Nelson Motta volta a defender a legalização dos jogos

Blog do Editor I 01.03.19

Por: Magno José

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Através do artigo ‘Pelo amor de Deus!’ (leia no post abaixo) veiculado nesta sexta-feira (1º) pela editoria de Opinião do O Globo, o jornalista Nelson Motta voltou a criticar o atraso causado pela pauta de costumes ou agenda religiosa, que os católicos e evangélicos transformaram temas como a legalização do aborto, jogo, sexualidade, drogas, álcool, nudez, corrupção em pecados.

Motta destaca a influência da Igreja Católica na sociedade e o atraso provocado pela igreja na liberação da pílula anticoncepcional e do divórcio. “Agora é a vez dos evangélicos”.

Ainda segundo o jornalista “Joga-se em tudo no Brasil, bancado pelo Estado, ou dominado por gângsteres. Mas a liberação dos cassinos é tabu. Enquanto isso, outros países ganham dinheiro e mantêm o jogo sob controle rígido. E assim por diante, para trás.”
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‘O conservador e o atrasado’

No final de janeiro, o jornalista Elio Gaspari veiculou artigo no O Globo e na Folha de S.Paulo comentando que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gosta de relembrar uma cena na qual o historiador Sérgio Buarque de Holanda discutia o tamanho de algumas figuras do Império e ensinou: “Doutora, eles eram atrasados. Nós não temos conservadores no Brasil. Nós temos gente atrasada.”

Segundo o jornalista, “foi a gente atrasada que levou o Brasil a ser um dos últimos países a abolir a escravidão e a adotar o sistema de milhagem para os passageiros de aviões, deixando a rota Rio-São Paulo de fora. É a gente atrasada quem trava os projetos de segurança das barragens que tramitam no Senado, na Câmara e na Assembleia de Minas Gerais. Essa gente atrasada estagnou a economia durante o século XIX e no XX faliu as grandes companhias de aviação brasileiras. No XXI, produziu os desastres de Mariana e Brumadinho.”

Comento

Infelizmente, é essa gente atrasada que atrapalha, pois questões religiosas, políticas, ideológicas, acabam contaminando o debate sobre a legalização dos jogos no Brasil.

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Pelo amor de Deus!

Não podem impor, em nome do Estado, suas crenças religiosas

Nelson Motta*

A chamada pauta de costumes na verdade é uma agenda religiosa. Aborto, jogo, sexualidade, drogas, álcool, nudez, corrupção são alguns pecados católicos que também são condenados por evangélicos e em outras religiões. Para uns, como obra de satanás, e para outros, produto do livre-arbítrio.

O proibicionismo nasceu com pressões religiosas que mudaram o comportamento e o rumo da sociedade nos Estados Unidos quando foram proibidos a produção, a venda e o consumo de álcool de 1920 a 1933, com resultados desastrosos: corrupção generalizada e ascensão das grandes quadrilhas de contrabandistas e gângsteres como Lucky Luciano e Al Capone. E nunca se bebeu tanto.

É legítimo e democrático que um governo de maioria conservadora tenha sua pauta de costumes no Congresso; afinal, foram eleitos por evangélicos e católicos. Só não podem impor, em nome do Estado, suas crenças religiosas. O Estado é laico. Pero no mucho.

E tanto que a Igreja Católica teve, durante séculos, desmedida influência no poder e na sociedade brasileira. Atrasou dez anos a liberação da pílula anticoncepcional. Décadas para legalizar o divórcio. Agora é a vez dos evangélicos. Mas por que o Estado submeteria toda a população a preceitos, crenças e dogmas de qualquer religião? Em nome de Deus? Qual deles?

Quais os limites de intervenção do Estado na liberdade individual de comportamento que não fere direitos alheios? Fazem-se milhares de abortos por ano no Brasil, e só as mulheres pobres morrem. Joga-se em tudo no Brasil, bancado pelo Estado, ou dominado por gângsteres. Mas a liberação dos cassinos é tabu. Enquanto isso, outros países ganham dinheiro e mantêm o jogo sob controle rígido. E assim por diante, para trás.

Cabe ao Congresso legislar e ao Judiciário, julgar. A sociedade já escolheu seus representantes e tem cada vez mais canais de comunicação direta. Mas todo cuidado é pouco, não se sabe o que pode ser pior: uma direita religiosa e intolerante tomando o Estado ou uma esquerda populista, corrupta e irresponsável.

(*) Nelson Motta é jornalista e veiculou o artigo acima na editoria de Opinião do O Globo.

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