Kalshi lança apostas em testes de medicamentos e decisões regulatórias

Apostas I 17.07.26

Por: Magno José

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Justiça proíbe Kalshi de oferecer apostas esportivas sem licença em Massachusetts
Plataforma americana expande atuação para biotecnologia com contratos sobre aprovação de remédios de Sanofi e Gilead Sciences nos EUA

A Kalshi, plataforma americana de mercado de previsões, passou a oferecer apostas sobre resultados de testes clínicos de medicamentos e decisões regulatórias no setor farmacêutico. A expansão marca uma entrada mais direta da empresa na área de biotecnologia.

Segundo apuração do Valor com Bloomberg, a iniciativa permite que investidores apostem especificamente em eventos binários, como a aprovação de remédios por reguladores, de forma separada do desempenho geral das ações de uma empresa.

Nesta quarta-feira (15), a Kalshi lançou 13 contratos ligados ao setor em parceria com a AppliedXL, empresa de inteligência com base em inteligência artificial. Entre os contratos disponíveis estão apostas sobre a aprovação, pelos reguladores dos Estados Unidos, de medicamentos desenvolvidos pela Sanofi e pela Gilead Sciences.

A empresa argumenta que os mercados de previsões podem oferecer sinais mais precisos sobre a probabilidade de sucesso de projetos farmacêuticos, num setor historicamente marcado por informações fragmentadas, divulgação tardia de dados e comunicação corporativa excessivamente otimista sobre resultados de estudos.

Potencial e críticas

Michael Selig, presidente da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão regulador dos mercados de previsões nos EUA, afirmou que contratos vinculados a testes clínicos podem funcionar como proteção financeira para pacientes que dependem de determinados medicamentos contra futuros custos de tratamento.

Críticos, porém, afirmam que o modelo cria incentivos para negociar com base em informações não públicas, com risco de influenciar testes clínicos em andamento ou distorcer mercados com baixo volume de negociações. Para monitorar eventuais casos de uso de informação privilegiada, a Kalshi pretende adotar verificação de vínculo empregatício, mecanismo semelhante ao que já utiliza em apostas ligadas a dados corporativos.

Anne Wojcicki, cofundadora da empresa de testes genéticos 23andMe, atuou como consultora não remunerada no processo. Wojcicki declarou que a iniciativa é uma ferramenta útil para os pacientes e que “ela ajudará as pessoas a avaliar suas opções de tratamento de saúde” ao indicar quais estudos têm maior potencial de êxito. A cofundadora ressaltou, no entanto, que salvaguardas flexíveis serão necessárias para evitar que as apostas interfiram nos resultados dos estudos, como ao incentivar pacientes a abandonar testes com baixa expectativa de sucesso.

Alpheus Bingham, ex-cientista da Eli Lilly que ajudou a criar um mercado interno de previsões na empresa no início dos anos 2000, também integrou o grupo de especialistas consultados. O objetivo daquele modelo original não era viabilizar apostas, mas concentrar o conhecimento disperso em diferentes áreas da companhia numa única estimativa de probabilidade de sucesso. Bingham fundou posteriormente a Innocentive, plataforma de inovação aberta e crowdsourcing desmembrada da Lilly em 2005.

Espaço ainda limitado no portfólio

O setor de saúde ainda representa uma fatia pequena das negociações da Kalshi. Na última semana de junho, as negociações em temas de ciência e tecnologia somaram US$ 3,6 milhões (R$ 18,32 milhões) na plataforma, ante US$ 5,4 bilhões (R$ 27,47 bilhões) movimentados pelo segmento de esportes no mesmo período, conforme dados compilados por usuários na Dune Analytics.

Embora os mercados de previsões sejam regulados pelo governo federal dos EUA, a maior parte de seu volume de negociações vem de contratos esportivos, que alguns estados acusam de violar leis sobre jogos de azar. A Kalshi definiu que não oferecerá contratos vinculados a estudos pediátricos nem a testes clínicos que ainda estejam recrutando participantes.

 

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