Z.ro Global Payments compra vertical de pagamentos da Paag e projeta 35% da receita em iGaming

O Z.ro Global Payments concluiu a aquisição da vertical de pagamentos da Paag, processadora especializada em transações para o mercado de iGaming. O negócio foi fechado nesta segunda-feira (18/5). A companhia estima que o segmento de jogos e apostas represente 35% de sua receita no primeiro ano após a integração.
A vertical adquirida processa mais de 200 milhões de transações anuais voltadas ao mercado de jogos e apostas. Antes da operação, o Z.ro já registrava volume total superior a 500 milhões de transações processadas. João Fraga, CEO da Paag, e Ricardo Vidal, CSO, passam a atuar como sócios na área de iGaming do Z.ro.
A aquisição faz parte da estratégia do Z.ro para expandir presença no segmento de iGaming. O BS2 havia demonstrado interesse em comprar a Paag durante 2025, mas a transação não se concretizou. Em abril de 2025, o BS2 anunciou a compra de uma fatia minoritária – não revelada – da Paag, com o objetivo de avançar em direção ao volume elevado de transações do mercado de bets no Brasil. O modelo proposto pelo BS2 previa participação inicial minoritária, com opção de compra total em até três anos. Porém, em razão de divergências contratuais identificadas ao longo das negociações, a operação não teve continuidade, segundo informou o próprio BS2.
“Não estávamos negociando, mas vínhamos tendo conversas informais com a Paag quando vimos a notícia do BS2. E a sensação foi de que tínhamos perdido uma oportunidade”, afirmou Edisio Pereira Neto, cofundador e CEO do Z.ro. “E tenho certeza que, na época, o mercado todo pensou a mesma coisa.”
“A Paag tem forte presença em processamento de pagamentos, especialmente no mercado de jogos, com mais de 200 milhões de transações anuais que serão incorporadas ao nosso ecossistema”, disse Edisio Pereira Neto, presidente do Z.ro Global Payments. “O Banco Central subiu a régua por conta de vários escândalos recentes e, nesse cenário, já estamos vendo um cenário de consolidação no setor de pagamentos. Então, estamos comprando mercado.”
Atualmente, o iGaming responde por cerca de 25% da receita do Z.ro. A projeção da empresa é que o setor de jogos e apostas alcance 35% da receita já no primeiro ano após a conclusão do negócio. Das cerca de 80 bets reguladas no País, o Z.ro atende aproximadamente 40 e a Paag, 30, com apenas uma sobreposição nessa base de clientes. Um estudo da Tendências Consultoria e da Peers Consulting+Technology mostra que as apostas online tiveram uma receita bruta de R$ 37 bilhões no Brasil em 2025, primeiro ano de operação desse mercado sob a regulação sancionada no fim de 2023. O País já é o quinto maior mercado global do setor.
Estrutura pós-aquisição
O Z.ro Global Payments passa a operar com quatro verticais distintas. A área de pagamentos gerais mantém foco em processamento B2B, incluindo o processamento de transações locais para multinacionais que operam no Brasil, num modelo de remessas que integra pagamentos, câmbio e criptomoedas. A vertical de iGaming, dedicada a jogos e apostas, fica sob comando de ex-executivos da Paag. A Z.ro International realiza repasses cross-border na América Latina. A Z.ro Digital Assets opera pagamentos internacionais com criptoativos.
O Z.ro Global Payments, anteriormente chamado Z.ro Bank, mudou de nome em 2025. A empresa iniciou operações no México e na Argentina no mesmo período. A fintech nasceu em 2019, no Porto Digital, no Recife, como um banco multimoedas centrado no B2C. “Em seis meses, tivemos mais de 1 milhão de downloads do aplicativo. E, junto com eles, vieram um milhão de problemas que não tínhamos mapeado”, disse Neto. Ao identificar que “90% desses problemas” estavam relacionados ao seu parceiro de banking as a service da época, a empresa decidiu investir, já em 2020, no desenvolvimento de uma infraestrutura própria e na obtenção de licenças – entre elas, a de Instituição de Pagamentos – junto ao Banco Central.
O movimento coincidiu com o lançamento do Pix, que turbinou a demanda por essa infraestrutura. Em contrapartida, a fintech viu players como BTG, Nubank e PicPay avançarem em seu espaço no B2C. Com menos poder de fogo, entendeu que era hora de pivotar seu negócio para o B2B. Como resultado dessa guinada, a companhia atende hoje 200 empresas, entre elas Binance, Foxbit, a peruana PaySafe e o Grupo JPCM, administrador de shoppings no Nordeste, além de clubes de futebol como o Sport. A operação no B2C será encerrada no fim do mês.
Com a abertura de operações no México, Argentina, Chile e Peru, e uma licença obtida na Suíça que permite operar pagamentos cross border em todo mundo, a fintech nomeou Rafael Lavezzo como CEO dessa frente global, que é atendida por 150 profissionais alocados no Brasil e nesses países. A empresa investiu até aqui R$ 10 milhões nessa expansão e já vislumbra novas operações em 2027, com mercados como Colômbia no radar. “Somos uma empresa muito pé no chão, sem queima de caixa. E essas operações já nascem para ser lucrativas desde o início”, afirma Neto. “Nossa estimativa é de que essa divisão global responda por 30% do nosso resultado. E que, em algum momento, essa participação chegue a 40%.”
A empresa não precisa de recursos externos – sua única captação veio em 2020, com um aporte de R$ 30 milhões da Multinvest. Mas Neto não descarta conversas com potenciais sócios estratégicos para acelerar sua escalada na América Latina. “Já temos advisors buscando outros negócios, isso está integrado à nossa estratégia, seja uma aquisição ou mesmo joint ventures locais estratégicas”, afirma. “Temos conversas em andamento e esperamos anunciar outros acordos em breve. Tanto no Brasil como no exterior.”
Paag mantém operações em risco e compliance
A venda da vertical de pagamentos não encerra as atividades da Paag. A empresa mantém duas frentes de negócio que operam de forma autônoma, sem vínculo societário com o Z.ro Global Payments. A Paag Shield concentra operações em gestão de risco, compliance e prevenção a fraudes. A Paag Engage atua em inteligência operacional e aquisição de clientes.
Fraga declarou: “Construímos uma operação sólida de Payments ao longo dos últimos anos e temos confiança de que os clientes continuarão sendo atendidos com excelência dentro da estrutura da Z.ro. A partir de agora, concentramos ainda mais nossos esforços na evolução do Paag Shield e Paag Engage, com soluções voltadas à inteligência de risco, compliance e eficiência operacional”.
O setor de iGaming enfrenta crescente escrutínio regulatório. A Receita Federal lançou calculadora de IR para apostas online em 2026. As empresas de apostas reduziram patrocínios no futebol após a regulamentação do setor.


