Ministros do PP e União Brasil recebem ordem para deixar governo

O PP e o União Brasil determinaram nesta terça-feira (2) que seus filiados deixem cargos no governo federal, afetando diretamente os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo). A decisão ainda precisa ser confirmada pelas Executivas Nacionais dos dois partidos, com reuniões marcadas para os próximos dias.
Os três principais afetados são os ministros André Fufuca (Esporte), que tem na estrutura do Ministério do Esporte a Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico, e Celso Sabino (Turismo), que defende a aprovação no Senado do PL 2234/22, que legaliza cassino resorts e turístico, bingo e jogo do bicho. Além disso, também pode atingir o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.
A medida não atinge indicações feitas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nem pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Entre os nomes que permanecem estão os ministros das Comunicações e da Integração Nacional, apadrinhados por Alcolumbre, além do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, indicado por Lira.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, afirmou no Congresso Nacional: “Informamos a todos os detentores de mandato que devem renunciar a qualquer função que ocupem no governo federal. Em caso de descumprimento desta determinação, se dirigentes dessa federação nos seus estados, haverá afastamento de ato contínuo. Se a permanência persistir, serão adotadas punições disciplinares previstas no estatuto.”
A decisão ocorre após críticas feitas pelo presidente Lula a lideranças partidárias durante reunião ministerial na semana passada. Na ocasião, o presidente disse não gostar pessoalmente de Rueda e reclamou de Ciro Nogueira, presidente do PP, acusando-o de tentar viabilizar-se como candidato a vice em chapa com o governador Tarcísio de Freitas.
O União Brasil agendou reunião da Executiva para esta quarta-feira (3), quando deve oficializar sua saída. O PP planeja fazer o mesmo ainda nesta semana. Inicialmente, os partidos pretendiam deixar o governo apenas após o TSE autorizar a formação de uma federação entre as duas siglas, mas as críticas de Lula aceleraram o processo.
Lideranças do Centrão classificaram as declarações do presidente como uma “situação constrangedora” tanto para os partidos quanto para o próprio governo. Na mesma reunião ministerial, Lula também reclamou que os ministros dessas legendas não o defendem em eventos partidários onde o governo é atacado.
O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, continuará em seu cargo apesar da saída do PP e União Brasil do governo Lula. Sua permanência se justifica por sua nomeação não ter sido uma escolha partidária, mas uma indicação pessoal do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira.
Vieira tem sob sua administração a subsidiária Caixa Loterias, responsável pela operação das loterias da União. Inclusive neste momento a Caixa está em processo de implantação da modalidade de apostas esportivas e jogos online.
“O presidente da Caixa não foi indicação nossa, do PP, mas do presidente Lira. E essa questão não foi tratada porque não é uma indicação partidária”, explicou o senador Hiran Gonçalves (PP-RR).
Situação similar ocorre com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, cuja indicação foi uma escolha pessoal do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o que o excluí da ordem de desembarque do governo federal.
Enquanto se afastam do governo Lula, PP e União Brasil articulam para que o ex-presidente Jair Bolsonaro apoie Tarcísio de Freitas como candidato presidencial em 2026, apesar da resistência de Bolsonaro em declarar apoio oficial para o próximo pleito.

