Milionário com câncer doa US$ 247 mi de loteria e vira exemplo de filantropia

Blog do Editor I 13.08.26

Por: Elaine Silva

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Milionário com câncer doa US$ 247 mi de loteria e vira exemplo de filantropia
Ed Lojewski ganhou a fortuna depois de ser diagnosticado com um câncer raro e decidiu doar o dinheiro para realizar novas pesquisas sobre a doença (Foto: Reprodução/Standford Medicine)

Ed Lojewski, aposentado da Califórnia diagnosticado com um câncer raro, ganhou US$ 247 milhões na loteria em 2022 e decidiu destinar parte do prêmio a pesquisas sobre a mesma doença que enfrentava. Ele morreu em dezembro de 2023, aos 90 anos, sem conhecer os resultados do trabalho que ajudou a financiar.

A história, reportada por O Globo, combina sorte, enfermidade e filantropia. Lojewski comprou dois bilhetes de loteria em 14 de outubro de 2022, em uma loja próxima à sua casa. Dias depois, ao verificar os números vencedores em um jornal local, percebeu que o prêmio era dele. Ainda assim, guardou a notícia por uma semana antes de torná-la pública.

Apesar da fortuna, ele manteve o mesmo estilo de vida. Continuou morando na mesma casa pequena e dirigindo o carro que usava havia anos.

Doação para Stanford Medicine

Em abril de 2023, seis meses após o prêmio, Lojewski fez uma doação para a Stanford Medicine para financiar pesquisas sobre o linfoma cutâneo de células T (LCCT, ou CTCL em inglês), doença com a qual havia sido diagnosticado em 2019 pela médica e pesquisadora Youn Kim.

O LCCT é um câncer raro que atinge as células T do sistema imunológico. Nos estágios iniciais, manifesta-se como lesões na pele; nos casos mais avançados, pode comprometer o sangue, os gânglios linfáticos e órgãos internos. Aproximadamente um terço dos pacientes desenvolve a forma mais grave da doença, conforme informações da Stanford Medicine. Nos Estados Unidos, cerca de 3 mil novos casos são diagnosticados por ano, número que classifica a condição como rara e dificulta o acesso a financiamentos para pesquisa.

Os recursos doados por Lojewski foram direcionados ao trabalho de Kim e do pesquisador Michael Khodadoust, que desenvolvem uma estratégia de imunoterapia. Uma das linhas de pesquisa foca em uma vacina voltada a um receptor específico das células T cancerígenas, com o objetivo de usar o próprio sistema imunológico para combater as células malignas de forma seletiva. A meta do financiamento era viabilizar um ensaio clínico da vacina.

“Esta é a ciência impulsionada pela filantropia, pois este trabalho não seria possível sem o apoio de Ed. Sua doação ajudará a financiar um ensaio clínico da vacina, que é vital para demonstrar sua eficácia e viabilizar o desenvolvimento de uma nova terapia. Sem ele, não poderíamos nem começar o ensaio. É simples assim”, declarou Kim.

Tratamento atual e limites

O único tratamento com potencial curativo para o LCCT disponível atualmente, segundo a Stanford Medicine, é o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas. O procedimento substitui o sistema imunológico do paciente por células de um doador compatível. Ele pode oferecer chance de cura, mas traz riscos relevantes; entre eles, a possibilidade de as células transplantadas atacarem tecido saudável do próprio paciente. Por esse motivo, a equipe de Kim e Khodadoust busca alternativas mais direcionadas.

Lojewski morreu em dezembro de 2023, oito meses após a doação. Kim explicou que ele faleceu com linfoma cutâneo de células T, e não em decorrência direta da doença. Segundo a pesquisadora, um dos medicamentos cujo desenvolvimento a equipe participou conseguiu alterar o curso da enfermidade e proporcionou a ele um período de qualidade de vida.

Após a morte do pai, a filha Susan decidiu continuar apoiando a pesquisa. Ela afirmou que Lojewski confiava em Kim para encontrar uma solução para a doença e que a possibilidade de contribuir para salvar vidas foi um dos motivos que a levaram a manter o suporte financeiro.

“Quando você ganha na loteria, pode fazer qualquer coisa. Papai escolheu esta. De todas as causas que ele poderia ter apoiado, ele escolheu ajudar a encontrar a cura para uma doença da qual a maioria das pessoas nunca ouviu falar. Isso diz tudo sobre quem ele era e no que ele acreditava ser possível”, declarou Susan.

 

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