Lula critica gastos com apostas e defende dívida produtiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a divulgação dos dados de emprego da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), na quinta-feira (13/8), para criticar os gastos com apostas esportivas e jogos de azar. A participação foi uma exceção na agenda do petista, que raramente comparece a eventos de divulgações ministeriais.
O evento ocorreu no auditório do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), segundo a Folha de S.Paulo. Em suas falas, Lula disse não ser contra o endividamento pessoal em si, mas defendeu que a dívida precise ter finalidade produtiva. O presidente direcionou a crítica às bets às vésperas do início do período eleitoral.
Crítica às apostas
Lula afirmou que “a desgraça do jogo é que você passa a vida inteira jogando para pagar o prejuízo do primeiro jogo que você fez. Então se a gente tiver um trabalho de ajudar a sociedade a pensar economicamente, a gente vai contribuir para que as pessoas continuem fazendo sua dívida saudável.”
O presidente também declarou que “não sou contra as pessoas que estão endividadas. Sou contra as pessoas que estão endividadas por uma dívida que não tem um objetivo de crescimento da melhoria da qualidade de vida.” Em seguida, acrescentou: “O que nós precisamos é educar as pessoas para gastar somente aquilo que é possível pagar e que está dentro da possibilidade.”
Desde o início das restrições eleitorais, Lula tem aumentado a frequência de eventos fechados. Após o evento no MTE, o presidente foi à rua cumprimentar apoiadores que o aguardavam na porta do ministério.
Dados de emprego e cobranças ao Senado
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, também participou do evento. Ele criticou a pejotização e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a votação da proposta que extingue a escala 6×1. “Está aí a escala 6×1 que o Senado está sentado em cima, que nós precisamos de fato que o presidente Alcolumbre libere essa pauta para os senadores e senadoras votarem contra ou a favor. Vote conforme a sua consciência, mas vote. Deixa andar, deixa o debate correr. A sociedade já se manifestou”, disse Marinho.
Os dados divulgados no evento mostram que o país acumulou saldo positivo de 10,1 milhões de empregos entre janeiro de 2023 e junho de 2026, segundo a Rais. Desse total, 5,35 milhões correspondem a vínculos celetistas e do setor privado; os outros 4,75 milhões são do setor público.
Por setor, o maior crescimento foi o de serviços, com alta de 42% em relação a 2023. A agropecuária registrou o menor avanço entre os setores listados, com acréscimo de 5% no mesmo intervalo. Por região, Norte e Centro-Oeste lideraram as variações, com crescimento de 34,7% e 28,6%, respectivamente.
Em 2025, o Brasil encerrou o ano com estoque de 59,9 milhões de empregos formais, alta de 5% ante 2024 e acréscimo de 2,8 milhões de vínculos. Os celetistas responderam pela maior fatia, com 46,1 milhões, seguidos pelos estatutários do setor público, com 12,6 milhões. O setor municipal registrou a maior variação entre as categorias jurídicas, de 18,2%.
No acumulado de janeiro a junho de 2026, a Rais registrou variação de apenas 2,6%. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) também apontou, no trimestre de abril a junho, os piores resultados desde 2020, ano da pandemia.


