Psiquiatras discutem abordagens e formas de tratamento para jogo patológico ou compulsivo

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Psicólogos, estudantes de psicologia, psiquiatras, residentes em psiquiatria, terapeutas ocupacionais e demais profissionais da área estarão reunidos em São Paulo, em abril, para o VIII Curso de Transtorno de Controle do Impulso, ministrado por alguns dos maiores professores e especialistas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP.

Um dos temas do evento será o Jogo Patológico, ou seja, o jogador compulsivo, que possui dependência ou vicio em apostas. O distúrbio atinge cerca de 2% da população ao longo da vida. A dependência de jogos de azar é a terceira mais comum, atrás apenas do álcool e tabaco.

Segundo o professor Hermano Tavares, a pessoa pode ser diagnosticada como jogador compulsivo quando apresenta os seguintes comportamentos: perde o controle das apostas; aumenta o número ou o valor das apostas para sentir mais emoção; tenta parar mas fica triste e inquieto; joga para tentar recuperar perdas anteriores em novas apostas, e finalmente persiste jogando mesmo diante do acúmulo de problemas familiares, financeiros e pessoais.

"Há muito que a família pode fazer, mas a motivação deve ser estimulada no paciente, através de uma abordagem adequada, que será apresentada no curso", explica Professor Hermano. O tratamento normalmente promove princípios comuns do tratamento de dependências como intervenção motivacional, estímulo para abstenção e tratamento das condições emocionais associadas (outras dependências como tabaco, álcool, depressão, ansiedade), além da prevenção de recaídas.

Ainda segundo o especialista, hoje em dia é possível desenvolver o tratamento farmacológico para redução da vontade de jogar, com medicamentos próprios para essa finalidade.

O Curso, que também pode ser feito online, visa ajudar o profissional na identificação dos transtornos psiquiátricos relacionados ao controle do impulso e no desenvolvimento de propostas terapêuticas específicas para os diferentes transtornos. "Infelizmente, no Brasil temos apenas quatro centros de tratamento: dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e outro em Porto Alegre. Precisamos disseminar o conhecimento e alcançar pacientes distantes com qualidade no atendimento", alerta o especialista.

"O jogo patológico ou compulsivo é uma condição grave, associada ao alto risco de suicídio, entretanto tratável e de bom prognostico", conclui o professor Hermano Tavares.  Informações no site do Departamento de Psiquiatria da USP.

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