Grêmio soma 7 meses sem patrocínio máster na camisa e recusa propostas de bets

Apostas I 16.07.26

Por: Magno José

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Grêmio rescinde com Alfa após três meses sem pagamentos e anuncia Energia Bet como nova patrocinadora master
Clube busca acordo de longo prazo que se aproxime dos R$ 50 milhões anuais e esbarra em mercado retraído e nova legislação para casas de apostas (Foto : Lucas Uebel / Gremio FBPA / CP)

O Grêmio segue sem patrocínio máster na camisa após mais de sete meses do início da atual gestão. O espaço ficou vago depois da rescisão do contrato com a Alfa Bet e de uma ocupação temporária da EnergiaBet, que comprou o espaço por apenas duas partidas no Brasileirão, revela reportagem do ge Globo.

Nos primeiros seis meses do ano, a direção trabalhou o tema com o CEO Alex Leitão à frente das negociações. Propostas foram recusadas por oferecerem valores entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões anuais, abaixo do que o clube considera adequado. A meta é chegar o mais perto possível dos cerca de R$ 50 milhões anuais que a Alfa Bet havia se comprometido a pagar.

Mercado retraído e rejeição às bets

A gestão classifica o cenário de negociações como “retraído”. As casas de apostas dominam os investimentos em patrocínio esportivo, mas enfrentam novas legislações e crescente tributação, o que reduz sua capacidade de aporte em publicidade. Além disso, o Grêmio tem preferência por fechar acordo com empresas de outros setores, por entender que as bets não oferecem a estabilidade que o clube busca em um contrato longo.

O tempo de vínculo contratual pretendido, de quatro ou cinco anos, exige garantias financeiras sólidas. O próprio contrato com a Alfa Bet, de três anos, foi rompido ainda no primeiro pelo presidente Alberto Guerra após o atraso de três parcelas. A empresa também não cumpriu o acordo judicial para quitação do débito.

A Copa do Mundo figura como outro entrave. Sem jogos de clubes durante o torneio, a marca do patrocinador não teria exposição, o que afasta o interesse em fechar contrato antes do retorno das partidas.

Dirigentes garantem que negociações seguem em andamento, inclusive para a venda dos naming rights da Arena, que pode ser combinada com o patrocínio máster em um acordo casado. A avaliação interna é de que a receita de patrocínio já atingiu um patamar “confortável” mesmo sem a cota principal, o que, segundo a direção, permite aguardar por uma proposta melhor.

O total fechado em publicidade neste ano chega a R$ 150 milhões. A administração do presidente Odorico Roman assinou 11 contratos de patrocínio, sendo seis novos; Ingresse, Unifique, Coral, Havan, Vitafor e Solides.

Salários atrasados e gestão de custos

O clube enfrenta dificuldades mensais para honrar a folha salarial. Os valores de junho, incluindo direitos de imagem, ficaram em aberto. A promessa é de regularizar os pagamentos em breve; os atletas foram avisados previamente sobre o atraso.

Para equilibrar as finanças, a diretoria adota a estratégia de reduzir gastos e ampliar receitas. Por isso, Arthur não foi renovado e a permanência de nomes como Amuzu, Carlos Vinicius e Pavon está condicionada ao respeito a um teto salarial. As contratações mais recentes seguiram o mesmo critério; Wallace, Jovane Cabral, Matheus Nascimento e Diego Caito chegaram com salários menores e baixo custo de transferência.

No caso de Matheus Nascimento, o acerto envolveu uma permuta por parte da dívida que o Botafogo tinha com o Grêmio pelas aquisições de Nathan Fernandes e Cuiabano. Wallace e Diego Caito somaram R$ 6 milhões em direitos econômicos. Pelo lateral, o clube precisará desembolsar mais R$ 2 milhões para efetivar a compra ao fim do empréstimo.

Vendas e receitas da Arena

Para reforçar o caixa, o Grêmio vendeu o zagueiro Viery para a Fiorentina por 15 milhões de euros fixos, equivalentes a R$ 88,5 milhões, com possibilidade de mais 2 milhões de euros (R$ 11,8 milhões) em metas. O meia Gabriel Mec também está na fila para sair. O Shakhtar Donetsk apresentou proposta de 12 milhões de euros (R$ 69,5 milhões) mais bonificações, valor que o clube aceita. A transferência depende ainda da concordância do jogador e de seu estafe.

A Arena do Grêmio passou a contribuir de forma mais relevante para as finanças neste ano. O empresário Marcelo Marques comprou a gestão do estádio e a doou ao clube, o que evitou um gasto de R$ 12 milhões no primeiro semestre para garantir o acesso dos sócios às cadeiras. A venda de 37 camarotes gerou receita de R$ 9 milhões por ano. O cálculo da diretoria é de que a Arena rendeu R$ 50 milhões no primeiro semestre, considerando a arrecadação com ingressos. Com o anel de LED instalado e também doado por Marques, a expectativa é arrecadar R$ 3 milhões anuais em publicidade.

 

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