Pesquisa revela que maioria dos brasileiros acreditam que apostas aumentam risco de manipulação no futebol

Apostas I 22.07.26

Por: Magno José

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Pesquisa revela que maioria dos brasileiros acreditam que apostas aumentam risco de manipulação no futebol
Levantamento da More in Common e Ipsos-Ipec entrevistou 2 mil pessoas em 130 municípios durante a Copa do Mundo revela preocupação generalizada com a integridade do esporte

Vídeos que circularam na Copa do Mundo com acusações contra Vinicius Junior, ainda sem provas, deram contorno ao que a pesquisa traduz em números: a desconfiança dos brasileiros em relação ao impacto das apostas esportivas no futebol atingiu um patamar generalizado. Para 58% dos entrevistados em levantamento realizado entre 4 e 8 de julho de 2026, as bets aumentam o risco de manipulação de resultados no esporte.

A pesquisa é a primeira conduzida pela More in Common em parceria com a Ipsos-Ipec com foco no impacto esportivo das apostas online. Realizada durante a Copa do Mundo, ela ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios de todas as regiões do país, com população de 16 anos ou mais, e tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

Temor de manipulação

A percepção de risco não é homogênea, mas é ampla. Dos 72% que veem aumento de risco, 58% afirmam que as apostas elevam muito a probabilidade de manipulação, e 14% consideram que o risco sobe um pouco. Apenas 10% descartam qualquer relação entre bets e manipulação. Os outros 18% não souberam ou não quiseram responder.

Esse temor tem lastro em casos de grande repercussão. Bruno Henrique, do Flamengo, foi acusado de forçar um cartão numa partida contra o Santos em 2023. Lucas Paquetá, do West Ham, teria forçado cartões em jogos de 2022 e 2023. Eduardo Bauermann, na época no Santos, é investigado por supostamente ter recebido dinheiro para forçar uma falta com cartão numa partida contra o Avaí, também em 2022. Já na Copa do Mundo em curso, vídeos viralizaram nas redes sociais com acusações, sem provas, de que Vinicius Junior teria deixado de bater o primeiro pênalti numa disputa contra a Noruega para favorecer apostadores.

A distribuição demográfica dos resultados revela padrões. Homens e pessoas com renda familiar acima de 5 salários mínimos têm mais propensão a enxergar o risco de manipulação. Mulheres, idosos e pessoas com ensino fundamental incompleto ou completo concentram a maior parcela dos que não responderam ou não souberam opinar. Brancos e negros registram níveis equivalentes de desconfiança.

O custo do patrocínio

A pesquisa apresentou aos entrevistados um trade-off direto: as bets devem ser permitidas porque ajudam financeiramente os clubes, ou proibidas porque prejudicam torcedores e famílias? A resposta foi clara: 68% optaram pela proibição; 19% defenderam a permissão.

O peso financeiro envolvido é considerável. Na temporada 2025, 18 dos 20 clubes da Série A tinham casas de apostas como patrocinadores master, com investimento total de R$ 1,2 bilhão. Apesar disso, a maioria dos brasileiros considera que o benefício aos clubes não compensa o dano social.

A rejeição ao patrocínio atravessa diferentes perfis religiosos e raciais, com evangélicos, pessoas sem religião ou não cristãs e grupos raciais distintos apresentando índices semelhantes de oposição. No recorte político, eleitores de Flávio Bolsonaro registraram maior propensão tanto a rejeitar o patrocínio quanto a acreditar no risco de manipulação, em comparação com eleitores de Lula.

Forte oposição

Pablo Ortellado, diretor-executivo da More in Common Brasil, destaca o caráter transversal do resultado: “Sucessivas pesquisas vêm mostrando que a maior parte dos brasileiros se preocupa com a maneira como o vício e o endividamento decorrente das apostas esportivas prejudicam as famílias.”

Ortellado ressalta ainda o que a pesquisa acrescenta ao debate já em curso: “A pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec aborda pela primeira vez o problema do ponto de vista do impacto esportivo.” Para ele, “uma ampla maioria acredita que as apostas aumentam o risco dos resultados esportivos serem manipulados; 58% acreditam que aumentam muito o risco de manipulação.”

O padrão demográfico do consenso, segundo o pesquisador, confirma a uniformidade da preocupação: “O consenso em torno do impacto negativo das bets varia pouco demograficamente.”

A More in Common é uma organização apartidária e sem fins lucrativos que estuda polarização política em sete países, incluindo o Brasil, com foco no fortalecimento da democracia e na promoção da coesão social.

A pesquisa utilizou amostragem por conglomerados em três estágios, com cotas de sexo, idade, escolaridade, raça e cor e atividade, calibradas pelo Censo 2022 e pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2024.

 

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