Patrocínios de bets caem na Série A após regulamentação e alta de impostos

Apostas I 28.02.26

Por: Magno José

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Reportagem do VALOR destaca que as empresas de apostas esportivas mudam estratégia e reduzem presença como patrocinadoras master de 18 para 13 times em 2026 e redistribuem verba para naming rights e embaixadores 

As empresas de apostas esportivas diminuíram a presença como patrocinadoras principais nos uniformes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Treze equipes da elite do futebol nacional contam com “bets” como parceiras master em 2026. O número caiu em relação a 2025, quando 18 dos 20 times exibiam casas de apostas na posição de destaque. As companhias do setor realocaram recursos para competições regionais, arenas multiuso, embaixadores e programas televisivos.

A mudança ocorre após período de forte concentração em patrocínios master dos clubes da primeira divisão, conforme informações do VALOR. As empresas direcionaram investimentos para diferentes frentes, incluindo patrocínio de arenas através de naming rights e ações relacionadas à Copa do Mundo de 2026, que será disputada no México, nos Estados Unidos e no Canadá.

A regulamentação do setor e o aumento da carga tributária sobre as empresas de apostas impulsionaram a readequação. A atividade das casas de apostas esportivas foi regulamentada no fim de 2023, após a legalização no país em 2018. Com a regulamentação, as empresas passaram a recolher mais impostos, reduzindo o montante disponível para publicidade.

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André Gelfi, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR)

André Gelfi, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), explicou que “o cobertor ficou mais curto porque uma parte maior está indo para o imposto, então sobra menos para o patrocínio”. Ele acrescentou que “as condições mudaram substancialmente [frente ao primeiro boom dos contratos de patrocínio], então eu acho que a gente está vendo essa correção.”

O ano de 2025 marcou o primeiro período em que a tributação passou a valer efetivamente. Naquele ano, o número de patrocínios master atingiu o ápice. Nesta temporada de 2026, após quatro rodadas do Brasileirão, o número caiu para 13 equipes.

O mercado de apostas no Brasil movimentou R$ 36,9 bilhões em receita bruta de jogos (GGR) no ano passado, segundo dados do Ministério da Fazenda. O GGR representa o lucro bruto do operador após o pagamento dos prêmios aos apostadores. Não há comparação com o ano anterior, pois 2025 foi o primeiro ano em que a tributação passou a valer.

No total, 25,2 milhões de pessoas registraram seus CPFs em sites de apostas. As diferentes casas somaram 100,7 milhões de contas ativas. O governo federal arrecadou R$ 4,5 bilhões em tributos, equivalente a 12% do GGR. Estimativas indicam que o mercado não legalizado tem aproximadamente o mesmo tamanho da parte autorizada a funcionar.

Atualmente, 80 “bets” têm operação autorizada no Brasil. No Reino Unido, são 253 empresas. Na Espanha são 77. Cerca de 80% das empresas de apostas no Brasil ainda operam no vermelho, com prejuízo.

O imposto direto sobre as “bets” vai subir dos atuais 12% para 15% do GGR em 2028. Há projeto no Congresso que pode elevar essa taxa para 18% do GGR em 2028. Somando Imposto de Renda, Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), PIS/Cofins e ISS, o percentual de taxação pode superar os 25% do GGR.

Gelfi acrescentou que atualmente no Brasil cerca de 80% das empresas de apostas ainda estão “com o nariz debaixo d’água”, alusão à operação ainda no vermelho, com prejuízo.

Pietro Cardia Lorenzoni, sócio do escritório Betlaw e diretor jurídico da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), afirma que já se observa um processo de consolidação no país. “Não me parece que o mercado brasileiro sustente 80 grandes empresas saudáveis, econômica e financeiramente”, diz. “As operações reguladas trazem desafio para essas empresas. O mercado vai afunilando.”

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Alexandre Fonseca, executivo-chefe (CEO) da Superbet

Alexandre Fonseca, executivo-chefe (CEO) da Superbet, diz que a parceria com clubes de futebol continuará sendo importante para a indústria. “Só que o futebol também se tornou um ativo extremamente caro, muito focado em construção de marca, reputação e credibilidade”, diz o executivo da Superbet, que patrocina Fluminense e São Paulo.

Fonseca apontou que parte da redução do número de “bets” como patrocinadoras na Série A do Brasileirão pode estar relacionada à Copa do Mundo de 2026. “As marcas acabam tendo que fazer uma escolha entre ter alguma relevância na Copa do Mundo ou investir no patrocínio master de clubes”, afirmou o executivo.

Guilherme Figueiredo, diretor de relações institucionais da Betano no Brasil, destacou que várias normas foram criadas a partir da regulamentação. Ele citou especificamente a regra de 2024 que proibiu as empresas de investirem em propaganda os valores depositados pelos clientes, mas ainda não revertidos em apostas.

Figueiredo ressaltou que as empresas maiores, com capital estrangeiro, como é o caso da Betano, não realizavam tal prática. Entretanto, várias companhias menores usavam todos os recursos disponíveis nas contas para contratar publicidade. “Quando chega a regulamentação, os contratos de patrocínio começam a ser ajustados para um valor mais adequado, mais próximo da realidade”, disse.

Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, fundador e conselheiro da Ana Gaming, holding que gere as marcas 7K Bet, Cassino Bet e Vera Bet, afirmou que o patrocínio esportivo segue estratégico para o setor. “Com a regulamentação avançando e o setor se profissionalizando, há um processo natural de ajuste”, disse o executivo da Ana Gaming, cuja marca 7K Bet patrocina o Vitória e o Campeonato Paulista.

Diego Bittencourt, diretor de marketing da Start Bet, explicou que a redução na Série A não significa menos investimento no esporte, mas sim uma redistribuição de verba. “Muitas vezes, o valor de uma cota master em um clube de elite pode ser revertido em naming rights de competições regionais, embaixadores estratégicos ou programas de TV, que oferecem frequência de exposição e profundidade de conteúdo muito maiores.”

 

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