Guilherme Figueiredo rejeita acusações de endividamento e diz que proibição favoreceria crime

Apostas I 08.05.26

Por: Magno José

Compartilhe:
Guilherme Figueiredo rejeita acusações de endividamento e diz que proibição favoreceria crime
Em entrevista as Páginas Amarelas da VEJA, Country Manager da Betano afirma que bets regulamentadas representam 0,46% do consumo das famílias brasileiras, totalizando R$ 37 bi de reais em faturamento no ano passado, enquanto as ilegais movimentaram 40 bi

A Betano, maior empresa de apostas on-line do Brasil, contestou as críticas direcionadas ao setor regulamentado. Guilherme Figueiredo, Country Manager da companhia no país, afirmou que uma eventual proibição total das bets favoreceria exclusivamente organizações criminosas e golpistas. A declaração foi publicada em entrevista nas Páginas Amarelas da revista VEJA nesta sexta-feira (8/5).

O executivo rejeitou as acusações de que as empresas regulamentadas são responsáveis pelo endividamento das famílias brasileiras. Segundo ele, os dados apresentados por entidades do comércio não refletem a realidade do setor. Em entrevista às Páginas Amarelas da VEJA, Figueiredo apresentou argumentos detalhados para defender a posição da empresa e do mercado regulamentado de apostas no país.

Consumo das famílias e participação das apostas

Figueiredo apresentou números para contestar as críticas. O consumo das famílias brasileiras totalizou 8,2 trilhões de reais no ano anterior. As bets regulamentadas faturaram 37 bilhões de reais, representando 0,46% desse total. O valor é inferior aos 69 bilhões de reais que os brasileiros destinaram a serviços de streaming. O gasto médio por apostador é de 122 reais mensais.

O executivo questionou a metodologia utilizada para avaliar o impacto das apostas no orçamento familiar. A análise deve considerar não apenas os depósitos realizados nos sites, mas também os saques efetuados pelos apostadores. Quando uma pessoa ganha, ela retira o prêmio e utiliza o dinheiro para outras finalidades.

A Confederação Nacional do Comércio divulgou que as bets retiraram 148 bilhões de reais do consumo. Figueiredo classificou esses dados como errados. O executivo questionou como esse valor seria possível se o próprio governo registra faturamento de 37 bilhões de reais.

O principal executivo da Betano no Brasil atribuiu o endividamento das famílias aos juros elevados do crédito rotativo. “O grande culpado pelo endividamento das famílias brasileiras são os juros altos cobrados pelo crédito rotativo. Os brasileiros pagaram 689 bilhões de reais no ano passado”, afirmou.

Programa governamental e restrições a apostadores

O governo lançou o Desenrola 2.0 nesta semana. O programa proíbe que beneficiados façam apostas on-line durante um ano. Figueiredo considera que a medida adequada seria limitar o valor das apostas e adotar medidas educativas de jogo responsável. O executivo alertou que o bloqueio levará as pessoas a apostarem em sites ilegais.

No mercado regulado, a pessoa seria monitorada. As informações ajudariam o governo a tomar decisões mais fundamentadas. O executivo alertou para a necessidade de decisões responsáveis para evitar arrependimentos em 2027. Ele reforçou que as bets regulamentadas não endividam as famílias.

Aproximadamente 20% dos apostadores têm menos de 24 anos. Questionado se as bets viciam os jovens, Figueiredo argumentou que essa geração nasceu em um mundo digital onde o celular foi sua babá. Se desde cedo aprendem isso com os pais, aos 18 anos consideram natural continuar jogando on-line. O executivo vê mais como dependência em estar conectado do que em fazer apostas.

Mecanismos de controle e jogo responsável

As bets legalizadas possuem meios para identificar jogadores compulsivos. Dependendo da gravidade, a pessoa tem seu acesso limitado ou bloqueado. A legislação brasileira obriga que, ao criar uma conta no site, o consumidor informe quanto dinheiro e quanto tempo deseja gastar por dia.

O usuário recebe um alerta quando atinge 80% do limite estabelecido. Se chegar a 100%, é bloqueado. Figueiredo afirmou que é melhor ter 1 milhão de jogadores que apostam 10 reais por dia do que dez jogadores viciados gastando 1 milhão. Nenhum operador regulado deseja jogadores compulsivos, segundo ele.

Sobre a oposição de parte da população, como os evangélicos, por questões morais, Figueiredo reconheceu tratar-se de uma crença pessoal que deve ser respeitada. Mesmo assim, defendeu que quem é contra apoie o mercado regulado, pois o Brasil não voltará a um passado sem apostas.

“Nós não somos os vilões da história. Dizer que destruímos as famílias não é o caminho. É melhor destacar o jogo responsável. Se você tiver dívidas, não jogue. Se tiver problemas de compulsão, não jogue. Se bebeu, não jogue. Se perdeu dinheiro naquele dia, pare e não tente recuperá-lo. Agora, se você está bem e quer brincar, aposte com responsabilidade. É um entretenimento e não precisa ser demonizado”, declarou.

Posição do presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou há poucas semanas que a “jogatina desenfreada” não pode continuar. O presidente disse que, se depender dele, todas as bets serão fechadas. Figueiredo respondeu que se o presidente dissesse tudo isso, mas acrescentasse que o problema são os sites ilegais, ele assinaria embaixo.

