Quais são os setores em que o Vaticano é proibido de investir dinheiro?

BNL I 27.07.22

Por: Magno José

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A Santa Sé atualizou e endureceu as suas políticas para impedir qualquer investimento contrário à doutrina católica

Existem setores da economia nos quais o Vaticano é proibido de investir dinheiro, assim como há setores que, mesmo não sendo proibidos, devem ser evitados ao máximo pela Administração do Patrimônio da Sé Apostólica.

A Santa Sé atualizou recentemente as suas políticas de investimento, tornando-as mais rígidas a fim de impedir qualquer operação financeira que envolva projetos e setores contrários à doutrina católica.

O critério reforçado é que todos os investimentos da Santa Sé estejam “alinhados com os ensinamentos da Igreja Católica, com exclusões específicas para investimentos financeiros que contrariem os seus princípios fundamentais, como a santidade da vida, a dignidade do ser humano e o bem comum”.

Os investimentos da Santa Sé devem ser feitos pela própria Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA), bem como supervisionados por um comitê constituído por quatro pessoas e presidido pelo cardeal Kevin Farrell. O comitê deverá prestar contas detalhadas do uso do dinheiro.

Investimentos proibidos

A APSA reiterou que, na política vaticana de investimentos, é terminantemente proibido investir em qualquer produto ou serviço relacionado com: pornografia, prostituição,    jogos de azar, indústria armamentista e de defesa, clínicas e instituições de saúde pró-aborto, laboratórios ou empresas farmacêuticas que fabricam contraceptivos e/ou trabalham com células-tronco embrionárias.

Já os setores que não são estritamente proibidos, mas que devem ser evitados, são: petróleo, mineração, energia nuclear e bebidas alcoólicas.

Em 2021, a Santa Sé sofreu acusações de ter investido cerca de 24 milhões de euros em um fundo que estava ligado a ações de empresas farmacêuticas envolvidas na fabricação da assim chamada “pílula do dia seguinte”, que é uma droga explicitamente abortiva.

Embora obviamente não fosse um investimento direto, ainda assim a Santa Sé revisou minuciosamente os fundos de investimento em questão a fim de certificar-se de que nenhum deles tivesse vínculos com atividades incompatíveis com a doutrina católica.

O escândalo do imóvel de Londres

Os mesmos cuidados devem ser aplicados também para evitar investimentos especulativos, como ocorreu com o polêmico imóvel adquirido na Sloane Avenue de Londres.

Em 2020, o financista Gianluigi Torzi, que atuou como intermediário para devolver à Secretaria de Estado vaticana a propriedade de um imóvel em Londres, foi preso na Cidade do Vaticano sob acusações de extorsão, lavagem de dinheiro e fraude. (Aleteia)

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