TJD-RJ suspende jogadores da Portuguesa e Nova Iguaçu por um ano por caso de manipulação

O Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro suspendeu dois jogadores que disputaram o Carioca da primeira divisão neste ano. O caso foi revelado pelo ge ainda na disputa do Estadual deste ano e envolve a Portuguesa e o Nova Iguaçu.
Ainda cabe recurso no Pleno do TJD – a segunda instância do tribunal carioca -, mas os punidos foram:
⇒ Sidney, o Sidão do Nova Iguaçu – suspensão de 365 dias no artigo 243 (atuar, deliberadamente, de modo prejudicial à própria equipe que se defende) e R$ 1 mil de multa pelo mesmo artigo.
⇒ Luís Gustavo – também suspenso por 365 dias no artigo 243 e R$ 1 mil de multa.

O julgamento, realizado nesta tarde de quarta-feira, também puniu outros dois dirigentes da Lusa da Ilha do Governador.
O presidente da Portuguesa, Marcelo Gonçalves, foi multado em R$ 5 mil reais no artigo 220-A, que trata de obstrução, omissão ou não cooperação com a Justiça Desportiva. Pelo mesmo artigo, o supervisor e ex-jogador Muniz foi multado em R$ 5 mil reais.
Em março, o ge ouviu mais de 100 jogadores do Carioca de 2026, na primeira divisão. Quase 15% dos jogadores de times pequenos admitiram que já receberam proposta ou sondagem para manipular resultados ou lances de partidas. Lembre a reportagem aqui.
Relembre o caso
A partida com o lance investigado é Portuguesa 1 x 0 Nova Iguaçu, no dia 7 de fevereiro, no Luso-Brasileiro, pela sexta rodada da primeira fase da competição.
Na ocasião, a Unidade de Integridade de Futebol da CBF e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro receberam alerta apontando número acima do normal de apostas casadas para que o lateral Luis Gustavo, da Portuguesa, e o zagueiro Sidão, do Nova Iguaçu, recebessem cartão amarelo em qualquer momento do jogo.
Houve volume de apostas de R$ 253 mil, sendo 80% delas num determinado para os cartões destes dois jogadores. Os dois cartões saíram. Sidão, que era o capitão do Nova Iguaçu, foi amarelado aos 35 minutos do primeiro tempo. E Luis Gustavo, aos três do segundo tempo.
Ao tomar conhecimento da suspeita e das investigações, a Portuguesa na ocasião afastou Luis Gustavo da equipe. E disse, em comunicado à imprensa, “que reafirma seu compromisso com a transparência, a ética e o respeito às instituições”. Já o Nova Iguaçu manteve o capitão Sidão até o fim do campeonato. Após o fim do Carioca, o zagueiro acertou com uma equipe da Kings League.
Inquéritos em série
O caso é apenas um dos 15 inquéritos abertos na Decon, delegacia que concentra a apuração de possíveis crimes dentro do futebol carioca. Há inquéritos de campeonatos de 2023, 2024 e 2025, mas desta vez em divisões inferiores, de acesso.
Em nota enviada à reportagem ainda no Carioca, a Ferj afirmara que “tem adotado medidas de combate à manipulação de resultados há VÁRIOS anos”, com a contratação de empresa de monitoramento e contatos frequentes com a Polícia Civil, Ministério Público, Juizado do Torcedor, Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Tribunal de Justiça Desportiva-RJ e Confederação Brasileira de Futebol. Segundo a Ferj, o número de casos suspeitos “apresenta queda vertiginosa: 19 (2022), 7 (2023), 3 (2024) e 2 (2025).”
Entre os casos investigados há até mesmo gravação de árbitro – levada pelo dono da SAF do Botafogo, John Textor – que teria confessado participar de esquema de apostas. Na Decon, o juiz negou qualquer envolvimento.
Outro envolve Willian Rogatto, que foi responsável pelo São José, em 2023, time da Série C – correspondente à quinta divisão. Rogatto ficou conhecido como “rei do rebaixamento” e depois na CPI das Apostas. Ele confessou participação em esquema de apostas. (Assista ao vídeo no ge Futebol)


