Pesquisa Febraban: Maioria dos brasileiros admite entender pouco de educação financeira, mostra pesquisa

A Febraban divulgou nesta segunda-feira (21) a 17ª edição da pesquisa Observatório Febraban feita pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) para a entidade e constatou que a maioria dos brasileiros admite entender pouco de educação financeira. Mesmo com atenção ao controle de gastos, o levantamento revela que, a população sente na pele o impacto das dívidas, preocupa com as apostas online ou bets e afirma a falta de preparo para lidar com golpes financeiros.
A maioria dos brasileiros (55%) admite que entende pouco (40%) ou nada (15%) de educação financeira, embora quase todos reconheçam a importância do tema para a vida pessoal e profissional.
Mesmo sem domínio técnico, os brasileiros afirmam manter atenção com as finanças pessoais: 56% dizem acompanhar de perto o orçamento familiar e 20% demonstram algum controle. Mas o cenário não é fácil, já que 39% afirmam estar atualmente endividados. Entre eles, 77% dizem que a situação afeta diretamente sua saúde emocional ou qualidade de vida.
Endividamento das famílias
Esta edição do Observatório faz ainda um panorama do endividamento das famílias. Um contingente de 39% dos respondentes afirma estar atualmente endividado. Entre estes, 23% acreditam que terminarão 2025 mais endividados do que estavam no final do ano passado e 48% esperam reduzir seu nível de endividamento.
“Educação financeira e endividamento são temas afins: a dificuldade de controlar gastos leva muitas pessoas a contraírem dívidas para cobrir despesas e imprevistos. No entanto, o mesmo contexto de desorganização financeira aumenta o risco de inadimplência”, afirma o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.
Mas o brasileiro tem uma visão restrita do tema, pois para quase metade dos entrevistados (47%), o termo “educação financeira” está associado principalmente à gestão cotidiana do orçamento doméstico, ou seja, ao planejamento e controle de receitas e gastos. “Aspectos relacionados à gestão e formação do patrimônio, proteção contra imprevistos e estratégias de investimento aparecem com menor destaque nas respostas”, aponta Lavareda.

Bets
As apostas online, popularmente conhecidas como Bets, têm ganhado espaço no cotidiano dos brasileiros e, com isso, ampliado o debate sobre seus impactos no orçamento das famílias, registra o texto do resultado da pesquisa.
No tópico ‘Hábitos Financeiros Pessoais’, a pesquisa abordou a ‘Percepção superlativa sobre impacto negativo das Bets no orçamento das famílias brasileiras’ e o resultado revela que a ampla maioria da população avalia o impacto das Bets nas finanças das famílias como muito negativo ou negativo. Mas também tem um dado positivo.

Segundo a entidade, as apostas online, as Bets, têm ganhado espaço no cotidiano dos brasileiros e, com isso, ampliado o debate sobre seus impactos no orçamento das famílias. O levantamento mostra que a ampla maioria da população (81%) avalia o impacto das Bets nas finanças das famílias como muito negativo (50%) ou negativo (31%). A experiência negativa direta ou indireta com Bets está presente para 37% dos entrevistados, que relatam conhecer alguém próximo ou terem sido pessoalmente prejudicados por apostas online (seriamente: 22%; 15% não seriamente).
Essa percepção negativa perpassa todos os segmentos e regiões. Porém, experiências negativas com prejuízo grave mostraram-se mais recorrentes entre os jovens de 18 a 24 anos (34%).
O dado positivo e contraditório do 17º levantamento Observatório Febraban, pesquisa Febraban-IPESPE é quando os entrevistados são perguntados se ‘O(a) Sr(a) se prejudicou pessoalmente ou conhece alguém próximo que tenha se prejudicado financeiramente por causa de apostas nas Bets?’, 59% responderam que ‘Não se prejudicou e não conhece alguém próximo que tenha se prejudicado’.
Apenas 22% dos entrevistados afirmaram que prejudicou ou conhece alguém próximo que tenha se prejudicado seriamente e 15% se prejudicaram ou conhecem alguém próximo que tenha se prejudicado, mas não seriamente. Não sabe e não respondeu foram 4%.

Golpes
A pesquisa também mostra que a educação financeira contribui para aumentar a consciência sobre golpes ou tentativas de golpes. Ela abrange a percepção dos brasileiros sobre esse tipo de crime e aponta que 39% dos brasileiros afirmam já ter sido vítimas de algum tipo de golpe ou tentativa de golpe envolvendo sua conta bancária. O levantamento indica, ainda, a relação dos golpes mais praticados.
Metodologia
Realizada entre os dias 12 e 26 de junho de 2025, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do País, a pesquisa investigou o que os brasileiros entendem por educação financeira, como veem o nível de educação financeira no país, quais fontes de informação utilizam sobre finanças, o papel do planejamento financeiro na realização de projetos pessoais e práticas relacionadas. O levantamento também pode ser lido por regiões do país, estratos socioeconômicos, idade e escolaridade dos entrevistados.
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A íntegra do 17º levantamento Observatório Febraban, pesquisa Febraban-IPESPE pode ser acessada neste link.


