Polícia Civil desarticula esquema de lavagem de dinheiro do tráfico com bets ilegais

Apostas I 19.03.26

Por: Magno José

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Polícia Civil desarticula esquema de lavagem de dinheiro do tráfico com bets ilegais
Operação Resina Oculta cumpre 41 mandados de busca e 9 de prisão em DF, Goiás, Maranhão e Amazonas. Esquema movimentou R$ 30 mi em 45 dias usando 15 plataformas ilegais de apostas e empresas fantasmas; frentista de 19 anos aparecia como dono de 10 companhias no esquema

A Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Resina Oculta nesta quinta-feira (19/3). A ação desarticulou uma organização criminosa que combinava tráfico de drogas com lavagem de dinheiro por meio de empresas fantasmas e plataformas ilegais de apostas. Policiais cumpriram 41 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão no Distrito Federal, Goiás, Maranhão e Amazonas.

O grupo utilizava empresas de fachada e bets clandestinas para ocultar recursos da venda de haxixe, skunk e cocaína. Segundo informações da Coluna Carlos Carone no Metrópoles, a operação revelou um esquema sofisticado que destacou a operação ilegal de apostas esportivas e jogos online como ferramenta central de lavagem de dinheiro. O Judiciário determinou o bloqueio de contas bancárias de 50 pessoas jurídicas, com limite de até R$ 15 milhões por empresa. Sete veículos de luxo foram sequestrados. Doze pessoas físicas também tiveram contas bloqueadas.

Apreensão de drogas iniciou investigação em outubro

A investigação começou em 9 de outubro de 2025. Policiais apreenderam 47,4 quilos de haxixe e 877 gramas de skunk em um apartamento desocupado no Riacho Fundo. O caso revelou uma rede interestadual de tráfico e ocultação de capitais.

Técnicas de inteligência permitiram mapear o fluxo financeiro da organização. Cruzamento de dados e análise financeira identificaram remessas milionárias enviadas regularmente para a região Norte. Cidades próximas a áreas de fronteira, especialmente Manaus, foram apontadas como destinos dos recursos.

Rede operava centro de distribuição na capital

Quatro pessoas foram identificadas como responsáveis diretas pela recepção e distribuição de drogas na capital federal. O grupo concentrava grandes volumes de entorpecentes antes de redistribuí-los para traficantes de menor escala. Os revendedores realizavam a venda ao consumidor final em diferentes regiões do DF e Entorno.

A organização estruturou um sistema de lavagem que utilizava empresas fantasmas registradas em nome de terceiros. Plataformas ilegais de apostas on-line e perfis em redes sociais também foram usados para movimentar recursos ilícitos. A estrutura criminosa atuava como centro de distribuição de drogas no Distrito Federal e Entorno, abastecendo traficantes de diversas regiões.

Núcleos criminosos atuavam em quatro estados

A estrutura da organização era dividida em núcleos operacionais. São Luís funcionava como centro de passagem de recursos. Empresas registradas na capital maranhense eram responsáveis por movimentações milionárias.

Manaus abrigava um núcleo operado por três mulheres com suposta ligação com o Comando Vermelho. O grupo realizava a pulverização de valores para dificultar o rastreamento. Goiânia servia como base de operação de um jovem frentista utilizado como “laranja” para movimentação de dinheiro.

Empresário maranhense tinha 22 CNPJs e movimentou R$ 30 milhões

Mais de 20 empresas foram identificadas em São Luís como peças fundamentais na lavagem de dinheiro. Um empresário local possuía 22 CNPJs registrados em seu nome. Uma única empresa movimentou aproximadamente R$ 30 milhões em apenas 45 dias.

Diligências de campo revelaram endereços residenciais comuns e imóveis sem qualquer atividade comercial. Em vários locais, moradores sequer conheciam as empresas registradas. Os elementos reforçam o uso dessas companhias como instrumentos para dar aparência legal a dinheiro ilícito. Diversas empresas registradas no esquema não possuíam funcionamento real, operando apenas no papel para dar aparência de legalidade ao dinheiro do tráfico.

Jovem frentista de 19 anos era proprietário de 10 empresas

Um jovem de 19 anos, morador da periferia de Goiânia, trabalhava formalmente como frentista em um posto de combustíveis. Yago César dos Santos Ferreira figurava como proprietário de 10 empresas utilizadas para movimentar grandes quantias em dinheiro vivo.

Apesar da baixa renda declarada, suas empresas estavam diretamente ligadas ao fluxo financeiro da organização criminosa. Morador de uma comunidade periférica da capital goiana, ele está no centro de uma investigação que revelou um esquema milionário. O caso exemplifica o uso de “laranjas” para ocultar os verdadeiros beneficiários do esquema. Para a polícia, ele atuava como “laranja”, ocultando os verdadeiros responsáveis pelo esquema financeiro da organização criminosa.

Loja de sapatos com 50 mil seguidores ocultava lavagem de dinheiro

Uma mulher moradora de Manaus utilizava uma loja de sapatos e sandálias para justificar movimentações financeiras suspeitas. A loja possuía mais de 50 mil seguidores nas redes sociais. Ela ostentava uma vida de luxo publicamente.

Segundo a investigação, a mulher desempenhava papel relevante no esquema. Apresentando-se como empresária e influenciadora digital, ela lavava dinheiro proveniente do tráfico de cocaína e haxixe por meio do perfil comercial.

Quinze plataformas de apostas ilegais foram mapeadas

Ao menos 15 empresas ligadas a “bets” foram mapeadas. Nenhuma delas possuía autorização formal para operar. As empresas eram clandestinas e sem expressão no mercado de apostas virtuais. Os investigadores não revelaram o nome das plataformas suspeitas.

Muitas utilizavam redes sociais para promover jogos populares, como o chamado “tigrinho”. As plataformas atraíam milhares de usuários em todo o país. Elas funcionavam como máquinas de lavagem de dinheiro, simulando atividades legais enquanto movimentavam recursos ilícitos.

O sistema permitia circulação rápida de grandes quantias e fragmentação de valores. A pulverização dificultava o rastreamento dos recursos e ocultava a identidade dos beneficiários. Parte dessas operações estava associada a fraudes virtuais. Os valores eram enviados para diferentes estados, especialmente para a região Norte, e pulverizados por meio de empresas de fachada.

Mandados atingem 29 pessoas adicionais no DF e Entorno

As investigações apontaram que pelo menos 29 pessoas adicionais ligadas ao tráfico no DF e Entorno utilizavam o mesmo sistema financeiro para ocultação de valores. Mandados foram expedidos contra esses investigados.

A Operação Resina Oculta revelou uma organização criminosa altamente estruturada, que unia tráfico de drogas, empresas de fachada e tecnologia digital para movimentar milhões em todo o país — tendo como uma de suas figuras mais emblemáticas um jovem frentista que, no papel, era dono de um verdadeiro império empresarial.

As investigações continuam. Novas fases da operação não estão descartadas, e novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias.

 

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