Seria oportuno apresentar o Brasil real ao jornalista que escreveu o editorial do Estadão

Apostas, Opinião I 16.03.23

Por: Magno José

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De linha editorial contrária a legalização, jornal paulista defende que os jogos sejam mantidos na ilegalidade ao afirmar que o “cenário de apostas pela internet reforça a importância de não legalizar o jogo”

Seria oportuno apresentar o Brasil real ao jornalista que escreveu o editorial veiculado pelo O Estado de S.Paulo desta quinta-feira (16). Todas as vezes que a legalização dos jogos volta a pauta do Congresso e da sociedade, o jornal O Estado de São Paulo publica um editorial contrário ao processo. Nesta quinta-feira (16), a opinião manifestada no texto ‘ O jogo ainda é ilegal no Brasil’ não foi diferente.

O jornal paulista, que sempre se coloca com frequência na vanguarda do atraso e do conservadorismo, emite a seguinte opinião ao final do texto:

“A Lei 13.756/18 é ruim e mal redigida. De toda forma, ela não autoriza o que essas empresas de apostas situadas no exterior vêm fazendo no Brasil. Além de revelar a voracidade do setor e seu baixo compromisso com a lei, esse cenário de apostas pela internet reforça a importância de não legalizar o jogo. Se é assim antes de liberar, o que será depois?”

A pergunta que fica é: em que país vivem os editores do Estadão?

Infelizmente, o conceito “esse cenário de apostas pela internet reforça a importância de não legalizar o jogo” é o pensamento conservador que habita o cérebro dos atores contrários a legalização dos jogos, que preferem que o país mantenha esta atividade proibida. O problema é que a ‘indústria da proibição’ é uma atividade muito lucrativa e é preocupante esse lobby escancarado para manter esta atividade na clandestinidade. O mercado de jogos no Brasil é vítima da hipocrisia de alguns atores políticos conservadores e de parte da imprensa, como a opinião do Estadão, que contaminam a sociedade.

A ‘indústria da proibição’ é uma atividade muito lucrativa e é preocupante que entidades, evangélicos, católicos e, até mesmo, uma frente parlamentar contrária a legalização dos jogos liderem o lobby para manter esta atividade na clandestinidade.

Sabemos que toda proibição é discutível e quase sempre inútil, pois nada resolve, como não resolveu nos Estados Unidos, a proibição de fabricação e comércio de bebidas alcoólicas com a edição da Lei Seca. Mesmo de tradição religiosa (78,4% da população é cristã e 51% da população são evangélicos), os norte-americanos legalizaram e acolheram o jogo no seu sistema jurídico, porque perceberam que existindo demanda ‘alguém’ vai prestar este serviço.

A proibição do jogo de azar no Brasil também não resolveu o problema das diversas modalidades não reguladas, que movimentam bilhões de reais e que poderiam paga impostos e contribuir para as boas causas para a sociedade definidas pelo Estado.

O Brasil tem a maior oferta de jogos não regulados do mundo através das operações de bingos, salas de máquinas, jogos de cassinos online, jogo do bicho e cassinos e das apostas esportivas, que estão na zona cinzenta.

Cerca de 26% (mais de 2 bilhões de pessoas) da população mundial joga com frequência e 17% (1,3 bilhão) apostam online. Quem quiser jogar e apostar, e não puder fazê-lo de acordo com a lei, irá buscá-lo no mercado paralelo, pois sempre haverá um ‘empreendedor’, para dar à sociedade o que a sociedade desejar.

Tem uma frase do juiz da Suprema Corte Americana, Louis Brandeis que ilustra muito bem a questão da legalização de todas as modalidades de jogos operadas atualmente no país: “A luz do sol é o melhor desinfetante”.

 


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