Os sites ilegais incentivam a jogatina desenfreada, exageram na publicidade e permitem que menores de idade apostem, segundo o executivo. “O Brasil tem uma das melhores regulações de bets do mundo e isso é um mérito do governo Lula. É uma pena o presidente não falar disso. Até parece que tem vergonha”, afirmou.

Figueiredo considerou impossível parar com as apostas on-line. “Se isso acontecer, as organizações criminosas farão uma festa”, declarou. “As pessoas continuarão apostando. A questão é se farão em um canal legal ou em um ilegal”, completou.

Mercado ilegal e golpes

O mercado legalizado faturou 37 bilhões de reais no ano passado. As estimativas indicam que os ilegais movimentaram outros 40 bilhões de reais. Metade dos ilegais atua como bancos do crime organizado, sendo lavagem de dinheiro. Para esses casos, a solução é a repressão policial e do Ministério Público. Os sites regulamentados podem contribuir com informações estratégicas.

A dificuldade em coibir o mercado ilegal se deve à existência de sites criados apenas para aplicar golpes na população. Um influenciador digital divulga nas redes sociais, o apostador deposita o dinheiro e nunca mais consegue resgatá-lo. Os golpistas já contam que as autoridades vão tirar a bet do ar. O site desaparece e os apostadores perdem tudo. Os golpistas criam outro site, formando um círculo vicioso.

Educar as pessoas para que apostem apenas em empresas legalizadas é fundamental. Um avanço foi a sanção do Projeto de Lei Antifacção, que esclarece o papel do Banco Central nesses casos. O BC tem os meios para identificar para quem foi o dinheiro de sites de apostas ilegais.

Influenciadores e propaganda nas redes

Sobre o uso de influenciadores digitais, Figueiredo defendeu que não se deve demonizá-los, pois a grande maioria age dentro da lei. É preciso punir quem não segue as regras. A Lei Antifacção determina que as redes sociais podem ser corresponsáveis em casos de fraudes digitais. As redes precisam ser mais rápidas nas ações.

Recentemente, um influencer com 3,9 milhões de seguidores promoveu uma suposta bet oficial do Flamengo por meio de um story, um tipo de post que dura apenas 24 horas. Até o post ser removido, o estrago já estava feito.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora do PL 3.563, defende a proibição da publicidade de apostas. Figueiredo afirmou entender a intenção de proteger as crianças e a população vulnerável, mas considera que proibir vai piorar a situação. Soluções simplistas não resolvem problemas complexos, apenas criam outros piores.

Seria devastador para o Brasil neste momento, já que oito em cada dez pessoas não sabem diferenciar os sites legais dos ilegais. Se o mercado regulado for estrangulado, os criminosos vencerão. O influenciador digital mal-intencionado continuará promovendo as apostas ilegais e atraindo menores de idade. Incentivar as bets reguladas protege o consumidor.

Na Holanda, onde se restringiu a propaganda, a arrecadação de impostos caiu e as apostas ilegais cresceram. Os holandeses cogitam liberar a propaganda novamente.

Patrocínio ao futebol

Sobre o impacto que a proibição teria nos times de futebol, já que as bets dominaram o patrocínio ao esporte, Figueiredo observou que muitos setores chegaram e saíram do futebol, como marcas de eletroeletrônicos, montadoras e financeiras. A vantagem dos sites de aposta é que não vão abandonar o futebol, porque o negócio depende de haver clubes fortes que façam as pessoas gostarem de assistir aos jogos.

Para as bets, o patrocínio é um investimento perene. No Reino Unido, onde se discute a proibição de exibir sites de aposta nas camisas dos clubes a partir de 2027, há dúvidas sobre se isso será viável. Percebeu-se que outros setores não desejam investir tanto no futebol. São marcas que podem captar clientes por outros meios, como o patrocínio a shows musicais.

Quanto à responsabilidade das bets nos escândalos de manipulação de resultados no futebol, Figueiredo afirmou que os maiores prejudicados por essas fraudes são os sites. Por falta de informação, as pessoas acreditam que são os responsáveis, mas na verdade atuam como os sensores do sistema legal, reportando possíveis casos de manipulação para que os responsáveis sejam investigados.

As empresas são as maiores interessadas em ter partidas limpas. Na China, onde é proibido apostar, as máfias dominaram totalmente o futebol. A manipulação de resultados explodiu ao lado das apostas ilegais.

Copa do Mundo e expectativa de crescimento

O interesse pela seleção brasileira atingiu o menor patamar histórico. Sobre como isso pesa nos planos do setor para a Copa do Mundo deste ano, Figueiredo considera importante que as pessoas acreditem na equipe e nas chances de conquistar o hexacampeonato.

Durante uma Copa, muita gente tem contato pela primeira vez com as apostas on-line e passa a entender como funcionam. Os brasileiros estão acostumados a apostar, basta ver os bolões. O vínculo da camisa da seleção à política, que se viu nos últimos anos, parece estar diminuindo. O executivo tem certeza de que esta Copa será forte o bastante para que a base de clientes continue crescendo. Ele espera que o técnico Carlo Ancelotti traga o hexacampeonato.

A Betano foi fundada na Grécia em 2012. A empresa está presente em vinte países.

 

BetSul - 728 x 90BetSul - 728 x 90 1
Comentar com o Facebook