Hazenclever Lopes Cançado recebe título de Cidadão Honorário do Rio de Janeiro
A Câmara Municipal do Rio de Janeiro concedeu o título de Cidadão Honorário do Município a Hazenclever Lopes Cançado. A cerimônia foi realizada nesta quarta-feira (15/4), às 18h30, no Plenário Teotônio Villela, no Palácio Pedro Ernesto. A vereadora Tânia Bastos (Republicanos) propôs a honraria, aprovada pelo Legislativo municipal.
O advogado recebeu a homenagem conforme o decreto legislativo 13.245 de 2025, aprovado em sessões plenárias no final do ano passado. Seu nome foi escolhido pelo pai, Manuel Lopes Cansado, em homenagem a um alemão que o ajudou profissionalmente em 1964.
Durante a solenidade, o editor do BNLData, Magnho José explicou a origem do nome. O pai de Hazenclever teve oportunidade de trabalhar com um alemão chamado Razenclever. Manuel prometeu que, quando tivesse um filho, daria esse nome em reconhecimento à ajuda recebida.
Trajetória profissional e atuação no serviço público
Hazenclever acumula mais de duas décadas de atuação na advocacia, tanto privada quanto pública. Trabalhou no Senado Federal e na Câmara dos Deputados. Integrou comissões parlamentares de inquérito voltadas ao combate à corrupção, exploração sexual de crianças e adolescentes, crime organizado e irregularidades no setor de jogos. Antes de atuar no Rio de Janeiro, foi secretário de administração em Minas Gerais.
O homenageado presidiu a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) de 2022 a março de 2026. Durante sua gestão, conduziu um processo de modernização institucional e tecnológica. O estado foi reposicionado como referência nacional na regulação das apostas esportivas e da loteria, com foco em segurança jurídica, proteção ao consumidor e responsabilidade social.
O desembargador do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, William Douglas, destacou a dedicação de Hazenclever ao serviço público e sua capacidade de gestão. Douglas mencionou a participação do homenageado em CPIs importantes para a sociedade, incluindo a CPI do roubo de cargas, CPI de pedofilia, CPI de exploração sexual de crianças, a dos bingos e a do crime organizado. O desembargador afirmou falar em nome pessoal e também em nome do Tribunal Regional Federal, da Justiça Federal e do Poder Judiciário.
Apoio ao esporte e inclusão social
Valide Ismail, fundador do Jungle Fight, declarou conhecer Hazenclever há mais de 20 anos, desde a época de Brasília. Segundo Ismail, quando Hazenclever era presidente da Loterj, propôs apoiar os “guerreiros das comunidades” através do esporte.
“Valid, o que que nós podemos fazer para ajudar esses guerreiros das comunidades? Porque o esporte é uma ferramenta gigantesca de inclusão social e o e esses guerreiros das comunidades, das favelas, precisam de oportunidade”, relatou Ismail sobre a conversa que tiveram.
A partir dessa iniciativa, o Jungle Fight voltou a realizar eventos no Rio de Janeiro. As eliminatórias deram oportunidade a lutadores de comunidades.
Luciana Lopes, gestora do Bangu Atlético Clube, relatou que conheceu Hazenclever no ano passado. O clube estava rebaixado para a série A2 sem perspectiva de futuro. Hazenclever, enquanto presidente da Loterj, viabilizou o campeonato da Série A2 do estado do Rio de Janeiro com investimento para que os clubes pudessem honrar compromissos com atletas e comissão técnica.
Luciana destacou que o apoio foi além do financeiro. “Foi o seu tempo, foi a sua presença. Ele esteve presente em todos os nossos jogos sempre que possível”, afirmou. O Bangu conseguiu subir de divisão. Hazenclever também apoiou o futebol feminino do estado e os campeonatos das séries A2, B1 e B2 do Rio de Janeiro.
Edmundo Santos Silva, ex-presidente do Flamengo, afirmou que Hazenclever “olha muito pros excluídos” e “olha para as pessoas que estão de fora do dia a dia”. Edmundo mencionou que apresentou a Hazenclever pessoas do esporte inclusivo. Ele “na mesma hora abraçou, mas não abraçou para contribuir, não. Ele abraçou para ir lá, para est presente, para ajudar, para entender”, declarou.
Atuação em comunidades
O líder comunitário William de Oliveira, representando o presidente da associação de moradores da Rocinha, João Bosco, registrou que a chegada de Hazenclever na Rocinha “foi uma benção para todos nós”. Hazenclever visitou a comunidade com toda a família. Andou por toda a localidade e fez um passeio “não turístico, mas real”.
William contou que em 2024 tentaram realizar uma cidade encantada na Rocinha sem sucesso. Em 2025, Hazenclever articulou com o governo do estado e conseguiu viabilizar o projeto. “Fizemos a maior cidade encantada da história, primeira página de todos os jornais e rede social”, afirmou William.
Hazenclever, junto com a Loterj, também patrocinou o Roça Folia. O evento incluiu uma corrida e o Roça Folia para crianças. A cidade encantada durou 25 dias e beneficiou mais de 200.000 moradores.
Mensagens de familiares
Durante a cerimônia, foi exibido um vídeo com mensagens de familiares do homenageado. A mãe de Hazenclever relatou que o filho sempre teve “os olhos cheios de brilho, de curiosos, espertos e inquietos, vendo além do que víamos”. Ela destacou que “sua inteligência, carisma e simpatia nunca foram maiores que sua vontade de servir ao seu próximo”.
