Reinaldo Carneiro Bastos alerta sobre apostas esportivas entre atletas da base

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), iniciou campanha para reeleição ao cargo que ocupa desde 2015. O dirigente de 72 anos começou neste mês de janeiro a articular sua permanência no comando da entidade estadual. Caso seja reeleito, Bastos poderá completar 14 anos à frente do futebol paulista.
A movimentação do dirigente ocorre em um momento crucial para o esporte, especialmente no que diz respeito às apostas esportivas, tema que tem ganhado relevância crescente no cenário futebolístico brasileiro e impacta diretamente clubes, atletas e torcedores.
No ano passado, o presidente da FPF tentou expandir sua atuação para o cenário nacional ao buscar a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), seguindo caminho semelhante ao de Marco Polo Del Nero, seu antecessor. A tentativa, porém, não prosperou pela falta de apoio das federações estaduais necessárias para viabilizar sua candidatura.
Com a desistência de Bastos, Samir Xaud, representante da Federação de Roraima, foi eleito presidente da CBF. O mandatário paulista declarou que encerrou suas pretensões no futebol nacional: “Tenho 72 anos. Já contribuí como eu poderia.”
Em entrevista à Folha de S.Paulo no sábado (10), Bastos discutiu os impactos financeiros das alterações no calendário do futebol brasileiro para os clubes paulistas. Segundo ele, as mudanças representam perdas significativas para o futebol estadual.
“Em uma análise nua e crua diminui 25% a 30% da receita. Nosso trabalho é fazer com que esse percentual seja o menor possível”, explicou o presidente da FPF sobre os desafios financeiros enfrentados pelo futebol paulista.
Quando questionado sobre as medidas da federação contra racismo, homofobia e outras formas de intolerância, Bastos destacou ações educativas. Ele afirmou que a entidade investe em informação, diálogo e palestras nos clubes, principalmente com atletas das categorias de base.
Durante esse trabalho educacional, o presidente da FPF identificou uma questão preocupante: “A gente tem conversado muito com os meninos da base, e sabe o que nós descobrimos? Que os meninos da base não sabem que a legislação proíbe e pode gerar suspensões enormes por fazer apostas esportivas.”
Sobre o combate às apostas ilegais, Bastos esclareceu que o papel da FPF e da CBF vai além da educação. Ele explicou que os atletas raramente se registram diretamente nas casas de apostas usando seus próprios documentos, pois isso configuraria confissão de irregularidade.
O dirigente identificou que um dos principais desafios está nas relações pessoais dos jogadores: “A maior dificuldade é o amigo dele que está passando por dificuldade e pede para ele forçar um cartão amarelo nos últimos cinco minutos do jogo. Então, a gente vai ter que começar a conversar, dialogar e explicar que existem outras formas de ajudar o amigo.”


