Justiça de SP nega pedido de ressarcimento de R$ 163 mi a advogado da Blaze

Apostas I 17.10.26

Por: Magno José

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Advogado acumula R$ 145 mi em perdas na Blaze; Justiça de SP nega bloqueio
Willer Tomaz alegava prejuízo em apostas, mas juiz viu risco assumido; PF investiga lavagem de dinheiro (Foto: Agência Senado)

A Justiça de São Paulo negou o pedido do advogado Willer Tomaz de ressarcimento de R$ 163 milhões que ele alega ter perdido em apostas na plataforma Blaze. A decisão foi proferida pelo juiz Guilherme Madeira Dezem, da 44ª Vara Cível de São Paulo. O advogado também é investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de uso das apostas para lavagem de dinheiro.

Na sentença, o magistrado afastou os argumentos da defesa ao registrar que Tomaz não era um apostador passivo. O juiz anotou que “o autor solicitou pessoalmente e obteve a criação de mesas privativas e exclusivas de apostas em valores exorbitantes (‘Blaze VIP Blackjack’), postulando sucessivas majorações de limites operacionais para alcançar a espantosa cifra de até R$ 500.000,00 por aposta”. Para Dezem, “o dissabor, a angústia e o abalo emocional decorrentes da perda de vultosos valores em jogos de azar eletrônicos constituem consequências diretas e imediatas do risco intrínseco e voluntariamente assumido pelo apostador ao contratar atividade aleatória de alta volatilidade”.

Ainda assim, o juiz concedeu a Tomaz o direito de não ser mais importunado pela plataforma.

Bilhões movimentados em 18 meses

A dimensão financeira das apostas de Tomaz é revelada pelo próprio processo que ele abriu contra a Blaze. Segundo dados apresentados pela defesa do advogado, entre janeiro de 2025 e julho de 2026, Tomaz realizou 2.145 depósitos na plataforma, totalizando R$ 325 milhões. Com esse valor, ele realizava apostas sucessivas até acumular uma movimentação total de R$ 6,6 bilhões no período. O prejuízo líquido apontado pela defesa foi de R$ 188,5 milhões.

A defesa reconheceu que os números podem ser maiores; os advogados afirmaram não ter conseguido acessar dados de apostas anteriores a 2025 e já identificaram 55 páginas de depósitos referentes a esse período anterior.

A principal causa das perdas, segundo a defesa, foram as mesas de cassino online, que permitiam apostas de até R$ 500 mil em rodadas de 30 segundos. O limite, no início, era de R$ 125 mil por aposta e foi elevado progressivamente a pedido do próprio Tomaz. Ainda de acordo com a defesa, ao longo do período a Blaze ofereceu ao advogado R$ 42,2 milhões em bônus por assiduidade.

A estrutura da plataforma também é contestada pelos advogados de Tomaz. A Blaze permite depósitos de até R$ 500 mil de uma vez, mas limita saques a R$ 100 mil por operação. A defesa descreve uma situação em que o advogado, em uma única noite, tentou retirar R$ 1,9 milhão por meio de 16 saques de R$ 100 mil entre 0h19 e 0h25, mas foi bloqueado pelo sistema ao tentar o último saque de R$ 100 mil, com a mensagem “Você fez muitas tentativas consecutivas. Por favor, tente novamente mais tarde”. Após as perdas daquela noite, restavam apenas R$ 0,29 na conta.

Em abril de 2023, quando as apostas esportivas ainda não estavam regulamentadas no Brasil, a Blaze criou um grupo no WhatsApp para atendimento exclusivo ao advogado.

A defesa de Tomaz argumenta que ele foi diagnosticado com ludopatia por profissional de saúde mental e que comunicou o diagnóstico à plataforma em mais de uma ocasião. “O autor é, portanto, pessoa diagnosticada com ludopatia por laudo de profissional de saúde mental habilitado”, afirma a peça. Segundo os advogados, Tomaz também formalizou três pedidos de bloqueio definitivo de sua conta e enviou notificação pré-litigiosa à Blaze, cujo recebimento a empresa confirmou.

A casa de apostas rebateu a caracterização dos valores como prejuízo. “O movimento líquido da conta não é dano. Ele é a diferença entre o que entrou e o que saiu de uma conta que funcionou, ao longo de dezoito meses, como conta corrente, com entradas e saídas sucessivas, muitas vezes no mesmo dia. Somar depósitos e chamar o resultado de prejuízo equivale a somar apenas os débitos de um extrato bancário, ignorando os créditos”, argumentou a Blaze no processo. A plataforma patrocina o atacante Neymar Jr., do Santos, e tinha contrato com a influenciadora Virgínia Fonseca.

Investigação da PF

A PF investiga se Tomaz usou as operações de apostas para lavar dinheiro. A apuração teve origem no Rio Grande do Sul, onde a corporação investigava supostos crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, tendo a Blaze como um dos alvos. Com autorização judicial, o sigilo telemático de Tomaz foi quebrado.

O inquérito subiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois que o nome de Flávio Bolsonaro apareceu em e-mails obtidos com a quebra de sigilo. Como senador, Flávio tem foro privilegiado no STF.

A defesa do advogado contestou as suspeitas de lavagem. “Não há que se falar em lavagem de dinheiro. Todas as movimentações ocorreram em sua própria conta bancária, de forma transparente e rastreável, sem qualquer ocultação ou dissimulação de origem ou destino de recursos”, afirmaram os advogados em nota. A defesa também contestou os valores citados no caso das apostas, afirmando que “não correspondem à realidade”, ainda que os números tenham sido retirados do próprio processo aberto por Tomaz contra a Blaze.

 

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