Steve Wynn: “Os cassinos são todos iguais”

Cassino I 19.08.16

Por: sync

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Steve Wynn apresentou esta semana o complexo aos jornalistas e revelou que, no futuro, poderá juntar-lhe um jardim botânico nos terrenos de duas fases contíguas que estão ainda por desenvolver

A menos de uma semana de abrir ao público as portas do novíssimo Wynn Palace, o mais recente resort do Cotai, Steve Wynn mostrou-se entusiasmado. O magnata do jogo garantiu que o seu novo complexo assume por inteiro a mudança de paradigma em que Macau está a embarcar ao atribuir maior importância à componente extrajogo do negócio. “Os casinos são locais passivos, não têm força, são todos iguais. O que é dinâmico neste negócio são as coisas que estão para além do jogo”, defende.

O desequilíbrio que Macau estava habituado a viver, com uma cachoeira de dinheiro a verter de um sobre dimensionado mercado de apostas VIP, estava longe de ser um panorama realista a longo prazo e o patrão da Wynn prefere deixar de olhar para o passado e abraçar a nova realidade de um mercado também promissor e que interessa explorar, como deixou claro, numa conferência de imprensa realizada no novo empreendimento. “As pessoas estão dispostas a atravessar o mundo para desfrutar de uma experiência de consumo comparável à da Quinta Avenida [em Nova Iorque], da Bond Street [em Londres] ou da Avenida Montaigne [em Paris]. Macau está a esse nível agora. Esta cidade ficou tão diversificada como Las Vegas”, considera.

Com as flores e as obras de arte a assumirem um papel central no novo complexo, que será inaugurado na próxima segunda-feira, o multimilionário de Las Vegas garante que pretende criar nos visitantes uma experiência para recordar e o desejo de voltar.

O que falta em Macau

Para ficar completa essa experiência, observa, faltam ainda algumas obras que já não dependem do grupo Wynn, mas do Governo de Macau. Quando ficar pronto o metro ligeiro de superfície, por exemplo, haverá uma estação que irá desembocar justamente no sítio onde se poderá apanhar a gôndola para dentro do cassino. “A ponte e o metro estão um pouco atrasados, mas estão a ser feitos. Por qualquer razão, as obras públicas são sempre mais demoradas do que as privadas. É um processo diferente. Mas eles estão a fazê-lo”, observou.

O magnata aproveitou para fazer uma breve referência a problemas que perduram na cidade, nomeadamente a falta de um grande centro hospitalar e de um jardim botânico que, aliás, pode ser uma das opções para os dois lotes de terreno que a Wynn ainda tem para desenvolver na zona: “Estamos pensando nisso. Um jardim botânico encaixaria como uma luva na nossa temática floral, mas temos de estudar isso bem e ver o que faz mais falta a Macau”.

Sobre a capacidade da cidade em acolher um número maior de pessoas, que uma mudança de paradigma para o mercado de massas implica, Steve Wynn desdramatiza: “Lugares lotados são bons, são dinâmicos. Adoro congestionamentos. Significa mais pessoas a divertirem-se”.

A importância das mesas de jogo

Com uma área de 46 mil metros quadrados destinada ao cassino, o Wynn Palace vai contar, numa primeira fase, com 350 mesas de jogo – 100 novas mais 250 transferidas do Wynn Macau, o empreendimento da operadora na península. Do total, apenas 50 a 60 mesas ficarão afetas ao segmento VIP. Os números ficam bastante aquém do que a Wynn havia solicitado que fosse aprovado, mas o patrão da empresa mostra-se pouco preocupado com o facto.

“Se se confirmar que o número de mesas de jogo fica abaixo do necessário para atender à procura, isso será um problema feliz. Seria um óptimo sinal e espero que isso aconteça”, afirma, considerando haver por parte da imprensa “demasiado foco” no casino. O patrão da operadora garante ainda que a questão de quando o novo empreendimento começará a dar lucro não o mantém obcecado. “O que me está a perguntar é quando é que acha que eu vou recuperar quatro mil milhões de dólares?”, atirou entre risos ao jornalista que o colocou perante a questão. “Não sei. Nem me importa. O que sei é que, em 48 anos de experiência neste negócio, quando fazemos bem feito, o dinheiro toma conta de si próprio. Mas espero que o retorno seja bom, venha ele quando vier.”

O palácio das selfies

Há muito que Steve Wynn vinha avisando: o seu novo resort no Cotai – que custou 35 mil milhões de patacas a construir – vai ser uma “meca das selfies”. Com uma área hoteleira com espaço para 1706 quartos distribuídos por 28 andares, têm à frente um lago artificial circundado por teleféricos e por onde gôndolas de nove metros de comprimento e ar condicionado irão transportar os visitantes para o interior do resort.

Além da travessia de gôndola, o Wynn Palace conta com outras extravagâncias, como um opulento salão e um faustoso spa. As salas de apostas VIP terão varandas com vista para o lago, permitindo aos apostadores fazerem intervalos para irem lá fora fumar.

O resort conta ainda com instalações para reuniões e conferências e uma zona de mais de 18 mil metros quadrados por onde se distribuem lojas das mais afamadas marcas de luxo e um sortido de restaurantes para bolsos de todos os tamanhos.

Wynn, o apreciador de arte

Uma das componentes assumidamente marcantes do novo resort da Wynn foi o investimento em obras de arte, que ficarão à vista do público, e que poderá ter atingido os 250 milhões de dólares (dois mil milhões de patacas). Só pela obra “Tulipas” (na foto), uma escultura floral gigante em aço inoxidável, da autoria do artista conceptual norte-americano Jeff Koons, Wynn desembolsou 33,7 milhões de dólares (269,3 milhões de patacas).

Mas há mais: dois vasos chineses da dinastia Qing, terão custado entre 15 e 20 milhões de dólares (de 120 a 160 milhões de patacas), entre muitas outras obras. “É uma alegria colecionar estas coisas”, confessa Steve Wynn, que considera o seu novo resort “uma grande coleção” de arte ocidental e asiática. “Não gosto de usar a palavra museu, que se associa a uma coisa velha e aborrecida, mas sim uma grande galeria”.

O magnata revelou ainda a intenção de reunir, num livro a publicar em breve, as fotos e descrições da coleção do Wynn Palace. “Vamos pôr o livro em todos os quartos e talvez colocá-lo à venda”, avançou. (Ponto Final – Rodrigo de Matos – Macau)

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