Mercado de apostas esportivas reduz patrocínios no futebol brasileiro em processo de consolidação

Apostas I 17.01.26

Por: Magno José

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Coluna de Rodrigo Capelo no Estadão registra que especialistas afirmam que não se trata de estouro de bolha, mas reorganização natural do setor, com empresas direcionando recursos para transmissões da Copa do Mundo de 2026

Cinco clubes da Série A do Campeonato Brasileiro começaram o ano sem patrocínio de empresas de apostas esportivas. Coritiba, Grêmio, Inter, Santos e Vasco iniciaram 2026 sem exibir marcas de bets em seus uniformes, diferentemente do cenário de 2025, quando todos os times da primeira divisão mantinham parcerias com o setor. O Bahia também deve seguir o mesmo caminho nos próximos dias.

Esta mudança reflete uma reorganização do mercado de apostas no Brasil, que atualmente conta com 82 empresas autorizadas pelo governo federal para operar legalmente, totalizando 183 marcas diferentes. Conforme reportado por Rodrigo Capelo em sua coluna semanal no Estadão, além dessas, outras três companhias, com nove marcas, funcionam por determinação judicial.

A redução no número de patrocínios não indica um estouro de bolha econômica ou quebradeira generalizada no setor, mas sim um processo de consolidação natural. Especialistas já previam que o mercado brasileiro não comportaria todas as operações existentes, levando à permanência apenas das maiores empresas.

A transformação intensificou-se no início deste ano, quando diversos contratos chegaram ao fim e as casas de apostas reavaliaram suas estratégias. Intermediários do setor observam maior cautela das companhias em renovar acordos que anteriormente seriam assinados com facilidade.

Cada clube teve circunstâncias específicas para o término dos patrocínios. O Coritiba perdeu a Reals Bet porque a empresa decidiu concentrar esforços no ambiente digital. No caso do Santos, o relacionamento com a 7K já estava desgastado após o presidente santista, Marcelo Teixeira, conceder entrevista com o logotipo de uma concorrente ao fundo.

A situação do Santos complicou-se ainda mais quando a 7K tornou-se alvo do Ministério da Fazenda por prática de venda casada em um clássico, colocando o clube em posição desconfortável. A mesma empresa, no entanto, manteve seu patrocínio com o Vitória.

Grêmio e Internacional, por sua vez, ficaram sem patrocinador após a saída da Alfa.bet, que enfrentou dificuldades financeiras quando um sócio não aportou o capital prometido. Este caso resultou em atrasos nos pagamentos e rescisão dos contratos, sendo o único exemplo que se enquadra em um cenário de calote.

Apesar da redução no número de patrocínios, os valores dos contratos que permanecem ativos são significativos. O Flamengo, que tinha um acordo de R$ 117,5 milhões por ano, elevou este montante para R$ 268,5 milhões ao trocar para a Betano.

O Corinthians anunciou recentemente a extensão do patrocínio com a Esportes da Sorte, aumentando o valor de R$ 100 milhões para R$ 150 milhões anuais. Palmeiras e São Paulo mantêm contratos com Sportingbet e Superbet, respectivamente, ambos na faixa dos R$ 100 milhões por ano.

O Cruzeiro trocou a Betfair pela Betnacional, mas a mudança é apenas de marca, pois ambas pertencem ao mesmo grupo, a Flutter. Esta empresa optou por priorizar a Betnacional no mercado brasileiro.

O Vasco também poderia passar por situação semelhante, mas sua diretoria tentou aumentar o valor do contrato dos atuais R$ 45 milhões para R$ 70 milhões, proposta que a Flutter não aceitou, resultando no fim da parceria.

A Copa do Mundo de 2026 também afeta este panorama. Empresas como Bet365, KTO e Esportes da Sorte estão direcionando recursos para patrocinar transmissões do torneio na Globo, CazéTV, N Sports e SBT, o que reduz a verba disponível para clubes.

Marcelo Damato, que recentemente deixou a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda após dois anos e meio no cargo, apresenta visão positiva sobre o futuro do setor: “O mercado vai se consolidar, mas não vai retrair em um horizonte de muitos anos. O brasileiro está descobrindo as apostas”.

Bernardo Cavalcanti Freire, sócio do escritório Betlaw e consultor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), compartilha perspectiva semelhante: “Não é uma bolha. É uma reorganização. Os valores que algumas empresas estavam pagando, elas não conseguiam. Ainda vai se manter forte o patrocínio das bets, mas um patrocínio assertivo”.

 

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