Hipódromo do Tarumã tem duas provas especiais nesta sexta-feira

Jockey I 08.04.22

Por: Elaine Silva

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A Comissão de Corridas do Jockey Club do Paraná organizou reunião de 10 páreos, hoje à tarde, no Hipódromo do Tarumã, em Curitiba

A Comissão de Corridas do Jockey Club do Paraná organizou reunião de 10 páreos, hoje à tarde, no Hipódromo do Tarumã, em Curitiba. A largada do primeiro páreo será às 12h50, e, a última prova tem previsão para ser disputada às 17h30. Duas provas especiais têm destaque técnico na programação. No quarto páreo, a Prova Especial Manoel Ribas vai reunir éguas de 2 anos, e mais idade, no percurso de 1300 metros, na grama. E, no oitavo, a Prova Especial Jalmir e Justino Parolin possui chamada para produtos de 3 anos, e mais idade, em 1800 metros, na grama.

Na Prova Especial Manoel Ribas, as mais novas do lote são Boisterous Zip, do Stud Gato Ruivo, e Audrey Hepburn, de Athayde Lopes, e Shooting Star, de Domingos Edmundo Glielmi Júnior. Golden Nugget, do Stud São José dos Bastiões, é um ano mais velha, porém traz bom retrospecto. Red Santin, de Ivo Hasselman Marques, tem mais idade ainda, e vem de colocação numa prova especial. E a mais velha do lote, Love do Iguassu, do Haras Rio Iguassu, tem campanha proveitosa nas pistas, mas outro dia deu problema para entrar no partidor.

Na outra prova graduada, Campelanda, do Haras Rio Iguassu, com várias colocações em provas de grupo, possui amplo favoritismo, apesar de deslocar 59 quilos. Valdinei Gil vai conduzí-lo, e ainda atuará em mais cinco páreos da programação, sempre para o Haras Rio Iguassu. Henderson Fernandes é outro piloto do turfe carioca participante na reunião paranaense. E, como de hábito, vários jóqueis radicados no turfe paulista, vão abrilhantar as provas no Tarumã, entre eles, Idevaldo Silva, Marcos Ribeiro, Ruberlei Viana, José Severo, Michel Platini, e Ruan Mendonça. (Raia Leve – Paulo Gama)

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Documentário apresenta história de jóquei cearense na Coreia do Sul
A partir da história do protagonista Antonio Davielson, documentário “Um Jóquei Cearense na Coreia” apresenta temas como pertencimento e desterro

Jóquei Antônio Davielson (Imagem: Korea Racing Authority)

Tem cearense em todo canto do mundo”. A máxima é repetida a cada evento global que, quando repercute na mídia do Ceará, acaba encontrando alguém nascido no Estado para compartilhar informações “direto da fonte”. A piada guarda uma graça fundada em um senso de orgulho forte, decerto, mas carrega em si também a complexa e fundante relação do cearense com a migração. O embate entre a ligação firme com a terra natal e a necessidade de deixá-la marca a trajetória de Antonio Davielson, o protagonista do documentário “Um Jóquei Cearense na Coreia”. Dirigido por Guto Parente e Mi-Kyung Oh, o filme será exibido on-line nesta sexta, 8, na programação do Festival É Tudo Verdade.

Co-produção entre o Brasil e a Coreia do Sul, o documentário acompanha a vida de Antonio trabalhando como jóquei em eventos esportivos no país asiático, onde mora com a esposa Kelly e a filha pequena Luise. Apostando em uma observação participante, o longa segue o atleta tanto no ambiente das competições quanto no doméstico, montando aos poucos um retrato do protagonista.

Apesar desse acompanhamento íntimo, e até conversado — em determinada altura, o protagonista apresenta a alguém os “amigos” Guto e Lucas, em referência ao diretor Guto Parente e ao responsável pelo som Lucas Coelho, que compõem a equipe que “segue” o dia-a-dia de Antonio —, não há exatamente uma minuciosa explanação dos contextos que possibilitaram a ida dele à Coreia ou detalhes sobre como e onde ele formou a família, por exemplo.

Essa ausência, no entanto, não se revela enquanto uma falta de fato, uma vez que “Um Jóquei Cearense na Coreia” encontra a maior força justamente em focar no “aqui e agora” do protagonista. O filme concentra, inclusive, a maioria das suas imagens no presente de Antonio, evitando lançar mão de muitos registros de arquivo além de algumas fotos de família que aparecem pontualmente.

Essa decisão reforça a ideia da “observação participante” referida anteriormente. Variando entre momentos de um observacional implicado naquele cotidiano e outros que apostam no uso das chamadas “talking heads” (“cabeças falantes” em inglês, entrevistas diretas com as personagens), o documentário ressoa muito a partir da carismática e aberta figura do protagonista.

Entre os registros que compõem a obra, há as tentativas de Antonio em se comunicar em inglês com um colega, a presença dele como grande homenageado em um evento de jóquei no país e as trocas familiares com a esposa e a filha.

Outros, porém, ganham relevo especial pelo caráter mais frontalmente emotivo. São eles, de maneira mais relevante, os que trazem entrevistas diretas somente com o protagonista. Nesses, as marcas de forte nostalgia e senso de pertencimento à terra natal se sobressaem a partir do compartilhamento de lembranças da vida dele no Ceará, que vão do início do gosto por montaria às dificuldades financeiras experienciadas na infância.

Nestes trechos, que imageticamente se restringem, basicamente, ao tempo e espaço onde o depoimento está sendo proferido, a carga se constrói justamente a partir da emoção até desconcertante do protagonista.O cenário da época recontada se constrói na mente do público a cada memória dividida por Antonio.

As alegrias do acolhimento em terras estrangeiras e da busca pelos sonhos, enfim, coexistem com as saudades de casa e os planos expressamente enunciados de deixar a Coreia, no mínimo, por um país mais próximo do Brasil para, pelo menos, os fusos horários também serem mais aproximados — como afirma taxativamente Kelly, esposa de Antonio, por algumas vezes durante o filme.

Sensações e gestos aparentemente contraditórios entre si, enfim, coexistem para o jóquei, dividido entre sentir-se acolhido e, também, desterrado; ter saudades, mas também buscar se encaixar para melhor se adaptar. O balanço entre os sentimentos é complexo, errante e simbólico para um sem-número de pessoas que podem se identificar com a situação.

O autor russo Leon Tolstói defendia a ideia de que, para falar do mundo, bastava primeiro falar da própria aldeia. “Um Jóquei Cearense na Coreia” mergulha nas subjetividades do protagonista para apresentar complexificações das noções de especificidade e universalidade. (Com informações do jornal O Povo – CE)

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