“Não é uma coisa racional”, diz o físico pop Leonard Mlodinow sobre apostar na loteria

Leonard Mlodinow é um divulgador da ciência. Seus livros explicam de forma acessível temas como a presença da aleatoriedade no dia a dia (O Andar do Bêbado, de 2008), o papel do inconsciente na tomada de decisão (Subliminar, de 2012) e a história da ciência (De Primatas a Astronautas, de 2005). Seu mais recente lançamento no Brasil, Elástico (Zahar), que chegou às livrarias em 2018, desvenda o mecanismo do cérebro responsável por pensar fora da caixa e se adaptar a um novo contexto. É o pensamento elástico, mais fundamental do que nunca para lidar com as revoluções cada vez mais rápidas da atualidade.
Nascido em Chicago de pais que foram sobreviventes de campos de concentração nazistas e se encontraram em Nova York, o autor descobriu a física nos anos 1970 durante uma estadia em um kibutz em Israel, por meio dos livros do físico americano Richard Feynman. Mlodinow esteve em Porto Alegre em maio para participar do 10° Fórum Instituto Unimed, ocasião em que recebeu o jornalista Fábio Prikladnicki do Zero Hora para uma entrevista.
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Recentemente, a Mega-Sena acumulou e ofereceu um prêmio recorde. Mas a chance de ganhar o prêmio máximo é de uma em 50 milhões. Qual a sua opinião sobre as loterias?
Não há nada de errado com a loteria se as pessoas não gastarem o dinheiro de sua comida. O problema é quando elas estão tão desesperadas e viciadas que não conseguem dar conta, como os viciados em jogos. Em O Andar do Bêbado, fiz uma pequena análise sobre a loteria. Descobri que, se você dirige, digamos, 2 milhas (3,2 quilômetros) até a loja onde compra o seu bilhete de loteria e depois dirige de volta para casa, sua chance de morrer nessa viagem é mais alta do que a chance de ganhar na loteria. Não é uma coisa racional. É como eu propor um jogo: se você vencer, ganhará US$ 100 milhões; se perder, você morre. Provavelmente as pessoas dirão que não querem jogar, mas isso é o que elas fazem quando apostam na loteria. No exemplo que dei, as chances de cada uma das coisas ocorrerem é bastante pequena, então é um jogo inofensivo. Falando de forma realista, a chance de ganhar na loteria é tão baixa que pode ser arredondada para zero. É algo como 0,000000001, que na verdade é zero. As pessoas não pensam dessa forma porque assistem ao vencedor na TV, e ele está feliz. Mas é tudo uma ilusão, porque não vai acontecer com você. Na TV, eles não mostram as pessoas chorando porque perderam R$ 10 ou R$ 100. São essas pessoas que deram dinheiro para quem ganhou. O pensamento mágico diz: “Eu serei o escolhido”. Há muitas questões psicológicas aqui. (Agência RBS)


