Japão abre nova rodada de licitação para resorts com cassinos em 2027

O gabinete japonês aprovou mudanças na legislação que permitem a províncias e municípios apresentarem propostas para resorts integrados. A decisão ocorreu na terça-feira (10/3). O período de submissão das candidaturas será entre maio e novembro de 2027. Esta é a primeira oportunidade em cinco anos para governos regionais candidatarem-se a esses empreendimentos.
Uma lei de 2018 estabelece que o governo pode certificar até três resorts integrados no país. Esses complexos incluem cassinos, hotéis, centros de convenções e atrações turísticas. Até o momento, apenas Osaka teve um projeto certificado. A aprovação ocorreu em 2023. A inauguração está programada para o outono de 2030. O empreendimento de Osaka, desenvolvido pela MGM Resorts em parceria com a Orix Corporation, representa um investimento superior a US$ 8 bilhões e será construído na ilha de Yumeshima.
A Agência de Turismo do Japão definiu que províncias e cidades poderão submeter propostas de maio a novembro de 2027. Governos locais de Aichi, Hokkaido e a administração portuária de Tóquio já demonstraram interesse em participar da seleção. A última rodada de licitação havia ocorrido entre o outono de 2021 e a primavera de 2022.
Estratégia governamental para turismo
A reabertura do processo ocorre após o fim da pandemia de covid-19. A doença havia paralisado diversos projetos de revitalização regional. O governo central pretende expandir a oferta desses complexos além de Osaka para direcionar turistas a regiões menos visitadas do país.
A medida faz parte da estratégia governamental que estabelece como meta atrair 60 milhões de visitantes internacionais até 2030. O gasto anual total esperado é de 15 trilhões de ienes (US$ 95,2 bilhões). A legislação aprovada em 2018, conhecida como Integrated Resort Development Act, foi defendida pelo falecido primeiro-ministro Shinzo Abe e seu Partido Liberal Democrata, com o objetivo de promover o turismo em um país tradicionalmente conhecido como centro de negócios global.
Regiões interessadas nos empreendimentos
Aichi planeja desenvolver seu empreendimento em uma área de 50 hectares na ilha artificial onde funciona o Aeroporto Internacional Chubu Centrair. O aeroporto atende Nagoya. A província vinha considerando o plano desde o final da década de 2010. A pandemia suspendeu o projeto, juntamente com alguns projetos de revitalização. Nagoya, com 2,3 milhões de habitantes, é a quarta prefeitura mais populosa do Japão, com cerca de 7,5 milhões de residentes, e sua localização estratégica permite voos curtos para a Coreia do Sul. A prefeitura alocou JPY 277 milhões (US$ 1,75 milhão) para estudos de viabilidade do projeto.
Em uma entrevista coletiva em fevereiro, o governador de Aichi, Hideaki Omura, expressou o desejo de retomar o plano de resort integrado como uma estratégia para atrair turistas. “Precisamos nos tornar rapidamente uma cidade turística internacional”, disse Omura. A prefeitura revisará um documento de 2019 que descreve os benefícios e desafios. Aichi conduzirá entrevistas com operadores de negócios para determinar a viabilidade de seu projeto.
Em Hokkaido, Tomakomai e Hakodate manifestaram interesse em sediar os complexos. Em uma pesquisa realizada em 2025, as duas cidades demonstraram interesse em desenvolver resorts integrados. A comunidade empresarial acolhe bem a ideia. A Federação Econômica de Hokkaido organizou um workshop. Hokkaido, a oitava prefeitura mais populosa com cerca de 5,2 milhões de habitantes, destinou JPY 10 milhões (US$ 63.100) para estudos de viabilidade. Sapporo, sua principal cidade com aproximadamente 2 milhões de pessoas, é servida pelo Aeroporto Internacional New Chitose e poderia atrair visitantes do leste da China e do Extremo Oriente russo.
Um importante líder empresarial de Hokkaido afirmou: “Se perdermos esta oportunidade, não haverá outra”. Hokkaido criou um painel de especialistas em janeiro para explorar a possibilidade de um resort integrado. A província revisará um documento de 2019 que descreve os benefícios e desafios dos resorts integrados.
O governador de Hokkaido, Naomichi Suzuki, havia desistido anteriormente de uma proposta para desenvolver um resort integrado. Ele alegou preocupações com a preservação do habitat natural. Alguns acreditam que Suzuki estava levando em consideração a opinião pública em função de um escândalo de corrupção ligado a resorts integrados.
A administração portuária de Tóquio destina verbas para pesquisas sobre resorts integrados todos os anos desde o ano fiscal de 2015. O governo metropolitano de Tóquio continuará analisando os prós e os contras de sediar um resort integrado na capital japonesa. Na capital japonesa, muitas empresas manifestaram interesse em operar resorts integrados.
Shota Otani, chefe de pesquisa de investimentos do Sumitomo Mitsui Trust Research Institute, apontou restrições geográficas para a viabilidade econômica dos empreendimentos. “Ao considerar a atração de visitantes, incluindo os estrangeiros, um resort integrado seria viável como negócio apenas em um número limitado de grandes cidades, como a região metropolitana de Tóquio ou Fukuoka”, disse Otani.
Experiências anteriores e obstáculos
Nagasaki havia participado da rodada anterior. A província teve sua proposta rejeitada, em parte devido à falta de clareza sobre o financiamento. A candidatura de Nagasaki, apresentada pela Casinos Austria para desenvolvimento em Sasebo, próximo ao parque temático Huis Ten Bosch, foi uma das apenas duas propostas qualificadas na rodada anterior, ao lado de Osaka. Yokohama e Wakayama chegaram a considerar candidaturas anteriormente. As duas cidades desistiram devido à oposição local. Yokohama e Wakayama arquivaram seus planos.
Existem preocupações de que permitir um cassino leve a um aumento no vício em jogos de azar. Para mitigar esse risco, os resorts integrados limitariam cada visitante a três entradas por sete dias.
Questões financeiras
A aprovação de um plano para resort integrado enfrenta diversos obstáculos. O primeiro pré-requisito é uma estratégia de financiamento realista. Um resort integrado digno de ser um polo turístico internacional exigirá enormes investimentos.
O resort integrado de Osaka foi inicialmente estimado em 1,08 trilhão de ienes. O custo aumentou para 1,51 trilhão de ienes. O complexo contará com 2.500 quartos de hotel, um teatro com capacidade para 3.500 pessoas, 400 mil pés quadrados de instalações para convenções, dezenas de restaurantes e bares, um shopping center e um parque público. A área do cassino será limitada a no máximo 3% do espaço total do resort, conforme determinado pela legislação japonesa.
Resorts integrados são frequentemente operados por joint ventures entre empresas locais e operadoras experientes. Um plano de financiamento dependerá da capacidade de atrair grandes operadoras como Las Vegas Sands e Genting Singapore. Até o momento, apenas a Bally’s Corporation, sediada nos Estados Unidos, manifestou publicamente interesse em apresentar uma proposta caso o Japão reabra a licitação para as duas concessões de jogos restantes. Quando o Japão legalizou cassinos em 2018, praticamente todas as principais empresas globais do setor demonstraram interesse, incluindo Las Vegas Sands, Wynn Resorts, Caesars Entertainment, Melco Resorts, Mohegan e Hard Rock International. No entanto, o longo processo regulatório, combinado com a pandemia de covid-19, resultou na retirada da maioria dessas empresas.

