GTech ainda atua em Minas Gerais.
Enquanto a Justiça Federal ordenou o bloqueio de todos os bens em nome de ex-dirigentes da GTech do Brasil, acusada de irregularidades no contrato assinado com a Caixa Econômica Federal em 1997, para a exploração de jogos eletrônicos no Brasil, a filial da multinacional em Minas Gerais continua operando dois jogos, apesar de a Auditoria Geral do Estado ter apontado em relatório várias irregularidades no contrato celebrado entre a empresa e a Loteria Mineira.
De acordo com esse relatório, a Loteria não tem nenhum controle sobre o pagamento dos prêmios nem sobre o repasse de recursos oriundos dos jogos que a GTech explora. Mesmo assim, eles continuam funcionando normalmente. Basta percorrer algumas casas lotéricas de Belo Horizonte para constatar várias pessoas apostando no Pimba e no Roda da Sorte, jogos que a GTech opera em Minas Gerais sem controle por parte da Loteria Mineira, segundo relatório da Auditoria Geral do Estado.
A Loteria Mineira confirmou o funcionamento do Pimba e do Roda da Sorte e informou que a Advocacia Geral do Estado está analisando o resultado final da auditoria feita no contrato da GTech, concluída no dia 6 de abril. Não há previsão para que o órgão se pronuncie em relação à auditoria, que determinou a rescisão imediata do contrato firmado com a GTech, a tomada de medidas judiciais para resguardar os interesses do Estado, e a instauração de uma Tomada de Contas Especial para recuperar os recursos que seriam devidos pela multinacional ao governo do Estado.
O Ministério Público, que acompanhou os trabalhos da auditoria por meio de uma comissão composta por três procuradores, informou que ainda está em andamento o processo de análise do relatório final da auditoria e que não houve o surgimento de fatos novos.
O bloqueio dos bens da GTech foi pedido pelo Ministério Público Federal que impetrou uma ação civil pública contra o contrato da GTech com a CEF, em 30 de abril, um mês depois da divulgação do escândalo envolvendo um ex-assessor da Casa Civil, Waldomiro Diniz, com o jogo do bicho e com um esquema de lobby para beneficiar a GTech. A ação, no entanto, diz respeito a período anterior ao suposto envolvimento de Waldomiro. Foram identificadas várias irregularidades já no edital de licitação publicado em 1994, que teria beneficiado a Racimec. Em 1997, a empresa acabou encampada pela GTech que, segundo a Justiça, escapou de multas embora descumprisse diversas cláusulas, além de não manter qualquer tipo de auditoria sobre o volume de recursos movimentados para a CEF. Em Minas Gerais, a GTech é investigada pelo Ministério Público desde 1999.
NOTA Por meio de nota oficial, a GTech do Brasil informou que vai recorrer da decisão que bloqueou os bens de dois ex-dirigentes da empresa – Antônio Carlos Lino da Rocha e Marcos Tadeu de Oliveira Andrade. A empresa diz ter convicção de que a análise dos dados entregues por ela às autoridades “mostrará que a operação de loterias no Brasil tem sido feita de forma correta e transparente”.
Os dois jogos que a GTech continua operando em Minas Gerais são bastante lucrativos para a Loteria Mineira. Eles representam, segundo informações da própria autarquia, 37,55% de seu lucro líquido que, no ano passado, foi de R$ 35 milhões. As videoloterias (VLT), outra modalidade de jogo que era explorada em Minas Gerais pela GTech, foram suspensas no dia 26 de fevereiro, por causa da Medida Provisória que proibia as máquinas de caça-níqueis e similares no Brasil. Apesar de a MP ter sido derrubada pelo Senado, as VLT ainda não voltaram a funcionar. Segundo o relatório da auditoria, não foiimplantado nenhum dos procedimentos que deveriam ter sido adotados pela concedente para para garantir a segurança e a confiabilidade dos jogos da GTech. “Constatamos que a autarquia não implementou nenhum desse controles previstos e até a presente data não possui qualquer mecanismo que garanta a fidedignidade das informações enviadas pela GTech”, diz o relatório. .
GTech contesta auditoria.
A GTech afirma que são totalmente infundadas às alegações de falta de controle sobre a arrecadação e pagamento de prêmios dos jogos de loteria Pimba e Roda da Sorte. Segundo a multinacional, o departamento de Operações da Loteria Mineira, conforme rege o contrato com a GTech Brasil, tem em sua central um terminal idêntico ao mantido na central de operações da GTech. “Ambos recebem online, simultaneamente, informações sobre número e volume de apostas feitas por cada terminal de jogo, arrecadação total e parcial por concurso, quantidade e valor de prêmios pagos. Os dados são tão precisos e detalhados que permitem apuração inclusive sobre comissão paga a cada um dos revendedores e volume total de arrecadação destinada à própria Loteria Mineira”.
De acordo com a GTech, o sistema que opera os jogos Pimba e Roda da Sorte é “ altamente avançado e seguro” e há oito anos funciona em Minas, Paraná, Goiás e Santa Catarina. “O sistema jamais registrou quaisquer falhas ou fraudes, e sequer recebeu reclamação de qualquer apostador”, sustenta a nota da empresa. Estado de Minas – Alessandra Mello


