência dos torcedores
As tentativas de golpe prosperam ao explorar estados emocionais que comprometem a análise racional das vítimas. Adrianus Warmenhoven, especialista em cibersegurança da NordVPN, afirma: “Os golpes envolvendo futebol funcionam porque são baseados em emoção e urgência”. Quando as pessoas estão animadas com uma partida, procurando ingressos, buscando dicas de apostas ou tentando encontrar uma transmissão de última hora, elas têm muito mais chance de agir primeiro e verificar depois.
A expansão acelerada do mercado de apostas esportivas no Brasil, que movimenta bilhões de reais, criou um ambiente propício tanto para consumidores quanto para fraudadores, conforme aponta a Nord.
O problema não é recente. Durante a Copa do Mundo de 2022, 19% dos brasileiros relataram contato com golpes ligados ao futebol. O percentual atual representa crescimento expressivo em relação àquele período.
Apostas lideram modalidades de fraude
Entre os brasileiros que reportaram contato com golpes ligados ao futebol, as fraudes envolvendo apostas aparecem em primeiro lugar, citadas por 75% dos participantes. Na sequência, aparecem ingressos falsos, mencionados por 65%, e produtos esportivos falsificados, com 57%.
O levantamento identificou que 53% das vítimas relataram fraudes com falsas dicas de apostas, nas quais criminosos prometem informações privilegiadas ou ganhos garantidos mediante pagamento. Falsas ofertas de apostas foram citadas por 50% dos participantes. Promoções fraudulentas de bônus que exigiam pagamento antecipado foram mencionadas por 43%.
A pesquisa foi realizada entre 3 e 10 de novembro de 2025 pela Syno International a pedido da Nord, com 1000 pessoas de 18 a 64 anos.
Instagram e WhatsApp concentram tentativas de golpe
As fraudes ocorrem no ambiente digital brasileiro, concentrando-se em plataformas de redes sociais. O Instagram lidera como principal canal utilizado para aplicação de golpes, citado por 51% dos entrevistados. O WhatsApp aparece em segundo lugar, com 48%. O Facebook soma 35% das menções. O TikTok responde por 26%.
Os criminosos deixaram de atuar exclusivamente em ambientes marginais. Passaram a operar dentro de plataformas consolidadas, aproveitando a familiaridade dos usuários com esses canais.
Vítimas perdem entre R$ 251 e R$ 500
Do total de entrevistados, 11% afirmaram ter perdido dinheiro com golpes ligados ao esporte. Entre os brasileiros que sofreram perdas financeiras, 58% foram alvo de fraudes quatro vezes ou mais. O dado indica que pessoas já fraudadas se tornam alvos recorrentes dos criminosos.
Entre as vítimas que perderam dinheiro, as perdas mais frequentes ficaram entre R$ 251 e R$ 500. Os sentimentos predominantes no momento do golpe foram de frustração para 36% dos ouvidos. Outros 36% sentiram empolgação. O estresse foi relatado por 27%.
O analista Victor Figueiredo Oliveira exemplifica como essas fraudes funcionam. Ao tentar vender um notebook gamer por redes sociais, foi convencido por um suposto comprador a migrar a negociação para uma plataforma especializada. Ele recebeu “e-mails aparentemente oficiais” com identidade visual convincente. Acreditou que o pagamento estava retido pela plataforma e entregou o equipamento. O dinheiro nunca chegou.
O caso ilustra a lógica dessas fraudes: cria-se um “ambiente de confiança artificial” para induzir rapidez na decisão e impedir que a vítima faça verificações adicionais.
Brasileiros usam proteção digital, mas com lacunas
A pesquisa revela que 95% dos brasileiros afirmam usar algum mecanismo de segurança digital. O antivírus continua sendo a principal ferramenta, usado por 56% dos entrevistados. A autenticação em dois fatores, considerada uma das medidas mais eficazes para proteger contas, aparece em apenas 40% dos casos. Somente 44% dos entrevistados usam métodos seguros de pagamento ao fazer compras online.
Entre os participantes brasileiros, 68% responderam que evitam clicar em links suspeitos. Pouco mais da metade dos participantes da pesquisa (53%) admite evitar ofertas atraentes e generosas demais.
Especialista prevê continuidade dos golpes
Warmenhoven, da NordVPN, afirma: “A história está se repetindo. Todo grande evento de futebol traz um aumento previsível nos golpes online”.
“Na prática, trata-se da lógica clássica do golpe financeiro adaptada ao universo esportivo, com promessas de retorno rápido, senso de exclusividade e urgência artificial”.
A Nord indica que os usuários precisam saber como proteger sua vida digital e presença online. A empresa apresenta oito recomendações para proteção contra golpes online.
A primeira delas é evitar clicar em links suspeitos. A segunda orientação é evitar mensagens ou chamadas de números desconhecidos, já que elas também podem causar perdas financeiras. A terceira recomendação é fugir de ofertas que parecem boas demais para ser verdade.
A quarta orientação é ter cuidado com solicitações de informações pessoais, dinheiro e senhas. Empresas e órgãos legítimos nunca pedem dados pessoais via e-mail, mensagens de texto ou ligações telefônicas.
A quinta recomendação é usar métodos seguros de pagamento. Agentes maliciosos podem solicitar transferências bancárias, usar sites desconhecidos de pagamento ou até mesmo solicitar transações em criptomoedas, que são mais difíceis de rastrear.
A sexta orientação é usar a autenticação de dois fatores (2FA), ou multifatorial (MFA). A autenticação de dois fatores ou de multifatores limitam os riscos de perda de contas online.
A sétima recomendação é usar um gerenciador de senhas. Usar senhas diferentes para contas diferentes é um dos melhores jeitos de manter credenciais em segurança. Os gerenciadores de senhas permitem o armazenamento seguro de todas as senhas em um só lugar. Alguns deles também vêm com geradores de senhas.
A oitava orientação é o uso de uma VPN. A Nord recomenda o uso de uma VPN porque, apesar de não conseguir proteger de todos os tipos de golpes online, ela reduz significativamente a exposição a algumas ciberameaças.


