Loterias estaduais caminham para o “momento 2.0” a partir de 2027

As loterias estaduais brasileiras se preparam para uma nova fase. A partir de 2027, o setor deve viver o que já vem sendo chamado de “momento 2.0”, uma segunda onda de projetos, mais madura, mais moderna e desenhada a partir das lições aprendidas desde que o Supremo Tribunal Federal, em 2021, reconheceu a competência dos estados para explorar serviços lotéricos.
Hoje, toda e qualquer conversa sobre loterias estaduais carrega uma condicionante recorrente: “após as eleições”. Estados que aguardavam um eventual segundo mandato, ou simplesmente o amadurecimento da matéria, começam a ganhar força e intensificam as discussões sobre seus projetos. Diversos pontos que antes geravam incerteza já se consolidaram e evoluíram significativamente desde a decisão do STF.
O avanço dessas conversas, sobretudo, a melhora no nível técnico delas, tem sido notado por agentes de todo o setor. As tratativas seguem ativas com diversos estados, tanto os que já integram a associação das loterias estaduais quanto outros que despontam como futuros integrantes. Celebra-se, também, a pluralidade que se vê hoje no mercado: são diferentes modelos, diferentes desenhos regulatórios e diferentes vocações regionais convivendo e se testando na prática. Essa diversidade de experiências, somada à elevação do debate, será determinante para que modelos cada vez melhores venham a surgir nos próximos ciclos.
A narrativa precisa mudar
Um dos fatores que impulsionam a virada é a fertilidade de críticas que o setor tem observado em relação ao modelo adotado pelo governo federal, no qual a discussão pública começa pelo jogo, e por tudo o que vem associado a ele, para só depois tratar dos benefícios da arrecadação.
Essa ordem precisa se inverter para que a atividade conquiste melhor aceitação social. Foi assim nos Estados Unidos, há mais de meio século, e segue sendo até hoje. Foi assim na Europa. E precisa ser assim no Brasil: cabe à sociedade aceitar e definir os limites do jogo, e quais modalidades são adequadas à realidade.
É exatamente nesse ponto que as loterias estaduais assumem seu papel principal: a regionalização. O Brasil é um país continental, e cada região terá diferentes permissões, diferentes níveis de aceitação e diferentes “tropicalizações” dos jogos que chegam ao país. Serão diferentes tipos de jogos, com diferentes regras, em diferentes regiões.
As loterias estaduais precisam compreender esse papel e entregar o melhor tipo de jogo para a sua população, e não simplesmente replicar modelos importados sem adaptação.
Outro movimento apontado como fundamental para a próxima fase é a união entre os estados. Para que exista viabilidade lotérica em estados menores, com populações reduzidas, o caminho é seguir o exemplo de produtos lotéricos internacionais consagrados, como Mega Millions e Powerball, nos Estados Unidos, e EuroMillions, na Europa, todos construídos sobre a cooperação entre jurisdições.
Populações pequenas, isoladamente, não sustentam um produto lotérico de qualidade. A saída para esse problema é a formação de consórcios e jogos compartilhados entre estados.
Muito se pôde aprender com os modelos já implementados por Paraíba, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Tocantins e Maranhão. Seja nesses estados, seja naqueles que ainda não estruturaram suas loterias, o modelo precisa ser aprimorado, e isso já está acontecendo.
Os novos projetos nascerão mais modernos, já atualizados, com os problemas identificados nas experiências anteriores devidamente resolvidos. Há, inclusive, desenhos em estágio avançado de maturação, construídos a partir de tudo o que o setor aprendeu nos últimos anos, que corrigem boa parte dessas distorções e apontam para uma forma de atuação sensivelmente melhor. O mercado deve conhecê-los em breve.
2027 vem aí. E com ele virá o momento 2.0 das loterias estaduais.
(*) Daniel Romanowski é Diretor Presidente da Loteria do Estado do Paraná – Lottopar.


