México tem 1.500 cassinos clandestinos sob o manto da impunidade.

Cassino I 16.04.04

Por: sync

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CIDADE DO MÉXICO, (AFP) – Desde 1947, os cassinos e os jogos de azar são proibidos no México, o que não impede que apostadores tentem a sorte em um dos 1.500 cassinos clandestinos que, segundo informações oficiais, vivem e prosperam graças à impunidade.Um estudo da comissão de Turismo e da Câmara de Deputados identificou pelo menos 1.500 casas de apostas ilegais em todo o país, particularmente em Cidade do México, Guadalajara, Monterrey, e nos balneários de Cancún, Acapulco, Puerto Vallarta e Los Cabos.
Os "brincos" (saltos) – como são popularmente conhecidos os centros de apostas ilegais no México – geram a cada ano "cerca de 600 milhões de dólares que não se declaram ao fisco", estimou recentemente Miguel Torruco, presidente da Associação Mexicana de Hotéis e Motéis.
Se fossem legalizados, o lucro superaria os 800 milhões de dólares e geraria 155 mil empregos, continuou o empresário.
Os cassinos clandestinos não operam em endereços fixos, mas se mudam constantemente dentro de uma mesma cidade ou para diferentes regiões do país: praticamente "pulam" de um lado para outro para evitar as revistas policiais, embora extra-oficialmente se diga que estes negócios contam com a proteção de algumas autoridades.
"Não é um tema prioritário na agenda legislativa e do país, mas é certo que devemos dar atenção à questão dos cassinos, sobretudo pela impunidade que gera nos jogos clandestinos, que em muitos casos são protegidos por policiais corruptos", disse à AFP o deputado José Luis Briones, membro da comissão de governo da câmara baixa.
Desde a época do presidente Carlos Salinas (1988-1994) se discute a possibilidade de mudar a lei que proíbe as apostas e restringe todo tipo de jogos de azar.
Oficialmente, os mexicanos são proibidos de jogar cartas em público, um dispositivo que é sistematicamente violado nos locais de rinha de galo e nos luxuosos "Yaks" ou "Books", onde se aposta abertamente com uma permissão especial da secretaria de governo (ministério do Interior).
Mas é sob o manto da clandestinidade que circulam as verdadeiras fortunas da indústria das apostas.
Para visitar "brinco" é preciso ter uma contra-senha geralmente obtida num bar. Salvo este trâmite, nas casas de apostas clandestinas, além dos jogos no estilo de Las Vegas, é possível encontrar luxuosas e sortidas caves com toda classe de vinhos, exóticas iguarias e, em alguns casos, serviços sexuais de luxo.
Encobertos pela noite e instalados no fundo de imóveis situados em bairros residenciais, os cassinos clandestinos concorrem de forma desleal com as empresas Grupo Caliente e CIE, que dividem o negócio das atividades lúdicas no México.
Os "Sport Books" (apostas de eventos esportivos à distância), "bingos" e "Ilusões", como se denominam alguns jogos de cartas com apostas que têm permissão especial, apareceram de forma tímida no México há dez anos, mas já contam com uma centena de estabelecimentos em todo o país.
"Temos que regularizar esta situação, não é possível que praticamente já se esteja jogando à vista de todo o mundo neste tipo de negócio, enquanto continua a clandestinidade que, além da corrupção, propicia o tráfico de influências, de drogas e a prostituição", concluiu o deputado José Luis Briones. 

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