Governo volta a atacar as bets em publicidade do Desenrola 2.0 nas mídias sociais

A Secretaria de Comunicação Social do Governo divulgou campanha publicitária sobre o programa Desenrola 2.0. O material estabelece em tom crítico que participantes do programa de renegociação de dívidas ficarão impedidos de realizar apostas em plataformas online durante um ano.
Está consolidado o método e a estratégia do núcleo político da campanha pela reeleição do Presidente Lula, orientado pelo Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social) e suas pesquisas de opinião, trackings (monitoramento contínuo) e análises de redes sociais estão norteando a estratégia de demonizar as bets e criar a narrativa que as plataformas de apostas esportivas são responsáveis pelo aumento do endividamento da população brasileira.
As peças publicitárias foram distribuídas no Instagram, X e Linkedin. Uma das mensagens veiculadas afirma: “A regra é clara, viu!? O CPF que aderir ao Novo Desenrola Brasil não poderá fazer apostas em bets por um ano. É tempo de limpar o nome e investir em você e no seu recomeço! Dívida negociada, vida renovada!”
O material da campanha apresenta o seguinte conteúdo: “Combinar pastel com caldo de cana PODE! Casar queijo com goiabada PODE! Arriscar uma praia em dia de chuva PODE! Aderir ao Novo Desenrola Brasil e continuar se endividando com as BETS NÃO PODE! Quem renegociar dívidas com o Novo Desenrola Brasil ficará impedido de fazer apostas online por um ano. Procure as instituições financeiras onde possui dívidas para renegociar através do Novo Desenrola Brasil! Compartilhe!”
Pesquisa identifica cartão de crédito como prioridade no orçamento familiar
No entanto, levantamento realizado pelo Reclame Aqui junto a consumidores revelou que o cartão de crédito lidera as prioridades de pagamento no orçamento mensal das famílias brasileiras. Do total de participantes, 24% apontaram o cartão de crédito como a conta paga em primeiro lugar. Despesas com aluguel ou moradia foram mencionadas por 22% dos entrevistados.
Serviços básicos como luz, água, gás e internet foram citados por 20% dos participantes da pesquisa. A nova edição do programa de renegociação de dívidas foi lançada considerando a magnitude da situação financeira no país.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo divulgou dados sobre o endividamento das famílias brasileiras. Em março, o percentual de famílias que relataram ter dívidas a vencer atingiu 80,4%. Este índice representa o maior nível já registrado pela entidade.
Números do contradizem campanha da SECOM
O Ministério da Fazenda registrou que aproximadamente 28 milhões de brasileiros realizaram apostas em 2025. Este contingente representa 12,96% da população brasileira. Os dados da SPA-MF indicam que o tíquete médio dos apostadores alcançou R$ 122 por mês.
A LCA Consultoria Econômica desenvolveu estudo fundamentado em dados oficiais sobre os gastos da população com apostas esportivas. A pesquisa aponta que os gastos líquidos anuais com apostas esportivas correspondem a uma parcela entre 0,2% e 0,5% do consumo total das famílias brasileiras. O impacto sobre a economia nacional varia entre 0,1% e 0,3% do Produto Interno Bruto.
O estudo da LCA Consultoria Econômica realizou cálculo hipotético sobre o impacto dos gastos com apostas no endividamento total. Caso as famílias destinassem 100% de seus gastos líquidos com apostas para quitar dívidas, o endividamento total diminuiria em menos de 0,5 ponto percentual.
Endividamento é consequência do aumento da ‘bancarização’ e não das apostas nas bets
Carlos Alberto Sardenberg, comentarista da CBN, apresentou oportuna análise sobre o endividamento brasileiro nesta terça-feira (5/5). Sardenberg atribuiu o alto endividamento a uma consequência indireta da bancarização. Segundo o comentarista, a abertura das fintechs e instituições de pagamento resultou em distribuição massiva de cartões de crédito para pessoas que não tinham condições adequadas de receber aquele limite de crédito.
Para Sardenberg, o endividamento é consequência do aumento da bancarização. O comentarista questionou a fundamentação da narrativa que atribui às plataformas de apostas a responsabilidade pelo endividamento da população.
As empresas de apostas esportivas e jogos online legalizadas e fiscalizadas pelo governo registraram receita bruta de R$ 37 bilhões em 2025. Estas empresas devolveram para o governo e sociedade R$ 14,45 bilhões. Deste montante, R$ 4,5 bilhões foram destinados aos beneficiários legais previstos na Lei 14790/23.
A Receita Federal arrecadou R$ 9,95 bilhões com tributos federais incidentes sobre o setor de apostas regulamentado. Os valores recolhidos contemplam Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS/Cofins e Contribuição Previdenciária.
Restrição do Desenrola 2.0 não abrange as bets das loterias estaduais
O programa Desenrola 2.0 estabelece restrições para participantes endividados que aderirem à renegociação de dívidas. Essas pessoas ficarão impedidas de realizar apostas em plataformas regulamentadas pelo governo federal durante um ano. A medida não abrange as operações de apostas conduzidas pelas Loterias Estaduais.
A proibição imposta aos participantes do Desenrola 2.0 apresenta uma lacuna na fiscalização. Os endividados que aderirem ao programa não enfrentarão impedimentos para apostar nas plataformas das bets das Loterias Estaduais.
Especialistas apontam que a maioria dos participantes do programa Desenrola 2.0 tende a migrar para o mercado ilegal de apostas. Esse segmento não regulamentado não possui mecanismos de controle para impedir apostas de pessoas incluídas em programas sociais. A mesma situação se aplica aos beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada.
A regra é clara, viu!? 👀 🎰
— Governo do Brasil (@govbr) May 7, 2026
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