Spotify exclui 500 mil execuções de música após uso de bots em ranking

O Spotify excluiu mais de 500 mil reproduções da canção “Earrings”, do cantor americano Malcolm Todd, após identificar que o salto nas execuções da faixa foi gerado por bots. A música havia chegado ao primeiro lugar do ranking diário de faixas mais reproduzidas na plataforma nos Estados Unidos.
Segundo o Financial Times, o número de reproduções de “Earrings” cresceu 70% entre a noite de domingo (29) e a manhã de segunda-feira (30), levando a faixa, lançada originalmente em 2024, ao topo da parada. A investigação aberta pelo Spotify concluiu que programas automatizados foram usados para executar a música repetidamente e inflar artificialmente sua popularidade.
O episódio está relacionado a apostas suspeitas na plataforma de mercado de previsões Kalshi. Na semana anterior à segunda-feira, apostadores que previam que Todd teria uma música no primeiro lugar do Spotify nos Estados Unidos em junho obtiveram retorno de aproximadamente 20 vezes o valor investido. Quando o Spotify corrigiu os dados e divulgou a versão atualizada do ranking na quarta-feira (1º), a música caiu para a quarta posição. A Kalshi, porém, já havia pagado os apostadores que acertaram o resultado, considerado altamente improvável.
Pedido às plataformas de apostas
Após identificar a manipulação, o Spotify entrou em contato com a Kalshi e com a Polymarket e pediu que as duas empresas removessem o logotipo da plataforma de streaming de suas interfaces. A empresa também solicitou que ambas esclarecessem publicamente que não mantêm nenhuma parceria com o Spotify.
Elisabeth Diana, porta-voz da Kalshi, afirmou que a empresa está investigando o caso. “Estamos em contato com o Spotify e investigando ativamente essa questão”, declarou.
Em comunicado enviado à rede CBS News, um porta-voz do Spotify afirmou que todos os serviços de streaming enfrentam tentativas constantes de manipulação de reproduções. “O Spotify conta com sistemas de detecção e mitigação considerados referência no setor para identificar streams manipulados e não paga royalties associados a essas reproduções”, diz a nota.
O Financial Times destacou que não há qualquer indício de que Malcolm Todd ou sua equipe tenham participado da tentativa de manipular a audiência da música.
Expansão dos mercados de previsão
O caso ocorre em meio à preocupação crescente com os mercados de previsão, como os operados por Kalshi e Polymarket, e o risco de que sua expansão abra novas frentes para uso de informação privilegiada e manipulação de mercado. A CFTC, agência reguladora do governo dos Estados Unidos responsável por supervisionar esse setor, já viu o segmento atrair bilhões de dólares em investimentos de capital de risco.


