Lula defende fim das bets online caso não apresentem razão social no país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (14/8), o encerramento das atividades das plataformas de apostas online no Brasil caso o setor não apresente uma justificativa social para continuar operando no país. Na mesma declaração, o presidente revelou ter conhecimento da existência de uma “bancada das bets” no Congresso Nacional.
A declaração expõe um dilema concreto para apostadores e reguladores; especialistas alertam que uma eventual proibição poderia ampliar a fatia já expressiva do mercado ilegal, estimada entre 38% e 44% do total, segundo estudo da LCA Consultores e do Instituto Locomotiva divulgado nesta semana. Operadores ilegais atraem usuários justamente por não cumprirem as obrigações do mercado regulado, como cadastro simplificado, ausência de limites e alertas e oferta de bônus agressivos, o que os coloca fora dos mecanismos de proteção ao consumidor instituídos pelo órgão regulador federal.
Lula fez as declarações durante entrevista concedida a Déia Freitas, do canal Não Inviabilize, e ao podcast As Cunhãs. O presidente foi direto ao apresentar seu argumento central. “Se ninguém me mostrar uma razão social dessas bets continuarem, nós temos que acabar com elas”, afirmou.
Resistência no Congresso
O presidente reconheceu antecipadamente que qualquer ofensiva contra o setor encontrará resistência no Legislativo. Ao citar a “bancada das bets”, Lula deixou claro que considera o embate uma disputa política inevitável. “Eu sei que tem bancada das bets no Congresso. Mas é uma briga que nós vamos ter que fazer porque a sociedade não pode ser desestruturada por conta de uma coisa que a gente pode controlar”, declarou.
A posição apresentada pelo presidente combina dois eixos; o questionamento sobre a permanência das apostas online no país e a avaliação de que uma iniciativa para restringir ou encerrar a atividade necessariamente passará por uma disputa no Congresso Nacional.
Lula não detalhou, nas declarações divulgadas, quais medidas concretas o governo poderia adotar nem apresentou um cronograma para uma eventual iniciativa contra o setor.
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