Loterias estaduais não conseguem anunciar no digital por falta de domínio Bet.BR

Loteria I 10.04.26

Por: Magno José

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Loterias estaduais não conseguem anunciar no digital por falta de domínio Bet BR
Big Techs bloqueiam impulsionamento de publicidade de operadores legalizados que não possuem autorização federal concedida apenas para segmento nacional

Operadores de loterias estaduais no Brasil não conseguem fazer publicidade em plataformas digitais. As Big Techs exigem o domínio Bet BR, autorização concedida pelo governo federal que não está disponível para o segmento estadual. O problema foi discutido em painel realizado na quarta-feira (9) durante o evento BiS SiGMA, que abordou o tema “Operador nas Loterias Estaduais: Modelos de Negócios, Conformidade e Eficiência Operacional”.

Participaram do debate Eduardo Paiva, CEO da Loteria do Tocantins (Lototins), Everton Sales, Diretor de Operações da Loteria do Estado do Sergipe (Lotese), e Joberto Porto, CLO da CDA Gaming. A moderação ficou a cargo de Marcello Corrêa, CEO da Axis Veritas Consultoria.

Plataformas digitais impedem impulsionamento de anúncios

As plataformas digitais bloqueiam o impulsionamento de anúncios de operadores que não possuem o domínio Bet BR. Operadores estaduais legalizados são tratados como irregulares pelas Big Techs.

“As Big Techs exigem que o operador possua o domínio Bet BR, uma autorização concedida pelo governo federal que não está disponível para as loterias estaduais”, declarou Eduardo Paiva, CEO da Lototins.

O executivo explicou que a situação cria um estrangulamento no marketing digital. Os operadores buscam alternativas como o uso de influenciadores ou concentram esforços no mercado físico.

Modelos de negócio exigem adaptação às particularidades estaduais

A atuação do operador nas loterias estaduais exige modelos de negócio compatíveis com as particularidades de cada arranjo regulatório, aliados à conformidade e à eficiência operacional. Sustentabilidade, competitividade e capacidade de execução passam a depender da articulação consistente entre desempenho, controle e adaptação institucional.

Cada estado brasileiro apresenta características específicas que demandam estratégias diferenciadas. A ausência de padronização nacional obriga os operadores a desenvolverem soluções customizadas para cada mercado, considerando desde aspectos regulatórios até particularidades culturais e econômicas regionais.

Varejo físico ganha força diante das restrições

Everton Sales apresentou o modelo de Sergipe. O Diretor de Operações da Lotese destacou que o varejo físico representa uma oportunidade robusta diante das dificuldades no digital. Sales ressaltou especialmente os Terminais de Loteria em Vídeo (VLTs).

O executivo afirmou que a operação em Sergipe busca a maturidade operacional até 2027. O ambiente físico permite incluir público que não está habituado ao digital, além de oferecer segurança jurídica e legitimidade ao serviço público.

Sales observou que a operação física com VLTs depende de boa conectividade de internet. Esse fator pode representar um desafio em regiões mais remotas do interior dos estados. A infraestrutura tecnológica adequada torna-se, portanto, um elemento crítico para a eficiência operacional do modelo físico.

Conformidade enfrenta diferentes níveis de exigência

Joberto Porto enfatizou que a conformidade é um pilar central, mas complexo. Em estados onde a loteria é uma empresa pública, o nível de exigência de compliance é ainda mais elevado. O processo envolve órgãos de controle como Tribunais de Contas.

O CLO da CDA Gaming apontou que cada estado possui um nível de maturidade regulatória diferente. Alguns reguladores são abertos ao diálogo. Outros se recusam a conversar com os operadores.

Porto destacou que há falta de conhecimento técnico por parte de alguns órgãos reguladores sobre conceitos básicos do setor. O executivo mencionou especificamente agregadores e plataformas como exemplos de conceitos desconhecidos. Essa lacuna de conhecimento dificulta a construção de frameworks regulatórios adequados às necessidades do mercado.

Operação em Sergipe enfrenta camada extra de regulação

Sales explicou que a operação em Sergipe enfrenta uma camada extra de regulação por estar vinculada a um banco público. A loteria sergipana opera através de uma joint venture com um banco estadual.

