Proibição das apostas online coloca em risco financiamento para segurança pública

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de legislação para proibir as apostas esportivas e jogos online no Brasil. A declaração foi feita neste sábado (8/3), véspera do Dia Internacional das Mulheres, durante pronunciamento em rede nacional pela TV e rádio. A manifestação presidencial provocou reações imediatas de operadores do mercado regulado de apostas online.
Especialistas alertam que a medida pode representar a perda de receita de R$ 14,45 bilhões em impostos e benefícios legais. Clubes da Série A perderiam R$ 1,1 bilhão. Cerca de 40 mil empregos estariam em risco. A proibição poderia fortalecer o crime organizado e apostas em plataformas ilegais.
Fundos de segurança deixariam de receber bilhões
A segurança pública seria uma das áreas diretamente afetadas pela eventual proibição das apostas online. Em 2025, as apostas esportivas e jogos online destinaram para a Segurança Pública R$ 614.368.595,12 e para o Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-fim da Polícia Federal – FUNAPOL R$ 25.116.850,24.
A PEC da Segurança Pública (PEC 18/25) aprovada pela Câmara dos Deputados e que será analisada pelo Senado definiu que o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e o Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) receberão 30% do produto da arrecadação da loteria de apostas de quota fixa em meio fixo ou virtual.
O texto prevê que os fundos receberão valores recuperados, apreendidos, confiscados ou objeto de perdimento definitivo em razão da exploração ilegal das apostas de quota fixa. Utilizando como cálculo a arrecadação dos beneficiários legais de 2025, os fundos perderiam uma arrecadação mínima de R$ 1,35 bilhão.
Essa medida visa fortalecer o combate a milícias, financiar a modernização tecnológica/bélica e garantir pisos salariais para profissionais da segurança.
Pesquisas internas do PT mostram aumento da preocupação com segurança
Trackings recentes do PT trouxeram dados sobre a percepção da população em relação à segurança pública. O levantamento recebido pela sigla no sábado (7/3), ao qual a coluna Igor Gadelha no Metrópoles teve acesso, apontou uma tendência de alta na preocupação dos entrevistados em relação à segurança pública.
Segundo a pesquisa, em uma escala de 0 a 100, a preocupação com segurança está em 54,6%. O percentual só não supera a “corrupção”, com 58,1%, mas em trajetória de queda.
De acordo com o tracking recebido pelo PT no fim de semana, a situação econômica e os preços estão em 19,4% na escala. “Economia e inflação” ocupam a terceira posição entre as preocupações dos entrevistados.