A mãe mencionou que, quando o pai faleceu, Hazenclever estendeu o braço para protegê-la junto com os irmãos. Ele foi “sempre cuidadoso, amoroso e presente”. Ela afirmou que o filho liga diariamente para pedir a bênção, mesmo aos 62 anos.
Hazenclever é filho de Manuel Lopes Cansado e Ubaldina Pereira Passos. É esposo de Sônia Carvone de Deus Vieira Cansado, pai de Isabela Cristine, Ana Carolina e Hazenclever Júnior, e avô de Benício, Lucas e Olívia. Sua mãe, com 83 anos, relatou que o filho começou a trabalhar aos 8 anos vendendo picolé e sempre demonstrou vontade de servir ao próximo.
A esposa de Hazenclever não pôde comparecer, mas enviou mensagem afirmando ser “testemunha da sua caminhada, luta, dedicação, integridade, competência frente à presidência da Loterj”. Os filhos e netos também enviaram mensagens parabenizando pelo reconhecimento.
Discurso do homenageado
Em seu discurso, Hazenclever afirmou que receber o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro é “uma das maiores honrarias” que recebeu em sua vida. Ele relacionou a homenagem à história de seu nome. Em 1964, ano de seu nascimento, um homem com o mesmo nome no Rio de Janeiro ajudou seu pai.
“62 anos depois de onde meu pai homenageou essa pessoa aqui no Rio de Janeiro, nessa cidade, para a obra de Deus eu recebo esse título”, declarou.
O homenageado afirmou que o título lhe dá “sentimento de pertencimento” a diversas comunidades e bairros do Rio de Janeiro. Citou a Rocinha, o Alemão, Vidigal, Pavão, Pavãozinho, Tabajaras, Estácio, Morro do Zinco, Jacaré, Mangueira, Lona, Abolição, Benfica, São Cristóvão, Campo Grande, Santa Cruz, Rio das Pedras, Borel, Penha, Bangu, Irajá e Complexo de Israel.
Hazenclever agradeceu especialmente à vereadora Tânia Bastos. Destacou que ela está em seu quinto mandato de vereança e tem uma trajetória marcada por “dedicação”, “entrega”, “seriedade” e “sobretudo pela sua fé”. Ele afirmou que a fé da vereadora “não se limita às palavras, mas uma fé que se traduz em atitudes, que se traduz em ações, em compromisso com as pessoas”.
Durante o discurso, o homenageado reconheceu que enfrentou “dias e noites de decisões solitárias” ao exercer a função pública. “Foi muito difícil ser exceção, onde se houve vários dias que quem sobrevive no Rio de Janeiro sobrevive em qualquer lugar. Foi muito difícil, ser exceção, vereadora, com tantos pratos de lentilha sendo oferecidos e só pela força de Deus”, declarou Hazenclever, referindo-se às dificuldades de manter a honestidade no serviço público.
Hazenclever dedicou o título aos “valorosos homens e mulheres da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que é diariamente, com coragem, com disciplina, com espírito de sacrifício, protege a sociedade, protege as nossas famílias e dignificam o nome do Rio de Janeiro”. Ele também dedicou a homenagem às pessoas que trabalham em comunidades, aos pais e mães atípicos, e àqueles que acreditam que “a honestidade prevalece”.
O homenageado assumiu compromissos públicos durante seu discurso. “Eu assumo o compromisso de que eu honrarei esse título com trabalho. Eu honrarei esse título com integridade de caráter. Eu honrarei, honrarei esse título com honestidade”, afirmou. Ele prometeu promover a inclusão social, inspirar crianças e adolescentes a acreditarem que vale a pena trabalhar e ser honesto, e não se corromper.
“Honrarei esse título, não vendendo o meu caráter. Honrarei esse título. Não comprando consciências”, declarou.
Hazenclever mencionou que o Rio de Janeiro “tá tudo muito estranho”. Pode estar estranho no segundo estado do país em PIB e terceiro em população, mas afirmou que continuará “fazendo a diferença” onde estiver. Ele definiu o título não apenas como uma homenagem, mas como “um compromisso com o município do Rio de Janeiro, é um compromisso com o povo da cidade do Rio de Janeiro, é um compromisso meu com cada um de vocês”.
Autoridades presentes
A cerimônia contou com a presença de autoridades. Estiveram presentes o desembargador do Tribunal Regional Federal da Segunda Região, William Douglas, o ex-presidente do Clube de Regatas do Flamengo, Edmundo Santos Silva, a advogada e gestora do Bangu Atlético Clube, Luciana Lopes, o fundador do Jungle Fight, Valide Ismail, e o jornalista fundador do BNL, Magno José.
Também compareceram o Major Ângelo, representando o tenente coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Sandro Aguiar, o procurador geral Adolfo Touzão, o presidente da Comissão dos Jogos Lotéricos da OAB Rio de Janeiro, Paulo Horn, e representantes de diversas instituições esportivas e comunitárias.
A cerimônia incluiu a execução do hino nacional brasileiro e do hino da cidade do Rio de Janeiro. O coro da Câmara Municipal, sob regência da maestrina Cássia Borja, interpretou as músicas “Samba do Avião” e “Se Todos Fossem Iguais a Você”. Após o encerramento oficial, foi oferecido um coquetel de confraternização no salão nobre Antônio Carlos Carvalho.
O presidente da Câmara Municipal, vereador Carlo Caiado, não pôde comparecer, mas enviou mensagem de congratulação ao homenageado. O presidente nacional da Liga de Futebol Master, Edilson Correia, também enviou saudações, mas não compareceu por motivo de força maior.