A conformidade simultânea com o Banco Central, agências reguladoras estaduais e tribunais de contas torna o processo mais lento, embora mais seguro. O executivo relatou que essa estrutura adiciona complexidade à operação, mas também proporciona maior credibilidade institucional ao modelo de negócio.

Essa configuração específica demonstra como diferentes arranjos institucionais impactam diretamente a eficiência operacional e os custos de conformidade, exigindo dos operadores capacidade de adaptação a múltiplas camadas regulatórias.

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Sobreposição de normas gera incertezas operacionais

A sobreposição de normas federais e estaduais cria incertezas operacionais. Joberto Porto destacou que a ausência do domínio Bet BR para operadores estaduais gera confusão entre os consumidores.

Eduardo Paiva mencionou que a falta de apoio do governo federal e a disseminação de fake news por opositores políticos geram instabilidade. O executivo citou casos onde decisões judiciais de primeira instância, baseadas em desinformação, prejudicaram a reputação e o funcionamento das operações, mesmo quando estas estavam em conformidade legal.

A falta de uniformidade entre os estados dificulta a conformidade. Cada estado brasileiro possui um nível diferente de maturidade regulatória, sem padronização nacional. Essa fragmentação regulatória impacta negativamente a capacidade dos operadores de desenvolverem estratégias de longo prazo e de alcançarem economias de escala.

Reguladores devem atuar como parceiros do setor

Joberto Porto defendeu que os reguladores estaduais precisam atuar como parceiros. O executivo afirmou que é necessário manter um diálogo aberto com os operadores para educar o mercado e a sociedade, indo além da simples fiscalização.

Os participantes destacaram que o regulador tem o dever de educar a sociedade sobre o jogo regulado. Essa atuação inclui combater narrativas falsas e ajudar a legitimar a operação perante o público.

Marcello Corrêa sugeriu que os reguladores estaduais devem oficializar o Ministério da Fazenda para solicitar o domínio Bet BR. Outra alternativa seria obter um esclarecimento oficial que reconheça a legalidade dos operadores estaduais. O moderador enfatizou que essa articulação institucional é fundamental para resolver o impasse que impede a publicidade digital das loterias estaduais.

Capacitação técnica pode melhorar regulação

Joberto Porto apontou que muitos reguladores ainda estão aprendendo sobre o mercado, incluindo conceitos como agregadores e plataformas. Investir no conhecimento técnico dos servidores públicos facilitaria a criação de normas mais adequadas.

Criar diretrizes mais claras e consistentes ajudaria os operadores a navegar melhor entre as exigências estaduais e as práticas internacionais de compliance. A capacitação dos agentes reguladores representa um investimento estratégico que pode acelerar a maturidade do setor e reduzir incertezas jurídicas.

A transferência de conhecimento entre estados mais avançados e aqueles em estágios iniciais de regulamentação também foi apontada como uma estratégia válida para acelerar o desenvolvimento do mercado nacional.

Setor possui potencial apesar dos desafios

Os painelistas foram unânimes ao afirmar que o setor de loterias estaduais possui um potencial imenso. A avaliação foi feita apesar da complexidade regulatória e dos ataques políticos enfrentados por quem desbrava o mercado.

A recomendação final dos especialistas foi de perseverança. A indústria é grande, gera empregos e possui uma função social clara. Os especialistas afirmaram que é uma questão de tempo e amadurecimento para que o mercado brasileiro se consolide plenamente.

Os especialistas indicaram que o setor continuará buscando alternativas para contornar as limitações no marketing digital, como o uso de influenciadores e a concentração de esforços no mercado físico. A operação em Sergipe seguirá seu cronograma até alcançar a maturidade operacional em 2027. Os operadores deverão manter o diálogo com os reguladores estaduais para educar o mercado e a sociedade sobre o setor.

O painel evidenciou que, apesar dos obstáculos, a construção de modelos de negócio sustentáveis, aliados à conformidade rigorosa e à eficiência operacional, representa o caminho para a consolidação das loterias estaduais como segmento relevante e legítimo da indústria de jogos no Brasil.

 


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